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Alegria Eternamente Crescente - Jonathan Edwards


A união com Deus ao compartilhar a alegria que ele tem em si mesmo será eternamente crescente

Se Deus tem deferência por algo na criatura, algo que ele considera de duração eterna e algo que se eleva cada vez mais ao longo dessa duração infinita, não com celeridade cada vez menor (mas talvez até maior), tem deferência por tal coisa na sua totalidade, na sua altura infinita, apesar de sabermos que jamais haverá um momento em que será possível dizer que tal coisa alcançou essa altura.

Representemos a união com Deus como algo que se encontra a uma altura infinita acima de nós, e a união eternamente crescente dos santos com Deus como algo que se eleva constantemente em direção a essa altura infinita, sobe a determinada velocidade e se move desse modo por toda a eternidade; Deus, que vê a totalidade dessa altura eternamente crescente, a vê como uma altura infinita. E se ele tem deferência por ela e faz dela o seu fim, tem deferência por ela na sua totalidade como uma altura infinita, apesar de ser fato que jamais haverá um momento em que será possível dizer que essa altura infinita foi alcançada.

Deus tem como objetivo aquilo que é visado pelo movimento ou pela progressão que ele causa, aquilo para o que ele tende. Se há diversas coisas que devem ser, desse modo, feitas e designadas e que, por um movimento constante e eterno, tendem todas para determinado centro, nos parece que o criador dessas coisas, que é a causa do seu movimento, tem como objetivo esse determinado centro e o ponto final desse movimento, para o qual elas tendem eternamente e o qual estão, por assim dizer, se esforçando eternamente para alcançar. Se Deus é esse centro, Deus determinou a si mesmo como objetivo, ficando claro, portanto, que, como autor da existência e do movimento dessas coisas, ele também é o seu fim último, o ponto final, ao qual elas visam e para o qual elas tendem de modo supremo.

Podemos concluir qual é o fim visado pelo Criador, na existência, natureza e tendência que ele confere à criatura, ao considerar o objetivo ou ponto final que ela busca todo tempo na sua tendência e no seu progresso eterno, mesmo sabendo que jamais chegará um momento em que se possa dizer que esse objetivo foi alcançado da maneira mais absolutamente perfeita.

Porém, se a perfeição da união com Deus foi tida como, desse modo, infinitamente exaltada, a criatura deve ser considerada igualmente próxima e intimamente unida com Deus. Quando a criatura é vista desse modo, o seu interesse também deve ser considerado semelhante ao interesse de Deus e, portanto, não ser tido de modo disjunto [isto é, desassociado] e separado, mas sim indiviso. E, quanto a qualquer dificuldade em conciliar o fato de Deus não fazer da criatura o seu fim supremo - tendo por ela uma reverência particularmente distinta da reverência que possui por si mesmo - com sua benevolência e graça abundante, e com a obrigação de gratidão por parte da criatura, devemos remeter o leitor ao Capítulo Um, Seção Quatro, Objeção Quatro, em que essa objeção é examinada e respondida detalhadamente.

Se, pela intimidade da união entre um homem e sua família, os interesses do primeiro e desta última podem ser considerados os mesmos, quanto mais, então, os interesses de Cristo e de sua igreja - cuja união essencial no céu é inexprimivelmente mais perfeita e exaltada do que aquela de um pai com a sua família - quando considerados com base em sua união eterna e crescente. Sem dúvida, podemos julgar que esses interesses são de tal modo semelhantes que não são buscados de forma distinta e separada, mas sim indivisa. Por certo, aquilo que Deus intentou na criação do mundo foi o bem que seria decorrente da criação na continuidade total daquilo que foi criado.

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A Verdadeira Comunhão - Jonathan Edwards


Aquela religião que Deus requer, e irá aceitar, não consiste de desejos fracos, mórbidos e sem vida, que sequer nos tiram de um estado de indiferença. Deus, em sua palavra, insiste grandemente nisto, que estejamos em boa, séria e fervorosa disposição, e nossos corações vigorosamente engajados na religião...

Os que assim insistem no "pessoas vivendo pela fé" — enquanto elas não têm qualquer vivência prática e estão em muito más condições — são também muito absurdos em sua noção de fé. O que eles entendem por "fé" é crer que tais pessoas estão em bom estado. Por isso, consideram ser um pecado terrível elas duvidarem de seu estado, não importa em que condições estejam e quais impiedades pratiquem, pois esse é o grande e odioso pecado da incredulidade.

E o melhor homem, o que mais honra a Deus, é aquele que mantém a esperança de seu bom estado da forma mais confiante e inalterável, só tendo o mínimo de evidência ou experiência; isto é, quando ele está nas piores condições e situações. Porque, deveras, isto é um sinal de que ele é forte na fé, dando glória a Deus, e contra a esperança crê na esperança. Mas de que Bíblia eles aprendem essa noção de "fé", de que fé é o homem crer, confiantemente, que está num bom estado? Se isto é fé, os fariseus tinham fé em grau eminente; e alguns deles, Cristo ensina, cometeram o pecado imperdoável contra o Espírito Santo...

.. .Pode ser por incredulidade ou por terem tão pouca fé, que eles têm tão pouca evidência de seu bom estado. Se tivessem mais experiência em atitudes de fé e, portanto, maior experiência no exercício da graça, teriam evidência mais clara de que seu estado é bom; e, assim, suas dúvidas seriam removidas...

...Não é desígnio de Deus que os homens obtenham segurança por qualquer outro meio senão a mortificação da corrupção, o crescimento na graça e a obtenção dos seus exercícios de vida. E apesar de o auto-exame ser um dever de grande utilidade e importância, e que de forma alguma deve ser negligenciado, esse não é o meio principal pelo qual os santos obtêm a certeza do seu bom estado. A segurança não se obtém tanto pelo auto-exame, mas pela ação. Foi desse modo, principalmente, que o apóstolo Paulo procurou segurança, a saber, esquecendo-se das coisas que para trás ficavam e buscando as que estavam à frente, prosseguindo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos. E foi principalmente por esse meio que ele alcançou a segurança (1 Coríntios 9.26). "Assim corro também eu, não sem meta." Ele obteve a segurança de receber o prêmio mais por correr do que por considerar... Ser totalmente diligente quanto ao crescimento na graça, acrescentar à fé a virtude, etc., é a orientação que nos dá o apóstolo Pedro para confirmarmos a nossa vocação e eleição e termos amplamente suprida a nossa entrada no reino eterno de Cristo. Sem isso, nossos olhos estarão obscurecidos, e seremos como homens nas trevas; não poderemos ver claramente nem o perdão dos nossos pecados passados, nem a nossa herança celestial, que é futura e distante (2 Pe 1.5-11).
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A glória denota o que é interno - Jonathan Edwards

A excelência ou grandeza interna de uma pessoa é referida como a sua glória

O termo glória denota, por vezes, algo que é interno. Quando a palavra é usada para significar o que está dentro ou de posse do sujeito, é comum ter o sentido de excelência, dignidade ou merecimento de consideração. De acordo com a expressão idiomática hebraica é, por assim dizer, o peso de algo, aquilo que torna algo pesado; do mesmo modo que ser leve é ser vil, sem valor, desprezível. Números 21.5: "deste pão vil"; 1 Samuel 18.23: "Parece-vos coisa de somenos ser genro do rei, sendo eu homem pobre e de humilde condição?"; Juizes 9.4: "homens levianos"; e também Sofonias 3.4. Considerar algo leve é "fazer pouco caso", conforme 2 Samuel 19.43. A vileza de Belsazar aos olhos de Deus é representada pelo fato de ele ser Tekel, pesado na balança, e considerado leve” (Dn 5.27). E, assim como o peso de algo é decorrente da sua dimensão e da sua gravidade específica em conjunto, também a palavra glória é usada com grande freqüência para se referir à excelência de uma pessoa ou coisa, como algo que consiste de grandeza ou beleza, ou ambas em conjunto, como fica bastante claro ao se considerar as passagens referidas na nota.

A abundância de posses é, por vezes, chamada de glória de uma pessoa

Por vezes, aquele bem interno, magnífico e excelente, que é chamado de glória, se deve aposse de algo, não sendo, portanto, de caráter inerente. Qualquer pessoa que possua alguma abundância pode ser chamada de pesada e, se está vazia ou destituída, pode ser chamada de leve. Assim, vemos que, em algumas ocasiões, as riquezas são chamadas de glória. Gênesis 31.1: "e do que era de nosso pai juntou ele toda esta riqueza [glória na versão da Bíblia usada pelo autor - N.T.]"; Ester 5.11: "Contou-lhes Hamã a glória das suas riquezas"; Salmo 49.16,17: "Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará"; Naum 2.9: "Saqueai a prata, saqueai o ouro, porque não se acabam os tesouros; há abastança [glória na versão da Bíblia usada pelo autor - N.T.] de todo objeto desejável".

O termo também é usado com freqüência para um alto nível de prosperidade e abundância de coisas boas em geral. Gênesis 45.13: "Anunciai a meu pai toda a minha glória no Egito"; Jó 19.9: "Da minha honra [glória na versão da Bíblia usada pelo autor-N.T.] me despojou"; Isaías 10.3: "A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa glória?: versículo 16: "Pelo que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, enviará a tísica contra os seus homens, todos gordos, e debaixo da sua. glória acenderá uma queima, como a queima de fogo"; Isaías 17.3, 4: "A fortaleza de Efraim desaparecerá, como também o reino de Damasco e o restante da Síria; serão como a glória dos filhos de Israel, diz o SENHOR dos Exércitos. Naquele dia, a glória de Jacó será apoucada, e a gordura da sua carne desaparecerá"; Isaías 21.16: "toda a glória de Quedar desaparecerá"; Isaías 61.6: "comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis"; Isaías 66.11, 12: "para que sugueis e vos deleiteis com a abundância da sua glória. Porque assim diz o SENHOR: Eis que estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória das nações, como uma torrente que transborda"; Oséias 9.11: "Quanto a Efraim, a sua glória voará como ave"; Mateus 4.8: "Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles"; Lucas 24.26: "Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?; João 17.22: "Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado"; Romanos 5.2: "E gloriamo-nos na esperança da glória de Deus"; Romanos 8.18: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (veja também Rm 2.7,10; 3.23 e 9.23); 1 Coríntios 2.7: "Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória"', 2 Coríntios 4.17: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação"; Efésios 1.18: "Qual a riqueza da glória da sua herança nos santos"; 1 Pedro 4.13: "pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando"; 1 Pedro 1.8: "Exultais com alegria indizível e cheia de glória".


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Por que o pecado é punido se até ele glorifica Deus? – J. Edwards


O fato de o fim supremo da bondade ou justiça moral ser cumprido quando Deus é glorificado encontra-se pressuposto na objeção que o apóstolo faz ou que imagina que alguns farão. Romanos 3.7: "E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?", ou seja, uma vez que o grande fim da justiça é cumprido pelo meu pecado, quando Deus é glorificado, por que o meu pecado é condenado e castigado? E por que a minha perversidade não é considerada virtude?

As Escrituras também falam da glória de Deus como aquilo que constitui o valor e o fim de determinadas graças, como é o caso da é (Romanos 4.20: "Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus"). Filipenses 2.11: "E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai"); do arrependimento (Josué 7.19: "Dá glória ao SENHOR, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não mo ocultes"); da caridade (2 Coríntios 8.19: "no desempenho desta graça ministrada por nós, para a glória do próprio Senhor e para mostrar a nossa boa vontade"); das ações de graça e louvor (Lucas 17.18: "Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?"; Salmo 50.23: "O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus").

No tocante à última passagem, pode-se observar que Deus parece estar se referindo desse modo às atividades religiosas de seu povo, indicando que o fim da religião como um todo é glorificar a Deus. O povo supunha estar fazendo isso da melhor maneira possível ao oferecer um grande número de sacrifícios, mas Deus corrige esse erro e informa a ele que o fim maravilhoso da religião não é cumprido desse modo, mas sim na oferta dos sacrifícios mais espirituais do louvor e da santa conversão [estilo de vida].

Por fim, convém observar em particular as palavras do apóstolo em 1 Coríntios 6.19,20: "Acaso não sabeis... que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo".

Aqui, a glorificação de Deus não é apenas aquilo que compreende, em síntese, o fim da religião e o de Cristo ao nos redimir; o apóstolo também ressalta que, tendo em vista não sermos de nós mesmos, não devemos agir como se o fôssemos, mas sim como sendo de Deus; e não devemos usar os membros do nosso corpo ou as faculdades da nossa alma para nós mesmos, mas sim para Deus, fazendo dele o nosso fim. Expressa, ainda, a maneira como devemos fazer de Deus o nosso fim, ou seja, fazendo da sua glória o nosso fim. "Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo."

Não se pode supor, com isso, que, embora os cristãos sejam ordenados a fazer da glória de Deus o seu fim, este pode ser subordinado, subserviente apropria felicidade, pois, desse modo, ao agir antes e acima de tudo visando ao benefício próprio, usariam seu corpo, alma e espírito como se pertencessem a eles mesmos, e não como sendo de Deus, o que é diametralmente oposto ao objetivo da exortação do apóstolo e dos argumentos que ele apresenta, segundo os quais devemos nos entregar a Deus, usar a nós mesmos como sendo dele, e não de nós mesmos, e agir visando ao benefício dele, e não ao nosso.

 Assim, fica evidente, que a glória de Deus é o fim último para o qual ele criou o mundo.

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O Propósito do Julgamento Divino – Jonathan Edwards


[O julgamento de Deus sobre os perversos visa à felicidade definitiva do povo de Deus]

Os julgamentos de Deus sobre os perversos deste mundo e também a condenação eterna deles no mundo por vir têm por objetivo a felicidade do povo de Deus. O mesmo se aplica aos seus julgamentos sobre eles neste mundo. Isaías 43.3,4: "Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida".

Também as obras da justiça e ira vingadoras de Deus são referidas como obras de misericórdia para com o seu povo no Salmo 136.10,15,17-20 ["Àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua misericórdia dura para sempre; ... mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, porque a sua misericórdia dura para sempre;... àquele que feriu grandes reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; e tirou a vida a famosos reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; a Seom, rei dos amorreus, porque a sua misericórdia dura para sempre; e a Ogue, rei de Basã, porque a sua misericórdia dura para sempre"].

O mesmo se aplica à condenação eterna no outro mundo. Romanos 9.22,23: "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dai' a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão... ?".

Fica evidente que o último versículo é ligado aos anteriores a fim de apresentar outro motivo para a destruição dos perversos, ou seja, mostrar as riquezas da glória de Deus em vasos de misericórdia: graus mais elevados de glória e felicidade, satisfação nos deleites deles e uma percepção maior do seu valor e da graça abundante de Deus ao lhes conceder tais riquezas.
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O Governo Moral de Deus - Jonathan Edwards


[A glória de Deus é o fim supremo do governo moral de Deus em ira e misericórdia]

As Escrituras nos levam a supor que a glória de Deus é o seu fim último no governo moral do mundo em geral. Esse fato foi demonstrado anteriormente em relação a várias coisas que dizem respeito ao governo moral de Deus no mundo, particularmente na obra de redenção, a maior de todas as dispensações no governo moral do mundo. Também o observei, em relação ao dever que Deus determina para os súditos desse governo moral, ao exigir que busquem a glória divina como o seu fim último. Esse é, na verdade, o fim último da bondade moral que lhes é requerida, o fim que confere à sua bondade moral o valor principal. E, também, é o que a pessoa que Deus colocou como cabeça do mundo moral, como o seu principal governante, ou seja, Jesus Cristo, busca como o seu fim maior. Foi mostrado, ainda, que é o fim maior dessa parte do mundo moral onde os agentes bons são criados ou têm sua existência como tal.

Devo observar agora que esse é o fim para o qual foram estabelecidas a adoração pública e as ordenações de Deus à humanidade.

Ageu 1.8: "Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o SENHOR". A glória de Deus é referida como o fim para o qual Deus fez e cumpriu suas promessas de recompensa. 2 Coríntios 1.20: "Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus".

É referida também como o fim da execução das ameaças de Deus de castigar o pecado. Números 14.20,21,22,23. "Segundo a tua palavra, eu lhe perdoei. Porém, tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do SENHOR". A glória do Senhor é citada claramente nessa passagem como o objeto de sua deferência, como o seu fim transcendente e último, no qual, portanto, não poderia falhar; devendo, antes, ser cumprido em todo lugar, em todos os casos e em todas as partes do seu domínio, a despeito do que sucedesse aos homens. E, em qualquer mitigação dos julgamentos merecidos, em qualquer mudança feita no curso da ação divina em decorrência de sua compaixão pelos pecadores, o fim visado sempre foi a glória de Deus que, no seu caráter supremo e último, não deve em momento algum dar lugar a qualquer coisa.

E dito que esse é o fim visado por Deus ao executar os julgamentos sobre seus inimigos neste mundo. Êxodo 14.17,18: "serei glorificado (w 'ikabedah) em Faraó e em todo o seu exército", etc; Ezequiel 28.22: "Assim diz o SENHOR Deus: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar". E também Ezequiel 39.13: "Sim, todo o povo da terra os sepultará; ser-lhes-á memorável o dia em que eu for glorificado, diz o SENHOR Deus".

É dito também que esse é o fim tanto das execuções da ira quanto dos exercícios gloriosos de misericórdia, na infelicidade e na felicidade em outro mundo. Romanos 9.22,23: "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". E é dito que esse é o fim visado no dia do julgamento, o momento determinado para os maiores exercícios da autoridade de Deus como Governante moral do mundo e, por assim dizer, o dia da consumação do governo moral de Deus, em relação a todos os seus súditos no céu, na terra e no inferno. 2 Tessalonicenses 1.9,10: "Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia". Então, a sua glória será obtida de santos e pecadores. Tomando essas coisas por base, fica claro, de acordo com a quarta proposição, que a glória de Deus é o fim supremo da criação do mundo.


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Doutrina Compreendida e Glória Experimentada


"Jonathan Edwards, uma mente apaixonada por Deus". A mente corresponde ao entendimento da verdade dos atributos perfeitos de Deus. A paixão corresponde ao prazer na excelência e na beleza desses atributos. Deus é glorificado tanto ao ser compreendido quanto ao ser desfrutado. Ele não é tão glorificado pelos evangélicos que separam o prazer da compreensão. E não é tão glorificado pelos evangélicos de outro tipo, que separam a compreensão do prazer. Há verdades que devem ser entendidas corretamente e há beleza que deve ser desfrutada corretamente. Há doutrinas a serem compreendidas e há glória a ser experimentada.

O que está em jogo: perder Deus

O que está em jogo no esvaziamento doutrinário do evangelicalismo é a possibilidade de perder Deus. E, com ele, perder a verdade e a beleza. E, com a verdade e a beleza, perder a capacidade de, verdadeiramente, ver e experimentar Deus. Em breve, pode acontecer de despertarmos e descobrirmos que os sucessos são vazios e, pior ainda, que perdemos a nossa razão de ser: a capacidade de conhecer e amar a glória de Deus. E, se perdemos o verdadeiro conhecimento de Deus e o verdadeiro amor a Deus - o ato de ver e sentir Deus -, perdemos também a nossa capacidade de refletir a sua verdade e a sua beleza para o mundo. E o mundo perde Deus. E isso o que, em última análise, está em jogo.

Passo agora ao relato de minha experiência com Edwards e da peregrinação dos últimos trinta anos de amizade com ele. Meu desejo, com isso, é estimular o seu apetite para as obras de Edwards - especialmente a que se encontra na Parte Dois deste livro - e complementar o relato da vida de Edwards no Capítulo Dois apresentando a essência dos seus principais escritos. Estou convicto de que, se puder "infectá-lo" com Edwards, você terá uma vacina poderosa contra o mal do esvaziamento que assola a nossa era.

Cavando um poço profundo

Quando eu estava no seminário, um professor muito sábio me disse que, além da Bíblia, eu deveria escolher um grande teólogo e me dedicar ao longo de toda vida a compreender e dominar as suas idéias, a cavar pelo menos um poço profundo na realidade, em vez de sempre chapinhar na superfície das coisas. Com o tempo, talvez eu me tornasse um igual dessa pessoa e conheceria pelo menos um sistema por meio do qual poderia incluir outras idéias nesse diálogo prolífico. Esse foi um ótimo conselho.

O teólogo ao qual me dediquei mais do que a qualquer outro foi Jonathan Edwards. A única coisa que eu sabia sobre Edwards quando cheguei ao seminário era que ele havia pregado um sermão chamado "Pecadores nas mãos de um Deus irado", no qual havia dito alguma coisa sobre estar dependurado por um fio tênue sobre o inferno. Trata-se de algo típico da caricatura de Edwards retratada na literatura e nas aulas de Literatura e de História. Identificar Jonathan Edwards com "Pecadores nas mãos de um Deus irado" é como identificar Jesus com os ais contra Corazim e Betsaida. Esse sermão é apenas uma fração do todo e, de modo algum, a sua maior realização.

Eu não conhecia análises como a de Samuel Davies (em 1759), segundo o qual Edwards "foi o pensador mais profundo e o maior teólogo ... que a América do Norte gerou até hoje", ou de Ashbel Green (em 1822), de que ele "foi... um dos homens mais humildes e consagrados que o mundo já viu desde a era apostólica", ou de Thomas Chalmers, de acordo com o qual "nunca houve uma combinação mais feliz de grande poder com grande piedade", ou, ainda, de Benjamin Warfield, de que "Jonathan Edwards, santo e metafísico, pregador do reavivamento e teólogo, se destaca como figura de verdadeira grandeza na América colonial".'' Agora, sei disso por experiência própria e não preciso mais de testemunhas. Porém, eu me tornei uma testemunha para outros, e é sobre isso que quero falar agora.

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Por Que Deus Criou? - Jonathan Edwards


- Deus estava perfeitamente satisfeito em si mesmo, mas sentiu alegria em criar -

Se Deus visou a algum fim último na criação do mundo, também visou, de algum modo, a um propósito futuro e destinado a ser cumprido pela criação do mundo, algo agradável à sua inclinação ou vontade, quer a sua própria glória, quer a felicidade de suas criaturas ou outra coisa. Se existe algo que Deus busque porque isso lhe é grato [isto é, agradável], ele se satisfaz na realização de tal coisa. Se o fim último visado por ele na criação do mundo é, de fato, algo que lhe é grato [isto é, agradável] (como sem dúvida é o caso, se consiste no seu fim e no objeto de sua vontade), também é aquilo em que ele verdadeiramente se deleita e em que tem prazer. Porém, de acordo com o argumento da objeção, como é possível Deus ter algo futuro a desejar ou buscar, se ele se encontra perfeita, eterna e imutavelmente satisfeito em si mesmo? O que ainda resta para ele se deleitar ou encontrar satisfação ainda maior, tendo em vista que o seu deleite eterno e imutável se encontra nele e ele é o objeto completo do seu prazer? O opositor se verá, desse modo, pressionado por sua objeção; que aceite, então, qualquer conceito que lhe aprouver acerca do fim de Deus na criação. Creio, porém, que não lhe resta outro modo de responder senão aquele apresentado neste livro.

Assim, talvez caiba aqui uma observação. Qualquer que seja o fim último de Deus, esse fim deve ser algo em que ele tem prazer real e perfeito. Qualquer que seja o objeto verdadeiro da vontade divina, Deus se satisfaz [nele]. E esse objeto é grato [isto é, agradável] a Deus em si mesmo ou para algo que Deus deseja usá-lo, um fim ulterior igualmente agradável. Porém, qualquer que seja o fim último de Deus, é algo que ele deseja em si mesmo, algo que lhe é grato [isto é, agradável] de per si ou em que ele tem certo grau de prazer verdadeiro e perfeito. De outro modo, devemos negar que Deus possua qualquer coisa semelhante à vontade em relação àquilo que ele realiza no tempo e, portanto, também devemos negar que a obra da criação ou qualquer obra da sua providência são atos verdadeiramente voluntários.

No entanto, temos motivos para supor que as obras de Deus na criação e no governo do mundo são, inequivocamente, frutos da sua vontade e do seu entendimento. E, se há algo em Deus correspondente àquilo a que nos referimos como atos de vontade, ele não permanece indiferente ao cumprimento ou descumprimento da sua vontade. E, se Deus tem prazer real em ver a realização de um fim objetivado por ele, essa realização diz respeito, então, à sua felicidade, àquilo de que consiste, em maior ou menor grau, o deleite ou prazer de Deus. Supor que Deus tem prazer nas coisas que realiza no tempo apenas no nível metafórico e figurativo é o mesmo que supor que ele exerce a sua vontade sobre essas coisas e faz delas o seu fim apenas metaforicamente.
  
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O Objetivo da Redenção - Jonathan Edwards


As Escrituras mostram inequivocamente que a glória de Deus é o fim último dessa grande obra da providência, a redenção realizada por Jesus Cristo.

Essa verdade fica evidente ao tomarmos por base o que acabamos de observar: que a redenção é o fim buscado acima de qualquer outro por Jesus Cristo, o Redentor. E, se considerarmos ainda os textos mencionados para comprovar esse fato, ficará extremamente claro que foi o que Cristo buscou como o seu fim último na grande obra que veio realizar no mundo, ou seja, obter a redenção para o seu povo. Sem dúvida, Cristo professa, em João 7.18, que não buscou sua glória, mas sim a glória daquele que o enviou ["Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça"]. Com isso, ele se refere ao trabalho do seu ministério e à obra que realizou e que veio ao mundo para levar a cabo, a obra de redenção. E, a respeito do texto de João 12.27,28 ["Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei"], foi observado anteriormente que, diante da dificuldade extrema da sua obra, Cristo se consolou com a perspectiva mais transcendente, suprema e excelente dessa obra, aquilo a que ele mais dedicou o seu coração e em que mais se deleitou.

E na resposta que o Pai lhe deu do céu nessa ocasião, encontrada na última parte do mesmo versículo - João 12.28: "Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei" -, o significado claro é que Deus glorificara o seu nome no que Cristo fizera, na obra da qual ele fora incumbido, e que o glorificaria novamente e, em grau mais elevado, no que ainda estava para fazer e no sucesso decorrente. Cristo mostrou que foi assim que entendeu a resposta do Pai com o que disse depois, quando o povo ouviu a voz e se admirou com ela; alguns diziam que era como um trovão e outros, que um anjo lhe falara. Cristo disse: "Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa" (v. 30). E prosseguiu (exultando na perspectiva de tal sucesso e fim glorioso): "Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo" (vs. 31,32). Para ele, a sua glória se encontra no sucesso dessa mesma obra de redenção, conforme foi observado anteriormente. João 12.23,24: "É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto".

Assim, não há dúvida de que, quando ele busca a própria glória e a glória do Pai nessa oração em João 17, ele o faz como o fim da grande obra que veio realizar no mundo. O que se segue ao longo de toda a oração deixa esse fato evidente, especialmente nos versículos 4 e 5: "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo". Por certo, a declaração ao Pai de que ele o glorificara na terra e consumara a obra que lhe fora confiada significa que ele terminara a obra que Deus lhe confiara para esse fim, para que ele fosse glorificado. Cristo concluíra o alicerce para a sua glória que viera lançar no mundo. Ele lançara um alicerce para que o seu Pai fizesse a sua vontade e realizasse o seu principal desígnio, ficando manifesto, portanto, que a glória de Deus era o seu intento maior ou o seu fim supremo nessa obra magnífica.

Fica igualmente claro, com base em João 13.31,32, que, quando Judas saiu para consumar a traição, o objeto da exultação de Cristo diante dos seus sofrimentos iminentes foi a glória do Pai e a glória dele próprio, constituindo o fim para o qual o seu coração estava voltado acima de tudo e no qual se deleitava de modo supremo: "Quando ele saiu, disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorifica-lo-á imediatamente".

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Quando Deus é Glorificado - Jonathan Edwards


O fato de o fim supremo da bondade ou justiça moral ser cumprido quando Deus é glorificado encontra-se pressuposto na objeção que o apóstolo faz ou que imagina que alguns farão. Romanos 3.7: "E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?", ou seja, uma vez que o grande fim da justiça é cumprido pelo meu pecado, quando Deus é glorificado, por que o meu pecado é condenado e castigado? E por que a minha perversidade não é considerada virtude?

As Escrituras também falam da glória de Deus como aquilo que constitui o valor e o fim de determinadas graças, como é o caso da fé (Romanos 4.20: "Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus"). Filipenses 2.11: "E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai"); do arrependimento (Josué 7.19: "Dá glória ao SENHOR, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não mo ocultes"); da caridade (2 Coríntios 8.19: "no desempenho desta graça ministrada por nós, para a glória do próprio Senhor e para mostrar a nossa boa vontade"); das ações de graça e louvor (Lucas 17.18: "Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?"; Salmo 50.23: "O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus"). No tocante à última passagem, pode-se observar que Deus parece estar se referindo desse modo às atividades religiosas de seu povo, indicando que o fim da religião como um todo é glorificar a Deus. O povo supunha estar fazendo isso da melhor maneira possível ao oferecer um grande número de sacrifícios, mas Deus corrige esse erro e informa a ele que o fim maravilhoso da religião não é cumprido desse modo, mas sim na oferta dos sacrifícios mais espirituais do louvor e da santa conversão [estilo de vida].

Por fim, convém observar em particular as palavras do apóstolo em 1 Coríntios 6.19,20: "Acaso não sabeis... que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorifícai a Deus no vosso corpo". Aqui, a glorificação de Deus não é apenas aquilo que compreende, em síntese, o fim da religião e o de Cristo ao nos redimir; o apóstolo também ressalta que, tendo em vista não sermos de nós mesmos, não devemos agir como se o fôssemos, mas sim como sendo de Deus; e não devemos usar os membros do nosso corpo ou as faculdades da nossa alma para nós mesmos, mas sim para Deus, fazendo dele o nosso fim. Expressa, ainda, a maneira como devemos fazer de Deus o nosso fim, ou seja, fazendo da sua glória o nosso fim. "Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo."

Não se pode supor, com isso, que, embora os cristãos sejam ordenados a fazer da glória de Deus o seu fim, este pode ser subordinado, subserviente à própria felicidade, pois, desse modo, ao agir antes e acima de tudo visando ao benefício próprio, usariam seu corpo, alma e espírito como se pertencessem a eles mesmos, e não como sendo de Deus, o que é diametralmente oposto ao objetivo da exortação do apóstolo e dos argumentos que ele apresenta, segundo os quais devemos nos entregar a Deus, usar a nós mesmos como sendo dele, e não de nós mesmos, e agir visando ao benefício dele, e não ao nosso. Assim, fica evidente, de acordo com a nona proposição, que a glória de Deus é o fim último para o qual ele criou o mundo.

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Jonathan Edwards - Grande fé diante do fím da vida

- Sepultura de Jonathan Edwards - 



Em 13 de fevereiro de 1758, um mês depois de assumir a presidência de Princeton, Edwards foi vacinado contra varíola. A vacina teve o efeito oposto ao desejado. As pústulas em sua garganta inflamada se tornaram tão grandes que ele não pôde mais ingerir os líquidos necessários para combater a febre. Quando teve certeza de que estava morrendo, chamou sua filha Lucy - a única pessoa de sua família que se encontrava em Princeton - e lhe transmitiu suas últimas palavras. Não houve qualquer queixa sobre ser levado no auge de sua vida, sem que tivesse realizado seus grandes sonhos de escrever; antes, confiante na soberania bondosa de Deus, proferiu palavras de consolo para a sua família:

Querida Lucy, parece-me que é a vontade de Deus que eu a deixe em breve; assim, transmita meu mais sincero amor à minha esposa e diga-lhe que nossa união excepcional, a qual perdurou de tal modo entre nós, foi de uma natureza que considero espiritual e que, portanto, continuará para sempre; espero, ainda, que ela seja amparada durante tamanha provação e se sujeite com bom ânimo à vontade de Deus. Aos meus filhos, que ficarão sem pai, que esta seja a oportunidade de buscar um Pai que nunca faltará.

Ele morreu no dia 22 de março. Coube ao seu médico escrever a carta difícil para a esposa de Edwards, que ainda se encontrava em Stockbridge. Sarah caiu doente quando a carta chegou, mas o Deus que unha a vida dela nas mãos era o Deus sobre o qual Jonathan Edwards havia pregado. Assim, em 3 de abril ela escreveu à sua filha Esther:

O que devo dizer? Um Deus santo e bom nos cobriu com uma nuvem escura. Que possamos ter forças para aceitar sua vara e nos calar! É obra do Senhor, que me levou a adorar sua bondade por conceder tanto tempo com Jonathan. Mas o meu Deus vive; e meu coração pertence a ele. Que legado meu marido, seu pai, nos deixou! Pertencemos todos a Deus: é assim que sou e amo ser.

Com carinho, de sua mãe Sarah Edwards

A busca pela visão espiritual

Assim terminou a vida aqui na terra daquele cuja paixão pela supremacia de Deus talvez seja incomparável na história na igreja. Ele a buscava sempre com veemência, pois sabia o que estava em jogo e sabia que não seria um mero conhecimento racional ou especulativo de Deus que salvaria a sua alma ou abençoaria a igreja. Toda a sua energia foi canalizada para cumprir o verdadeiro propósito de todas as coisas, ou seja, a manifestação da glória de Deus numa visão espiritual e o prazer nessa glória.

A verdadeira percepção da glória de Deus não pode, jamais, ser obtida por meio do [raciocínio] especulativo e, se os homens se convencerem por argumentos de que Deus é santo, essa convicção em momento algum os levará a compreender sua santidade amável [isto é, agradável, admirável] e gloriosa. Se argumentarem que ele é extremamente misericordioso, isso não os levará a compreender sua graça e sua misericórdia gloriosas. É preciso ocorrer uma descoberta mais imediata e consciente, a qual deve dar à mente uma percepção verdadeira da excelência e da beleza de Deus.

Em outras palavras, de nada adianta crer que Deus é santo e misericordioso. A fim de que essa convicção tenha algum valor salvífico, devemos "experimentar" a santidade e a misericórdia de Deus. Ou seja, devemos ter um gosto por elas e sentir prazer naquilo que elas são, por si mesmas. De outro modo, esse conhecimento não é diferente daquele que os demônios possuem.


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Exoneração e Sermão de Despedida


A exoneração inglória

Do mesmo modo que Edwards não planejou o último capítulo da sua vida, no qual ele seria um missionário entre os índios e escreveria seus quatro livros mais expressivos. Tudo aconteceu de um modo que ele jamais teria planejado ou desejado.

Em 1750, Edwards foi exonerado vergonhosamente do seu pastorado depois de 23 anos de ministério. Esse episódio é mais emaranhado e doloroso do que se pode imaginar, mas, ainda assim, podemos apontar algumas causas. Em 1744, alguns jovens da congregação de Edwards estavam passando de mão em mão certos "livros licenciosos" e usando linguajar obsceno. Edwards ficou sabendo desse fato e, com a aprovação da igreja, convocou uma assembléia. Então, num ato de aparente imprudência, leu em público uma lista com os nomes dos jovens que deveriam comparecer a sua casa, sem fazer distinção nessa lista entre os acusados e as testemunhas. A resistência que surgiu na congregação foi tanta que, de acordo com Sereno Dwight, "teve-se a forte impressão de que ele não era mais útil em Northampton e, sem dúvida, foram lançados nessa ocasião os alicerces para a sua demissão".

No entanto, o conflito decisivo aconteceu na primavera de 1749. Soube-se que Edwards havia rejeitado a idéia do pastor anterior acerca de quem poderia participar da Ceia do Senhor. Solomon Stoddard havia considerado a Ceia do Senhor um sacramento conversor, permitindo que as pessoas participassem na esperança de que fossem salvas por meio dela. Em agosto, Edwards escreveu um tratado minucioso para provar que "ninguém deve ser aceito na comunhão e nos privilégios dos membros da igreja visível de Cristo em perfeita reputação, a não ser aquelas que, pela sua profissão de fé e aos olhos do julgamento cristão da igreja, são pessoas piedosas e bondosas". Mal o tratado foi lido, houve um clamor geral para que Edwards fosse demitido.

O sermão de despedida

Passado quase um ano de controvérsias desgastantes, a decisão de exonerar Edwards foi lida à congregação em 22 de junho de 1750. Nove dias depois, em 10 de julho, Edwards pregou o seu famoso Sermão de Despedida, impresso na edição de suas Works [Obras]. Como todas as suas mensagens, essa também foi absolutamente séria e sem qualquer rancor pessoal, sendo concluída com palavras de anseio amável pelo bem do seu povo:

Deixo-vos agora e me despeço de vós, desejando e orando por vossa mais excelente prosperidade. Entrego, agora, vossas almas mortais a ele, que, no passado, as confiou a mim, à espera do dia em que deveria me encontrar novamente convosco diante dele, que é o Juiz dos vivos e mortos. Desejo não ser esquecido por este povo que esteve por tanto tempo sob meus cuidados e almejo não cessar jamais de orar fervorosamente por vossa prosperidade. Que Deus vos abençoe com um pastor fiel, instruído em sua mente e volição, que advirta fielmente os pecadores e que busque com sabedoria e perícia mestres para vos ensinar e conduzir-vos pelo caminho da bem-aventurança eterna. Que possais ter neste castiçal uma luz verdadeiramente fulgurante e que possais, não apenas por um breve tempo, mas durante toda a vida dele, e que esta seja longa, vos mostrar desejosos de se regozijar nessa luz.

E que eu seja lembrado nas orações de todos do povo de Deus, que são de espírito sereno, pacíficos e fiéis em Israel, quaisquer que sejam suas opiniões acerca do sacramento da Ceia na igreja. E que todos nós possamos nos lembrar e jamais nos esquecer do nosso encontro solene naquele grande dia do Senhor, o dia da decisão infalível e da sentença eterna e inalterável. Amém.

Edwards estava, na época, com 46 anos de idade. Tinha nove filhos para sustentar, tendo o mais novo, Pierrepont, nascido três meses antes de sua exoneração. Jerusha morrera em 1747 e Sarah, a filha mais velha, havia se casado com Elihu Parsons em 11 de junho, apenas onze dias antes de Edwards ser demitido. Podemos sentir uma parte da crise nas palavras do próprio Edwards, numa carta escrita uma semana depois de sua demissão:

Estou, agora, separado do povo com o qual me encontrava inteiramente unido. A providência de Deus a respeito disso é admirável. Temos, neste acontecimento, um exemplo impressionante da instabilidade e incerteza das coisas aqui na terra. Por certo, minha dispensa é terrível em vários aspectos, convidando-me e à minha congregação a uma reflexão séria e a uma profunda humilhação. O inimigo, próximo ou distante, triunfará por ora; mas Deus pode prevalecer sobre tudo isso para a sua glória. Não tenho coisa alguma visível da qual depender para meu benefício futuro, nem fonte alguma de subsistência para a minha família numerosa. Mas espero que tenhamos um Deus da aliança, absolutamente suficiente e fiel, do qual possamos depender. Desejo me sujeitar sempre a ele, andar diante dele em humildade e depositar nele toda minha confiança. Desejo, caro senhor, suas orações por isso, tendo em vista nossas atuais circunstâncias.

 Por: John Piper
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Deus tem um espírito Egoísta? Jonathan Edwards


Deus não vai além de si mesmo na sua busca

A doutrina que faz das criaturas de Deus, e não do próprio Deus, o seu fim último é a mais discorde e mais distante de um aspecto favorável sobre a auto-suficiência e independência absolutas de Deus. Portanto, ela concorda muito menos do que a doutrina contra a qual é feita a objeção. Devemos imaginar o eficiente como dependente do fim supremo. Ele depende desse fim em seus desejos, objetivos, ações e obras, de modo que fracassa em seus desejos, ações e obras se não consegue atingir o seu fim. Porém, se o próprio Deus é o seu fim último, em sua dependência desse fim, não depende de outra coisa senão dele mesmo. Se todas as coisas são dele e para ele e se ele é o primeiro e o último, fica evidente que ele é tudo em todas as coisas. Ele é tudo em si mesmo. Ele não vai além de si mesmo naquilo que busca; antes, os seus desejos e obras têm origem nele próprio e, do mesmo modo, terminam nele próprio, e ele não depende de ninguém a não ser de si mesmo, quer no início, quer no fim de qualquer dos seus exercícios ou operações. Porém, se a criatura fosse o seu fim supremo, e não ele próprio, então, uma vez que ele dependeria do seu fim supremo, seria, de algum modo, dependente de sua criatura.

Tudo o que Deus faz é decorrente de um espírito egoísta?

Há quem possa considerar a suposição segundo a qual Deus faz de si mesmo o seu fim transcendente e último desonrosa, uma vez que, na verdade, presume que todos os atos de Deus são decorrentes de um espírito egoísta. Na criatura, o egoísmo é considerado perverso e sórdido; algo indecoroso e até mesmo detestável num verme do pó como o homem. Devemos olhar para o homem como uma criatura de caráter abjeto e desprezível que, em todos os seus atos, é governado por princípios egoístas e que faz do interesse próprio o objetivo que o orienta em toda a sua conduta na vida. É necessário, portanto, que nos afastemos de qualquer atribuição de tal egoísmo ao Ser Supremo, o santo e único Potentado! Acaso não nos convém atribuir a ele as mais nobres e generosas disposições e qualidades, aquelas mais distantes de todas as coisas individuais, tacanhas e sórdidas?

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O Deleite de Deus em Transbordar - Jonathan Edwards


- O deleite de Deus em transbordar é um deleite em si mesmo como aquele que transborda -

Essa propensão de Deus para se difundir pode ser considerada uma propensão nele em forma difusa ou na glória presente na sua emanação. Uma reverência para consigo mesmo ou uma satisfação infinita e um deleite na sua glória causam nele uma inclinação para difundir o seu ser abundantemente e se deleitar nessa emanação. Assim, a natureza de uma árvore, pela qual esta faz nascer botões de flores, brotos e ramos e produzir folhas e frutos, é uma disposição que se encerra na sua existência completa. Do mesmo modo, a disposição do Sol de brilhar ou espalhar profusamente sua plenitude, seu calor e seu brilho é apenas uma inclinação para o seu estado glorioso e pleno. Portanto, Deus considera a comunicação de si mesmo e a emanação de sua glória pertencentes à sua própria abundância e plenitude, como se, sem elas, ele não se encontrasse no estado mais glorioso.

Assim, a igreja de Cristo (para a qual e na qual ocorre a emanação da glória de Deus e a comunicação de sua plenitude) é chamada de plenitude de Cristo, como se ele não se encontrasse no seu estado completo sem ela, tal qual Adão sem Eva. E a igreja é chamada de glória de Cristo, do mesmo modo que a mulher é a glória do homem, 1 Coríntios 11.7, Isaías 46.13: -"Estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a MINHA GLÓRIA".

Pode-se imaginar que, depois de haver intentato a existência das criaturas, Deus foi movido pela benevolência para com elas, no sentido mais estrito de seu relacionamento com elas. O exercício da sua bondade e a satisfação da sua benevolência para com as criaturas em particular pode ser a origem de todo o proceder de Deus no universo, constituindo, agora, a maneira determinada de satisfazer a sua inclinação geral para se difundir. Aqui, a operação de Deus visando o próprio benefício, ou o fato de ele fazer de si mesmo o seu fim último, e sua operação visando ao benefício das criaturas não devem ser tidas como opostas; antes, devem ser julgadas concordantes entre si e incluídas uma na outra. E, no entanto, Deus deve ser considerado o primeiro e o original no tocante à sua deferência por si mesmo; conseqüentemente e por implicação, a criatura é o objeto da deferência de Deus, uma vez que se encontra, por assim dizer, incluída em Deus.
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O objetivo de Deus na criação do mundo - J. Edwards


Ao conferir à criatura uma semelhança cada vez maior a Deus, este faz de si mesmo a causa primária e o fim supremo

Ainda resta considerarmos que o objetivo de Deus na criação do mundo, o fim último que tinha em vista, era a comunicação de si mesmo, intentada por ele por toda a eternidade [desde a criação e para sempre no futuro]. E, se observarmos com atenção a natureza e as circunstâncias dessa emanação eterna de bem divino, ficará mais claro DE QUE MODO, ao fazer desse o seu fim, Deus demonstra uma reverência suprema por si mesmo e faz de si mesmo o seu fim.

Diversos motivos nos permitem crer que o objetivo de Deus numa comunicação progressiva de si mesmo ao longo da eternidade é o conhecimento crescente de Deus, o amor por ele e a alegria nele. É importante considerar, ainda, que, quanto mais essas comunicações divinas se multiplicam na criatura, mais esta se une a Deus, pois, quanto mais ela é unida a Deus em amor, mais o seu coração é atraído para Deus, mais firme e íntima se torna a união com ele e, ao mesmo tempo, mais conforme a Deus a criatura se torna. A imagem é cada vez mais perfeita, de modo que o bem que se encontra na criatura se aproxima eternamente de uma identidade com o que há em Deus. Assim, na visão de Deus, que tem diante de si um vasto panorama de união e conformidade crescentes ao longo da eternidade, a proximidade, a conformidade e a unidade devem ser infinitamente íntimas e perfeitas, pois se aproximarão de modo crescente e eterno da exatidão e perfeição da união que existe entre o Pai e o Filho.45 Portanto, aos olhos de Deus, que vê perfeitamente a totalidade do processo no seu progresso e crescimento infinitos, trata-se de uma resposta clara ao pedido de Cristo em João 17.21,23. "Afim de que todos sejam UM; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós;... eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na UNIDADE".

Conforme esse conceito, as criaturas eleitas - que devem ser tidas como o fim de todo o restante da criação, consideradas com respeito à totalidade da sua duração eterna e, como tal, transformadas no fim pretendido por Deus - também devem ser vistas em união com Deus. Elas foram reverenciadas ao serem levadas para o lar divino, unidas com Deus, centradas nele com perfeição, como se absorvidas nele, de modo que a reverência de Deus por elas finalmente coincidiu e se tornou a mesma coisa que a sua reverência por si mesmo. O interesse da criatura é, por assim dizer, o próprio interesse de Deus, proporcional ao grau do seu relacionamento e união com Deus.

Assim, o interesse de um homem pela família é considerado a mesma coisa que o próprio interesse, em razão do relacionamento da família com ele, da honradez dele para com seus familiares e da união íntima destes com ele.46 Porém, as criaturas eleitas de Deus, no tocante à sua duração eterna, são infinitamente mais preciosas para Deus do que a família de um homem o é para ele. O que foi dito mostra que todas as coisas vêm de Deus, aquele que é sua causa primária e origem; assim, todas as coisas pendem para ele e, em seu progresso, se aproximam cada vez mais dele por toda a eternidade, comprovando que ele é a causa primária e o fim supremo.

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O Cristão e a Cultura - Jonathan Edwards


- A mediocridade de se preocupar apenas com a cultura -

Essa citação, tirada de um sermão sobre 1 Coríntios 13 nos dá uma idéia da abrangência cultural da preocupação de Edwards com o mundo. No entanto, nem mesmo essas palavras chegam perto da abrangência na qual ele acreditava de fato. Edwards estava ciente de algo que muitos ativistas sociais e analistas culturais norte-americanos - evangélicos e outros -parecem não perceber ou não se importar, ou seja, as culturas, as sociedades e os povos que não têm qualquer presença cristã no seu meio não podem sequer começar a experimentar uma transformação social ou cultural que exalte a Cristo. Em outras palavras, Edwards tinha um compromisso sério com a evangelização mundial e se preocupava tanto (ou mais) com a propagação do reino a povos que ainda não haviam sido alcançados quanto coma moralidade de Northampton, Massachusetts. Ele escreveu ao evangelista George Whitefield em 1740:

Que Deus envie mais Trabalhadores de Espírito semelhante para a sua seara, até que o reino de Satanás seja abalado e seu império arrogante seja eliminado de toda a Terra, e o Reino de Cristo, o reino glorioso de luz, santidade, paz e amor, seja estabelecido de um extremo a outro da Terra!

Em outras palavras, se alguém perguntasse a Edwards qual seria a questão mais premente e crucial a respeito da transformação cultural do mundo, acredito que ele responderia: "A questão mais premente a respeito da transformação cultural é a penetração cultural. Se o evangelho teocêntrico e glorioso de Deus não penetrar um povo e der origem a igrejas que adorem, se preocupem e evangelizem, não haverá esperança alguma de transformação".

Creio que Edwards teria considerado espantoso o modo como muitos norte-americanos dizem se preocupar com a justiça social e com questões culturais, mas não parecem ter o menor interesse pelas centenas de pessoas em cujo meio não há ninguém procurando implantar uma igreja. Dois mil anos se passaram desde que o Senhor do universo designou a Grande Comissão à sua igreja; e, no entanto, existem casos em que não há uma única igreja, ou grupo de discípulos, ou missionário solitário no meio de centenas ou mesmo milhares de pessoas, dependendo de como os definimos - sem falar em outros milhares de pessoas cuja presença e testemunho cristãos são praticamente indiscerníveis no seu meio. Para essas pessoas, não há sequer como começar a crer em Cristo a fim de receber poder, sabedoria e amor para transformar as trevas culturais em luz.

John Piper
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