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O Deleite de Deus na Redenção – Jonathan Edwards


[Deus se deleita na obra salvífica de Cristo como um fim supremo da criação]

A obra da redenção realizada por Jesus Cristo é de tal maneira referida como conseqüência da graça e do amor de Deus pelos homens que não pode ser coerente com a idéia de que ele procura lhes comunicar o bem apenas de modo subordinado. Expressões como as de João 3.16 ("Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"). 1 João 4.9,10: ("Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados"). Bem como Efésios 2.4: ("Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou"), apresentam outra idéia. Caso, porém, isso se desse apenas em razão de um fim ulterior, inteiramente distinto do nosso bem,81 todo amor seria concretizado e manifestado nesse objeto supremo, estritamente falando, e não no fato de que ele nos amou, ou que teve por nós a mais alta consideração. Se o nosso bem ou interesse não é considerado de modo supremo, mas apenas subordinado, é, em si mesmo, tido como nada para Deus.


As Escrituras sempre mostram que as grandes coisas que Cristo fez e sofreu foram, no sentido mais direto e estrito, decorrentes do seu imenso amor por nós. O apóstolo Paulo expressa esse fato da seguinte maneira em Gaiatas 2.20: "Vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim". Efésios 5.25: "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela". O próprio Cristo diz em João 17.19: "E a favor deles eu me santifico a mim mesmo". E as Escrituras mostram Cristo descansando na salvação e na glória do seu povo, quando estas são obtidas depois de terem sido buscadas acima de todas as coisas, como tendo alcançado o seu objetivo, recebido o prêmio pretendido e desfrutado o trabalho da sua alma no qual ele se satisfaz, como recompensa desse labor e das agonias extremas. Isaías 53.10,11: "Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si". Ele vê o trabalho da sua alma ao ver sua descendência, os filhos gerados por esse trabalho. Isso implica que Cristo se deleita, de modo absolutamente verdadeiro e próprio, em obter a salvação da sua igreja não apenas como um meio, mas como aquilo no que ele se regozija e se satisfaz, mais direta e particularmente.


Esse fato pode ser comprovado pelas passagens das Escrituras de acordo com as quais Cristo se regozija ao obter esse fruto de seu trabalho e aquisição, como o noivo quando recebe sua noiva. Isaías 62.5: "Como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus". E quão enfáticas e veementes quanto ao seu propósito são as expressões em Sofonias 3.17: "O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo". Pode-se dizer o mesmo de Provérbios 8.30,31 ("Então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens") e das passagens que falam dos santos como a herança de Deus, suas jóias e propriedade peculiar, afirmações amplamente corroboradas em João 12.23-32:

Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorifiçado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preserva-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo".
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Santidade! Jonathan Edwards - 1703 - 1758


Deus preza a santidade na criatura e a santidade é, em essência, prezar a Deus

Temos aqui duas coisas para as quais precisamos atentar" em particular. (1) Em Deus, o amor por si mesmo e o amor do público não devem ser diferençados, como no caso do homem, pois o ser de Deus compreende todas as coisas. Uma vez que a sua existência é infinita...


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Humildade - Jonathan Edwards (1703 - 1758)


Humildade deve ser definida como um hábito da mente e coração correspondente à nossa comparativa indignidade e vileza diante de Deus, ou um senso de nossa própria miséria à Sua vista, com a disposição de um comportamento que corresponda a isto. E um homem verdadeiramente humilde é consciente da diminuta extensão de seu próprio conhecimento, da grande extensão de sua ignorância e da insignificante extensão de seu entendimento comparado com o entendimento de Deus...



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A Glória Interna de Deus – Jonathan Edwards


Toda a glória interna de Deus é sintetizada no seu entendimento, na sua virtude e na sua felicidade


Quanto à glória interna de Deus, esta se encontra no seu entendimento ou vontade. A glória ou plenitude do seu entendimento é o seu conhecimento. A glória interna e a plenitude de Deus, localizadas especificamente na sua vontade, é sua santidade e felicidade.

A totalidade da bondade interna de Deus ou a sua glória se encontra nestas coisas, a saber, no seu conhecimento infinito, na sua virtude ou santidade infinita e na sua alegria e felicidade infinitas. Por certo, Deus possui inúmeros atributos, de acordo com a nossa concepção destes, mas todos eles podem ser reduzidos aos mencionados, ou ao seu grau, circunstâncias e relações.

Não temos outra concepção do poder de Deus senão aquela referente ao grau dessas coisas, com certa relação entre elas, a fim de produzir determinados resultados. A infinidade de Deus não é, propriamente, um tipo distinto de bem, mas apenas expressa o grau de bem que há nele. Do mesmo modo, a eternidade de Deus não é um bem distinto, mas sim a duração do bem.

Sua imutabilidade é ainda o mesmo bem, com uma negação de mudança. Portanto, conforme afirmei, plenitude do Ser Divino é a plenitude do seu entendimento, que consiste no seu conhecimento, e também a plenitude da sua vontade, que consiste na sua virtude e na sua felicidade.
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Tudo para o bem do seu Povo – Jonathan Edwards


[Todo o governo do universo por Cristo é para o bem do povo de Deus]

O fato de o governo do mundo em todas as suas partes ter como objetivo o bem daqueles que serão os sujeitos eternos da bondade de Deus, fica implícito no que as Escrituras nos ensinam sobre Cristo ter sido colocado à destra de Deus; coroado rei entre os anjos e homens; colocado como Cabeça do universo, recebendo todo o poder no céu e na terra afim de promover a felicidade deles; feito o Cabeça da igreja e recebido o domínio sobre toda a criação para o bem tanto de uma quanto da outra.83 Em Marcos 2.27, Cristo menciona isso como o motivo pelo qual o Filho do homem é Senhor do sábado: "O sábado foi estabelecido por causa do homem". Assim, podemos argumentar que todas as coisas foram feitas por causa do homem, pois o Filho do homem é Senhor de todas as coisas.

[Todas as rodas da providência giram no sentido da salvação do povo de Deus]

O fato de Deus, no governo da criação, usá-la para o bem de seu povo é apresentado de forma excelente em Deuteronômio 33.26: "Não há outro, ó amado, semelhante a Deus [Jeshurun], que cavalga sobre os céus". O universo inteiro é uma carruagem ou máquina que Deus criou para uso próprio, conforme representado na visão de Ezequiel. O trono de Deus é o céu, onde ele está assentado e de onde governa, conforme Ezequiel 1.22,26-28. A parte inferior da criação - este universo visível, sujeito a mudanças contínuas e revoluções - constitui as rodas da carruagem. A providência de Deus - suas revoluções, suas alterações e seus acontecimentos sucessivos - é representada pelo movimento das rodas da carruagem, impelidas pelo Espírito daquele que está assentado no seu trono nos céus ou acima do firmamento. Moisés revela o motivo pelo qual Deus move as rodas da sua carruagem ou anda nesta, assentado no seu trono celestial, e com que fim ele avança ou realiza essa jornada, ou seja, a salvação do seu povo.

[O julgamento de Deus sobre os perversos visa à felicidade definitiva do povo de Deus]

Os julgamentos de Deus sobre os perversos deste mundo e também a condenação eterna deles no mundo por vir têm por objetivo a felicidade do povo de Deus. O mesmo se aplica aos seus julgamentos sobre eles neste mundo. Isaías 43.3,4: "Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida". Também as obras da justiça e ira vingadoras de Deus são referidas como obras de misericórdia para com o seu povo no Salmo 136.10,15,17-20 ["Àquele que feriu o Egito nos seus primogénitos, porque a sua misericórdia dura para sempre; ... mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, porque a sua misericórdia dura para sempre;... àquele que feriu grandes reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; e tirou a vida a famosos reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; a Seom, rei dos amorreus, porque a sua misericórdia dura para sempre; e a Ogue, rei de Basã, porque a sua misericórdia dura para sempre"].

[235] O mesmo se aplica à condenação eterna no outro mundo. Romanos 9.22,23: "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão...?". Fica evidente que o último versículo é ligado aos anteriores a fim de apresentar outro motivo para a destruição dos perversos, ou seja, mostrar as riquezas da glória de Deus em vasos de misericórdia: graus mais elevados de glória e felicidade, satisfação nos deleites deles e uma percepção maior do seu valor e da graça abundante de Deus ao lhes conceder tais riquezas.

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Jonathan Edwards | by ©2010