Páginas

O Rei eterno, imortal, invisível. – Jonathan Edwards (1703-1758)



Quando estamos ausentes de nossos queridos amigos, eles nos estão fora de vista, mas quando estamos com eles, temos a oportunidade e satisfação de vê-los. Enquanto os santos estão no corpo e ausentes do Senhor, sob vários aspectos Ele está fora de nossa vista. "o qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso" (1 Pe 1.8). Eles têm neste mundo uma visão espiritual de Cristo, mas vêem "por espelho em enigma' e com grandes interrupções; mas no céu eles o vêem "face a face". São bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.


A visão beatífica que eles têm de Deus está em Cristo, que é o brilho ou fulgência da glória de Deus, pela qual sua glória brilha no céu, à vista dos santos e anjos lá como também aqui na terra. Este é o Sol da Justiça, que não só é a luz deste mundo, mas também o sol que ilumina a Jerusalém celestial, por cujos raios luminosos a glória de Deus brilha, para a iluminação e felicidade de todos os habitantes gloriosos. "A glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21.23)- Ninguém vê Deus Pai imediatamente. Ele é o Rei eterno, imortal, invisível. Cristo é a imagem desse Deus invisível pela qual Ele é visto por todas as criaturas eleitas. O Filho unigênito que está no seio do Pai, Ele o declarou e o manifestou.



Ninguém jamais viu o Pai, somente o Filho; e ninguém mais vê o Pai de outro modo senão pela revelação que o Filho faz dEle. No céu, os espíritos dos justos tornados perfeitos o vêem como Ele é. Eles vêem a sua glória. Eles vêem a glória de sua natureza divina, que consiste em toda a glória da deidade, a beleza de todas as suas perfeições; sua grande majestade e poder Todo-poderoso; sua sabedoria, santidade e graça infinitas. Eles vêem a beleza de sua natureza humana glorificada e a glória que o Pai lhe deu, como Deus-Homem e Mediador.


Para este fim, Jesus desejou que os santos estivessem com Ele, para que vissem sua glória. Quando a alma do santo deixa o corpo para ir estar com Cristo, ela vê a glória da obra de Redenção que "os anjos desejam bem atentar". Os santos no céu têm a visão mais clara da profundidade insondável da sabedoria e conhecimento de Deus e das demonstrações mais brilhantes da pureza e santidade de Deus que aparecem nessa obra. Eles vêem de uma maneira muito mais clara que os santos aqui "qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento" (Ef 3-18,19). Assim como eles vêem as riquezas e glória indizíveis da graça de Deus, eles entendem claramente o amor eterno e imensurável de Cristo por eles em particular.


Em resumo, eles vêem tudo em Cristo, o que tende a acender e satisfazer o amor da maneira mais clara e gloriosa, sem escuridão ou ilusão, sem impedimento ou interrupção. Agora os santos, enquanto no corpo, vêem um pouco da glória e amor de Cristo; como nós, no alvorecer da manhã, vemos um pouco da luz refletida do sol misturada com a escuridão. Mas quando separados do corpo, eles vêem o Redentor glorioso e amoroso, assim como vemos o sol quando está acima do horizonte, pelos seus raios diretos num hemisfério claro e com dia perfeito.
Ler Mais

Felicidade é louvar, agradecer, amar e servi-Lo - Jonathan Edwards



Edwards herdou uma controvérsia entre os eruditos: o objetivo de Deus na criação era a sua própria glória, como sustentava a teologia Reformada, ou a felicidade do homem, como pensam os arminianos e os deístas? Em sua Dissertation on the Endfor Which God Created the World [Dissertação sobre o fim para o qual Deus criou o mundo], publicada postumamente, Edwards resolveu essa questão com brilho surpreendente. Como seu filho, Jonathan Edwards Jr., disse:

Foi dito que, como Deus é um ser benevolente... não podia deixar de formar criaturas com o propósito de torná-las felizes. Muitas passagens das Escrituras foram citadas em apoio a esta opinião. Por outro lado, numerosas e bastante explícitas declarações das Escrituras foram produzidas para provar que Deus fez todas as coisas para sua própria glória. Edwards foi o primeiro que mostrou claramente que ambas foram o fim último da criação... e que elas são realmente uma e a mesma coisa.

Com isso, Edwards amarrou o seu caso, examinando o uso bíblico da palavra "glória" (hebraico: kabod; grego, LXX e NT: doxa). Tendo declarado corretamente que kabod etimologicamente significa "peso, grandeza, abundância" e no uso geral transmite a ideia de "Deus em plenitude", Edwards fez a seguinte análise do uso do termo:

As vezes é usado para significar o que é interno, inerente, ou está na posse de alguém [ou seja, a glória que pertence a outra pessoa]: às vezes refere-se à emanação, exposição, ou à comunicação dessa glória interna [ou seja, a glória que aparece para alguém] e às vezes, ao conhecimento ou à percepção dessas [comunicações], naqueles a quem a exposição ou comunicação é feita [ou seja, a glória que é vista, ou discernida por alguém]; ou, à expressão desse conhecimento, sentido, ou efeito [a glória que é  a alguém, por louvor e gratidão em alegria e amor].

E a conclusão que ele oferece, com base em ambos os textos bíblicos que falam de glória e de glorificar dessas quatro maneiras distintas, embora ligadas, e também o argumento analítico em torno dessa exegese, é que a glória interna e intrínseca de Deus consiste em seu conhecimento (onisciência com sabedoria), além de sua santidade (o amor virtuoso espontâneo, ligado ao ódio ao pecado), mais a sua alegria (felicidade suprema sem fim) e que sua glória (sábia, santa, feliz e amorosa) flui dele como a água de um chafariz, na espontaneidade do amor (graça), em primeiro lugar na criação e na redenção, sendo que ambas são tão definidas para nós a ponto de suscitar o louvor; e que, em respondermos glorificando a Deus, dirigidos pelo Espírito Santo, Deus glorifica e satisfaz a si mesmo, alcançando o que era seu propósito desde o início.


O fim principal do homem, como a famosa primeira resposta do Breve Catecismo de Westminster expõe memoravelmente, é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Deus nos fez de tal modo que em louvar, agradecer, amar e servi-lo, atingimos a nossa própria felicidade suprema e satisfação em Deus que de outro modo não teríamos e não poderíamos fazer. Atingimos a nossa maior alegria em Deus e em glorificá-lo supremamente, e glorificá-lo em desfrutá-lo. Na verdade, desfrutamos mais dele quando o glorificamos mais, e vice-versa. E a finalidade única, embora complexa de Deus, agora na redenção como foi na criação, é a sua própria felicidade e alegria dentro e por meio de nós. Seu grande objetivo aqui e agora é glorificar a si mesmo mediante glorificar e ser glorificado por seres humanos racionais que, apesar da natureza caída, chegam à fé salvadora em Jesus Cristo. Assim, a emanação (saída) da glória divina na forma de resultados da ação criadora e redentora de reemanaçao (retorno do fluir) da glória de Deus na forma de devoção e celebração. E assim o objetivo de Deus para si próprio (Pai, Filho e Espírito Santo, o "eles" que são "ele" dentro da unidade trina), a meta que inclui a sua meta para toda a humanidade cristã, é obtido por meio de um processo isoladamente unitário, que é contínuo e interminável em si.

A imensidão inimaginável desse sequenciamento recíproco, que é na verdade a finalidade para a qual Deus criou o mundo, só pode ser indicada de forma leiga e analógica (para usar um par de termos não-edwardeanos). Isso é feito por nós de uma maneira normativa em Apocalipse 21, e C. S. Lewis de modo mais eficaz fez no fim de sua história de Nárnia, A Ultima Batalha, em que as crianças foram levadas por um acidente ferroviário à Nárnia real, que será a casa delas para sempre. As frases-chave são estas:

Então Aslan [o leão como Cristo] se virou para eles e disse:
"Vocês ainda não estão tão felizes quanto eu almejei que vocês sejam... todos vocês estão (como vocês costumavam chamar na Terra das Sombras) mortos. A temporada acabou, as férias já começaram. O sonho acabou. Esta é a manhã".
... Nós podemos mui verdadeiramente dizer que todos eles viveram felizes para sempre. Mas para eles era apenas o começo da história real. Toda a vida deles neste mundo e todas as suas aventuras em Nárnia haviam sido apenas a capa e a página de título: agora, finalmente, eles estavam começando o Capítulo Um da Grande História que ninguém na terra leu, que dura para sempre, em que cada capítulo é melhor que o anterior.

Isso captura exatamente, em termos míticos-parabólicos, o ponto que Edwards, na sua forma mais prosaica, estava preocupado em demonstrar. Amy Plantinga Pauw o resume assim:

Porque "o céu é um estado progressivo", a alegria celeste dos santos, e até mesmo do Deus trino, continuará aumentando para sempre... Os santos podem esperar uma expansão infinita de seu conhecimento e amor de Deus, como suas capacidades são aumentadas por aquilo que eles recebem... não há limite intrínseco à sua alegria no céu... Como os santos continuam a aumentar em conhecimento e amor de Deus, Deus recebe mais e mais glória. Esta reciprocidade celeste nunca cessará, porque a glória que Deus merece é infinita, e a capacidade dos santos de perceber a glória de Deus e louvá-lo está sempre aumentando.

Aqui está, finalmente, como o próprio Edwards, em sua forma bastante mais séria e abstrata, resume o assunto ("criatura" no que se segue é o crente):

E embora a emanação da plenitude de Deus destinada na criação tenha a criatura como seu objeto, e a criatura seja o tema da plenitude comunicada, o bem da criatura, isso não implica necessariamente que fazendo assim Deus não fez a sua finalidade em si mesmo. Vem a ser a mesma coisa. O apreço de Deus pelo bem da criatura, e seu apreço por si mesmo, não é uma matéria dividida, mas ambos estão unidos num só, como a felicidade almejada para a criatura visa a felicidade na união consigo mesmo... Quanto maior a felicidade maior a união... E como a felicidade, aumentará até a eternidade, a união vai se tornar [p.ex., estreitamente ligada] cada vez mais rigorosa e perfeita; mais e mais parecido ao que existe entre Deus Pai e o Filho, que estão tão unidos, que o seu interesse é perfeitamente um... Que a mais perfeita união com Deus seja representada por algo infinito muito acima de nós, e a união eterna dos santos com Deus, por algo que está ascendendo constantemente para uma altura infinita... e que continuará assim, a se mover por toda a eternidade.

A via de duas mãos desse processo incessante, diz Edwards, encarna e manifesta o verdadeiro fim para o qual Deus criou o mundo: a saber, o avanço interminável de sua glória, em união conosco, mediante o infinito avanço da nossa, em união com ele. Aqueles que têm em qualquer medida provado o frescor e a alegria de coração que fluem da fé, amizade e adoração da santa Trindade (ou devo dizer o Único santo ou o Único em três) vão adotar o pensamento de Edwards como uma resposta completa para qualquer fantasia de que o céu cristão seria estático e aborrecido, e olharão para a frente, para a glória aguardada com avidez cada vez maior.
Ler Mais

Jonathan Edwards - A visão fascinada pela glória de Deus!!



"É muitíssimo evidente pelas obras de Deus que o seu conhecimento e poder são infinitos... Sendo assim, infinito em poder e conhecimento, ele também deve ser perfeitamente santo, pois a falta de santidade sempre demonstra algum defeito, alguma cegueira. Onde não há escuridão nem engano, não pode haver falta de santidade... Deus, sendo infinito em poder e conhecimento, deve ser autossuficiente e todo-suficiente; por isso é impossível que ele estivesse sob a tentação de fazer alguma coisa errada, pois não teria uma finalidade em fazê-lo... portanto, Deus é essencialmente santo, e nada é mais impossível de ocorrer do que ele falhar".


Quando Jonathan Edwards se aquietou e reconheceu que Deus é Deus, a visão diante de seus olhos foi a de um Deus absolutamente soberano, autossuficiente em si mesmo e suficiente para suas criaturas, infinito em santidade e, portanto, perfeitamente glorioso, ou seja, infinitamente belo em toda a sua perfeição. As ações de Deus, por isso, nunca são motivadas pela necessidade de suprir as suas deficiências (pois ele não tem nenhuma), mas são sempre motivadas pela paixão de mostrar a sua suficiência gloriosa (que é infinita). Ele faz tudo o que faz - absolutamente tudo — a fim de mostrar sua glória.


Logo, o nosso dever e privilégio é conformar-nos com o propósito divino na criação, na História e na redenção, ou seja, refletir o valor da glória de Deus, pensar, sentir e fazer tudo o que for preciso para engrandecer o nosso Deus. Nossa razão de ser, a nossa vocação, nossa alegria é a de tornar a glória de Deus visível. Edwards escreve:


"Tudo aquilo que é mencionado nas Escrituras como a finalidade última das obras de Deus está incluído em uma única frase, a glória de Deus... O esplendor brilha sobre e na criatura, e é refletido de volta para a luminária. Os raios de glória vêm de Deus, são algo de Deus e são reintegrados de volta à sua origem. Assim que a totalidade é de Deus e em Deus, e para Deus, e Deus é o começo, meio e fim neste caso".


Esta é a essência da visão fascinada pela glória de Deus que Edwards possuía a respeito de todas as coisas! Deus é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Nada existe sem que tivesse sido criado por ele. Nada subsiste sem a sustentação da sua Palavra. Tudo tem a razão de sua existência nele. Portanto, nada pode ser entendido à parte dele, e qualquer entendimento de qualquer coisa que o exclua são compreensões superficiais, pois deixam de fora a realidade mais importante do universo. Hoje, mal podemos começar a sentir quanto nos tornamos ignorantes de Deus, porque ele é o próprio ar que respiramos.


E por isso que eu digo que a visão fascinada pela glória de Deus que Edwards possuía a respeito de todas as coisas não somente é rara, mas também necessária. Se não partilharmos dessa visão, não nos uniremos conscientemente a Deus na finalidade para a qual ele criou o universo. E se não nos juntarmos a Deus em avançar seu objetivo para o universo, então desperdiçaremos as nossas vidas e seremos opositores do nosso Criador.




Por John Piper
Ler Mais

Glorificar a Deus ao Desfrutá-lo para Sempre - Jonathan Edwards (1703-1758)




Assim, pelo fato de prezar infinitamente a própria glória, que consiste do conhecimento de si mesmo, do amor por si mesmo e da complacência [isto é, satisfação, deleite] e alegria em si mesmo, ele prezou a imagem, a transmissão ou a participação dessas coisas na criatura...




Ler Mais
 
Jonathan Edwards | by ©2010