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O exercício da vontade - Jonathan Edwards


A prática religiosa foi comparada à realização de exercícios. Por meio dela, lutamos para ter o coração envolvido em Deus. Metáforas como "correndo a carreira", "lutando com Deus", "perseverando para alcançar o alvo" e "combatendo violentos inimigos" são muitas vezes usadas para descrever os exercícios que praticamos.

Entretanto, a verdadeira graça possui vários graus. Alguns são novos na fé — "crianças em Cristo" —, e a inclinação deles para se envolver nesses exercícios é fraca. Contudo, cada um de nós que possua o poder de devoção no coração estará inclinado a buscar as coisas de Deus. Seja qual for nossa condição, esse poder nos dará forças suficientes para superar nossas fracas inclinações de modo que esses santos exercícios prevaleçam sobre nossas fraquezas.

Todo verdadeiro discípulo de Cristo o ama mais que a pai e mãe, irmã e irmão, esposa, marido e filhos, casa e terras — sim, até mesmo mais que a própria vida. Disso se conclui que onde quer que a verdadeira religião se manifeste há uma vontade movendo o cristão aos exercícios espirituais, mas o que dissemos anteriormente precisa ser lembrado: o exercício da vontade não é nada mais que o sentimento da alma.
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Sentimento sagrado - Jonathan Edwards


Se não formos sinceros em nossa vida religiosa e se nossos desejos e nossas inclinações não forem exercitados com vigor, não somos nada. A prática religiosa é tão importante que nenhum exercício feito com indiferença será suficiente. Em nenhuma outra circunstância o estado de nosso coração é tão fundamental quanto na prática religiosa, e em nenhum outro lugar a indiferença do coração é tão detestável.

A verdadeira religião é eficaz. Sua eficácia é atestada, primeiramente, por meio dos exercícios interiores do coração (o qual é a base da religião). Portanto, a verdadeira religião é chamada "o poder da devoção", em comparação com as aparências exteriores, isto é, a mera "forma", "tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder" (2Timóteo 3.5). O Espírito de Deus manifesta um forte e sagrado sentimento na vida dos que têm uma religião sólida e sadia, por isso está escrito que Deus deu ao seu povo espírito de poder, amor e moderação (2Timóteo 1.7).

Quando recebemos o Espírito de Deus, recebemos o batismo do Espírito Santo, que é como "fogo", e com ele a influência santificadora e salvadora de Deus. Quando isso acontece, quando a graça está operando em nós, às vezes o fogo "arde" dentro de nós, como aconteceu com os discípulos de Jesus (Lucas 24.32).
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O alicerce da Criação - Jonathan Edwards


A disposição geral de transbordar em sua plenitude precede e alicerça a existência das criaturas

Tomando como base apenas essa disposição de causar uma emanação de sua glória e plenitude - que são anteriores à existência de qualquer ser e devem ser consideradas os motivos que o impeliram a dar existência a outros seres -, não se pode dizer propriamente que Deus fez da criatura o seu fim, do mesmo modo que fez de si mesmo. Porquanto, nesse momento, a criatura ainda não é considerada existente. Essa disposição ou desejo de Deus deve ser anterior à existência da criatura, deve estar presente de antemão, pois é a base original da existência futura, projetada e antevista da criatura.

A benevolência de Deus, no tocante à criatura, pode ser considerada num sentido mais amplo ou em outro mais restrito. Num sentido mais amplo, é possível que se refira simplesmente à boa disposição de sua natureza de comunicar sua plenitude em geral, [como] seu conhecimento, sua santidade e felicidade e fazer as criaturas existirem a fim de receberem tal comunicação. Pode-se chamar isso de benevolência ou amor, pois é a mesma disposição favorável exercitada no amor. É a fonte da qual o amor, no seu sentido mais exato, se origina e tem a mesma inclinação geral e o mesmo resultado no bem-estar da criatura. No entanto, não pode apresentar qualquer existência criada presente ou futura particular para o seu objeto, pois é anterior a qualquer objeto e a própria fonte da futurição [isto é, do vir a ser] de sua existência. Na verdade, também não é diferente do amor de Deus por si mesmo, como ficará mais claro adiante.

O amor de Deus pode, ainda, ser considerado num sentido mais estrito do que a disposição geral de comunicar o bem, voltando-se, nesse caso, para determinados objetos. No sentido mais estrito e correto, o amor pressupõe a existência de um objeto amado, pelo menos como conceito e expectativa, representado na mente com referência ao futuro. Deus não amou os anjos no sentido mais estrito, mas em decorrência de sua intenção de criá-los e, portanto, em função do conceito de anjos que viriam a existir. Logo, o seu amor por eles não foi exatamente o que estimulou nele a intenção de criá-los. O amor ou a benevolência, considerado em termos mais estritos, pressupõe um objeto existente, do mesmo modo que a compaixão [pressupõe] um objeto miserável e sofredor.


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Reverência Infinita - Jonathan Edwards


A retidão moral de Deus consiste em ele estimar o que é  mais precioso, ou seja, ele próprio -

Se o próprio Deus é, em qualquer sentido, devidamente passível de ser o seu fim na criação do mundo, é razoável supor que ele considera a reverência a si mesmo como o fim último e transcendente de suas obras, pois ele é digno em si mesmo de ser esse fim, uma vez que é infinitamente o maior e melhor de todos os seres. Todo o restante, no tocante a dignidade, importância e excelência, não é absolutamente nada em comparação a ele. E, portanto, se Deus demonstra a sua reverência pelas coisas segundo a sua natureza e suas proporções, deve ter a maior reverência possível por si mesmo. Seria contrário à perfeição de sua natureza, à sua sabedoria, à sua santidade e retidão perfeitas, segundo as quais ele é inclinado a fazer tudo o que é mais correto, supor algo diferente.

Uma parte considerável da retidão moral de Deus, pela qual ele é inclinado a tudo o que é correto, adequado e amável [isto é, agradável, admirável] em si mesmo, consiste em ele ter a mais elevada deferência por aquilo que é, em si mesmo, superior e melhor. A retidão de Deus deve consistir numa devida reverência por aquilo que é objeto de respeito moral, ou seja, pelos seres inteligentes capazes de atos e relacionamentos morais. E, portanto, deve consistir, acima de tudo, em reverenciar apropriadamente o Ser ao qual essa reverência é devida, pois Deus é infinitamente mais digno de ser reverenciado.

A dignidade de outros não é nada em comparação com a dignidade dele; a ele pertence toda reverência possível. A ele pertence toda a reverência de que qualquer ser inteligente é capaz. A ele pertence TODO O coração. Logo, se a retidão moral do coração consiste em reverenciar sinceramente aquilo que é devido, ou que assim o requer por força de seu merecimento e propriedade, esse merecimento requer que se preste deferência infinitamente maior a Deus, e a negação dessa deferência pode ser considerada uma conduta infinitamente imprópria. Segue-se, portanto, que a retidão moral da disposição, inclinação ou afeição de Deus consiste SOBRETUDO numa deferência POR SI MESMO infinitamente superior à sua deferência por todos os outros seres; em outras palavras, é nisso que consiste a sua santidade.
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Nosso Deleite em Deus - Jonathan Edwards


Se a glória de Deus é infinitamente digna, deleitar-se nela e  louvá-la é algo excelente

A nosso ver, trata-se de um fato inquestionável que seria possível haver alguma existência futura digna de ser desejada e buscada por Deus e merecedora de ser feita o seu fim, caso não houvesse qualquer existência futura preciosa e digna de ser concretizada. Se, quando o mundo ainda não existia, já havia alguma coisa futura possível, apropriada e preciosa em si mesma, creio que tal coisa era o conhecimento da glória de Deus e a estima e o amor por ela.

A vontade e o entendimento são os tipos mais elevados de existência criados e, a fim de serem preciosos, devem ser estimados em seu exercício. Porém, o tipo mais elevado e excelente de exercício dos mesmos encontra-se no conhecimento verdadeiro e no exercício da vontade. E, por certo, o conhecimento verdadeiro e a vontade mais excelentes que podem existir na criatura são o conhecimento de Deus e o amor por ele. O conhecimento verdadeiro de Deus mais excelente é o conhecimento da sua glória ou excelência moral, e o exercício mais excelente da vontade é a estima, o amor e o deleite na glória de Deus.

Se há alguma existência criada digna, em si mesma, de existir, ou se qualquer coisa futura é digna de vir a ser, é essa comunicação da plenitude divina, a emanação e a expressão da glória divina. Porém, se nunca houve coisa futura digna de existir, nada jamais foi digno de ser intentado por Deus na criação do mundo. E, se nada foi digno da intenção de Deus na criação, nada foi digno de ser o fim pretendido por Deus na criação.
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Deus é Egoísta? - Jonathan Edwards


O amor-próprio de Deus não pode ser egoisticamente restrito, pois a criação como um todo é uma expressão de Deus

Porém, a respeito do Ser Divino, não existe nele qualquer egoísmo restrito nem amor-próprio contrário à benevolência geral. Trata-se de algo impossível, pois Deus compreende toda a existência e excelência na sua essência.56 O Ser eterno e infinito é, com efeito, o ser em geral e abarca a existência universal. Na sua benevolência para com suas criaturas, Deus não pode expandir o coração para incluir seres que são originalmente externos, distintos e independentes dele. 

Essa impossibilidade é contrária a um Ser infinito, o único que existe desde a eternidade. Porém, na sua bondade, ele se expande de modo mais excelente e divino. Essa expansão é feita por meio da sua comunicação e da sua difusão e, portanto, em vez de encontrar objetos para a sua benevolência, ele os cria - não tomando objetos que encontra e que são distintos dele, compartilhando com eles, desse modo, o seu bem e se alegrando neles, mas sim fluindo e expressando-se para eles, fazendo-os participar dele e, então, regozijando-se no fato de ser expresso neles e comunicado a eles.

A beneficência de Deus é abnegada, pois não é constrangida por nenhum elemento exterior

Ao fazer o bem a outrem por amor-próprio, tiramos o mérito do desprendimento da benevolência, pois realizamos um ato em razão da dependência dos outros para receber o bem que precisamos ou desejamos. Assim, na nossa beneficência, não somos motivados voluntariamente, mas sim como que constrangidos por algo de fora de nós. No entanto, demonstramos de modo bastante específico que o fato de Deus fazer de si mesmo o seu fim não é argumento a favor de sua dependência; antes, é coerente com a sua absoluta independência e auto-suficiência.

Convém observar a existência de algo nessa disposição de comunicar bondade que mostra como Deus é independente e automotivado de modo peculiar e superior à beneficência das criaturas. Até mesmo as criaturas mais excelentes não são independentes nem automotivadas em sua bondade; antes, em todos os seus exercícios, são impelidas por algum objeto que encontram; algo que lhes parece bom ou, em algum sentido, digno de deferência surge e estimula sua bondade. Mas Deus sendo tudo e sendo único, é absolutamente automotivado. 

Os exercícios da sua disposição comunicadora são absolutamente originários dele mesmo; tudo o que é digno e bom no objeto e no seu ser é proveniente do transbordamento da plenitude divina.
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O Alfa e o Omega - Jonathan Edwards



Deus faz de si mesmo o fim supremo da criação.

Fica claro que as Escrituras indicam em todas as ocasiões que Deus fez de si mesmo o fim de todas as suas obras, como se o mesmo ser que é a causa primária fosse o fim último de todas as coisas. Lemos, portanto, em Isaías 44.6: "Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus". Isaías 48.12: "Eu sou o mesmo, sou o primeiro e também o último". Apocalipse 1.8: "Eu sou o Alfa e Omega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso". Apocalipse 1.17: "eu sou o primeiro e o último". Apocalipse 21.6: "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim". Apocalipse 22.13: "Eu sou o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim".

Uma vez que Deus é chamado com tanta freqüência de último e de fim, bem como de princípio e primeiro, fica implícito que ele é a causa primária e eficiente58 e a fonte da qual todas as coisas se originam; assim, ele é a causa última e terminante para a qual elas foram feitas; o ponto final para onde todas elas convergem. Esse parece o significado mais natural dessas expressões e é confirmado por outras passagens paralelas, como Romanos 11.36 ("Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas"). Colossenses 1.16 ("pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele"). Hebreus 2.10 ("Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem") e Provérbios 16.4 que diz claramente: "O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins".

Também se pode observar o modo pelo qual Deus é retratado como o último, para o qual e pelo qual todas as coisas existem. As Escrituras mostram claramente que essa maneira é oportuna [isto é, apropriada] e adequada, uma ramificação da sua glória; uma prerrogativa que convém a um Ser grande, infinito e eterno; algo próprio da dignidade daquele que está infinitamente acima de todos os outros seres, que é a origem de todas as coisas, do qual todas as coisas consistem e, em comparação com o qual todas as outras coisas são nada.
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Emanação da Glória Divina - Jonathan Edwards


A disposição geral de transbordar em sua plenitude precede e alicerça a existência das criaturas

Tomando como base apenas essa disposição de causar uma emanação de sua glória e plenitude - que são anteriores à existência de qualquer ser e devem ser consideradas os motivos que o impeliram a dar existência a outros seres -, não se pode dizer propriamente que Deus fez da criatura o seu fim, do mesmo modo que fez de si mesmo. Porquanto, nesse momento, a criatura ainda não é considerada existente. Essa disposição ou desejo de Deus deve ser anterior à existência da criatura, deve estar presente de antemão, pois é a base original da existência futura, projetada e antevista da criatura.

A benevolência de Deus, no tocante à criatura, pode ser considerada num sentido mais amplo ou em outro mais restrito. Num sentido mais amplo, é possível que se refira simplesmente à boa disposição de sua natureza de comunicar sua plenitude em geral, [como] seu conhecimento, sua santidade e felicidade e fazer as criaturas existirem a fim de receberem tal comunicação. Pode-se chamar isso de benevolência ou amor, pois é a mesma disposição favorável exercitada no amor. É a fonte da qual o amor, no seu sentido mais exato, se origina e tem a mesma inclinação geral e o mesmo resultado no bem-estar da criatura. No entanto, não pode apresentar qualquer existência criada presente ou futura particular para o seu objeto, pois é anterior a qualquer objeto e a própria fonte da futurição [isto é, do vir a ser] de sua existência. Na verdade, também não é diferente do amor de Deus por si mesmo, como ficará mais claro adiante.

O amor de Deus pode, ainda, ser considerado num sentido mais estrito do que a disposição geral de comunicar o bem, voltando-se, nesse caso, para determinados objetos. No sentido mais estrito e correto, o amor pressupõe a existência de um objeto amado, pelo menos como conceito e expectativa, representado na mente com referência ao futuro. Deus não amou os anjos no sentido mais estrito, mas em decorrência de sua intenção de criá-los e, portanto, em função do conceito de anjos que viriam a existir. Logo, o seu amor por eles não foi exatamente o que estimulou nele a intenção de criá-los. O amor ou a benevolência, considerado em termos mais estritos, pressupõe um objeto existente, do mesmo modo que a compaixão [pressupõe] um objeto miserável e sofredor.
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Santificação - Jonathan Edwards


[O fim supremo da bondade dos agentes morais é a glória de Deus]

As Escrituras se referem à glória de Deus como o seu fim supremo na bondade da parte moral da criação; e tal fim serve de parâmetro maior para o valor da sua virtude.

Como está escrito em Filipenses 1.10,11: "Para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus". Aqui, o apóstolo mostra como os frutos da justiça nesses agentes são valiosos, e como cumprem o seu fim, ou seja, ao serem, "mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus". João 15.8: "Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto", significando que esse é o meio pelo qual o grande fim da religião deve ser cumprido. E, em 1 Pedro 4.11,o apóstolo orienta os cristãos a usar esse fim como referência para todos os seus atos religiosos: "Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!".

E, ocasionalmente, a adoção e a prática da verdadeira religião, o arrependimento dos pecados e a busca pela santidade são expressos como glorificação de Deus, como se fossem a síntese e o final de toda a questão. Apocalipse 11.13: "e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu". Apocalipse 14.6,7: "Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Ihe glória", como se essa fosse a síntese e o fim da virtude e da religião, o grande objetivo ao se pregar o evangelho em toda parte ao redor do mundo. Apocalipse 16.9: "e nem se arrependeram para lhe darem glória". Isso equivale a dizer que não deixaram os seus pecados e se voltaram para a verdadeira religião a fim de que Deus pudesse receber aquilo que é o grande fim visado por ele na religião que requer dos homens (Veja, também, SI 22.21 -23; Is 66.19; 24.15; 25.3; Jr 13.15,16; Dn 5.23; Rm 15.5,6.).

Assim como o exercício da verdadeira religião e da virtude pelos cristãos é expresso em síntese ao glorificarem a Deus, também quando se fala da boa influência destes sobre outros, é usada a mesma forma de expressão. Mateus 5.16: "Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". 1 Pedro 2.12: "mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação".

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O Princípio e o Fim - Jonathan Edwards


Uma vez que Deus é chamado com tanta freqüência de último e de fim, bem como de princípio e primeiro, fica implícito que ele é a causa primária e eficiente58 e a fonte da qual todas as coisas se originam; assim, ele é a causa última e terminante para a qual elas foram feitas; o ponto final para onde todas elas convergem. Esse parece o significado mais natural dessas expressões e é confirmado por outras passagens paralelas, como Romanos 11.36 ("Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas"). Colossenses 1.16 ("pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele"). Hebreus 2.10 ("Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem") e Provérbios 16.4 que diz claramente: "O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins".

Também se pode observar o modo pelo qual Deus é retratado como o último, para o qual e pelo qual todas as coisas existem. As Escrituras mostram claramente que essa maneira é oportuna [isto é, apropriada] e adequada, uma ramificação da sua glória; uma prerrogativa que convém a um Ser grande, infinito e eterno; algo próprio da dignidade daquele que está infinitamente acima de todos os outros seres, que é a origem de todas as coisas, do qual todas as coisas consistem e, em comparação com o qual todas as outras coisas são nada.
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Por que Deus Compartilha Sua Felicidade? J. Edwards


“Ao compartilhar a sua felicidade,
Deus faz de si mesmo o seu fim na criação”

 Outra parte da plenitude de Deus que ele comunica é a sua felicidade. Esta consiste nele se comprazer e se regozijar em si mesmo, o que se aplica também à felicidade da criatura.Trata-se de uma participação daquilo que há em Deus, com base no próprio Deus e em sua glória. A felicidade da criatura resume-se ao seu regozijo em Deus, por meio do qual Deus é engrandecido e exaltado. A alegria ou a exultação do coração na glória de Deus é pertinente ao louvor.

 Desse modo, Deus é tudo em todas as coisas no tocante a cada parte dessa comunicação da plenitude divina à criatura. Aquilo que é comunicado é de ordem divina ou algo de Deus, e cada comunicação é dessa mesma natureza, de maneira que a criatura que recebe o que é comunicado se torna conforme Deus e unida a ele, segundo a proporção da comunicação. E a comunicação em si não é outra coisa senão o que constitui a honra, a exaltação e o louvor a Deus.
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A Auto-Estima de Deus - Jonathan Edwards


Essa objeção deve surgir de um conceito extremamente ignorante ou irrefletido acerca do mal do egoísmo e da virtude da generosidade. Se por egoísmo entende-se uma disposição em qualquer ser de reverenciar-se, trata-se de algo tão perverso e indecoroso quanto a insignificância de uma pessoa em relação a uma multidão; assim, o bem maior é muito mais precioso do que o interesse individual.

Entre os seres criados, uma pessoa é de pouca importância quando comparada com a maioria, de modo que o seu interesse é irrisório em comparação com o interesse do sistema na sua totalidade. Assim, no indivíduo, uma disposição para preferir-se, como se fosse maior do que todos, é deveras maligna. Mas o é somente porque constitui uma disposição discorde com a natureza das coisas e [com] aquilo de que consiste, verdadeiramente, o bem maior.

Em contrapartida, a disposição de qualquer pessoa de renunciar ao próprio interesse a favor dos outros é tão excelente e digna [de] ser chamada de generosidade quanto o é tratar as coisas de acordo com o seu verdadeiro valor; quanto perseguir algo extremamente digno de ser perseguido; quanto expressar uma disposição de preferir algo além do interesse próprio, algo que seja, com efeito, preferível em si mesmo.

Porém, se Deus é, de fato, tão magnífico e tão excelente a ponto de todos os outros seres parecerem nada para ele, outra excelência também é nada, menos do que nada e vaidade em comparação a ele; e, se Deus é onisciente e infalível, e sabe muito bem que é infinitamente o mais precioso dos seres, convém que o seu coração se agrade disso - sendo essa, de fato, a verdadeira natureza e proporção das coisas, agradável ao entendimento absolutamente inclusivo e infalível que ele possui das coisas e também à perspectiva perfeitamente clara pela qual ele as vê - e que a sua auto-estima seja infinitamente maior do que a estima por suas criaturas.
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A Essência da Santidade - Jonatham Edwards


Deus preza a santidade na criatura e a santidade é, em essência, prezar a Deus

Temos aqui duas coisas para as quais precisamos atentar em particular.

(1) Em Deus, o amor por si mesmo e o amor do público não devem ser diferençados, como no caso do homem, pois o ser de Deus compreende todas as coisas. Uma vez que a sua existência é infinita, deve ser equivalente à existência universal. E, pelo mesmo motivo [o fato] de a afeição pública na criatura ser apropriada e bela, [segue-se que] a deferência de Deus por si mesmo também o é.

(2) Em Deus, o amor àquilo que é apropriado e decoroso não pode ser algo distinto do amor dele por si mesmo, pois o amor de Deus é o que constitui, fundamentalmente e acima de tudo, toda a santidade, a qual deve consistir, em essência, do amor dele por si mesmo. Logo, se a santidade de Deus consiste do seu amor por si mesmo, fica implícita uma aprovação da estima e do amor dos outros por ele, pois um ser que se ama, necessariamente, ama amar-se. Se a santidade em Deus consiste principalmente em amor por si mesmo, a santidade na criatura deve, principalmente, consistir em amar a ele. E, se Deus ama a santidade nele mesmo, deve amá-la na criatura.

De acordo com a visão dos filósofos mais recentes e renomados, a virtude se encontra na afeição pública ou na benevolência geral. E, se a essência da virtude está em princípio nisso, o amor à virtude é igualmente virtuoso, uma vez que fica subentendido ou tem origem nessa afeição pública ou benevolência mais ampla da mente. Porquanto, se um homem ama o público de fato, também ama, necessariamente, o amor ao público.
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Deleite-se no Senhor!! - Jonathan Edwards


Se a glória de Deus é infinitamente digna, deleitar-se nela e louvá-la é algo excelente

 A nosso ver, trata-se de um fato inquestionável que seria possível haver alguma existência futura digna de ser desejada e buscada por Deus e merecedora de ser feita o seu fim, caso não houvesse qualquer existência futura preciosa e digna de ser concretizada. Se, quando o mundo ainda não existia, já havia alguma coisa futura possível, apropriada e preciosa em si mesma, creio que tal coisa era o conhecimento da glória de Deus e a estima e o amor por ela.

A vontade e o entendimento são os tipos mais elevados de existência criados e, a fim de serem preciosos, devem ser estimados em seu exercício. Porém, o tipo mais elevado e excelente de exercício dos mesmos encontra-se no conhecimento verdadeiro e no exercício da vontade. E, por certo, o conhecimento verdadeiro e a vontade mais excelentes que podem existir na criatura são o conhecimento de Deus e o amor por ele.

O conhecimento verdadeiro de Deus mais excelente é o conhecimento da sua glória ou excelência moral, e o exercício mais excelente da vontade é a estima, o amor e o deleite na glória de Deus. Se há alguma existência criada digna, em si mesma, de existir, ou se qualquer coisa futura é digna de vir a ser, é essa comunicação da plenitude divina, a emanação e a expressão da glória divina. Porém, se nunca houve coisa futura digna de existir, nada jamais foi digno de ser intentado por Deus na criação do mundo. E, se nada foi digno da intenção de Deus na criação, nada foi digno de ser o fim pretendido por Deus na criação.
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Gozo maior que o dos Anjos - Jonathan Edwards


Os santos no céu participam com Cristo das bem-aventuranças que Ele tem no gozo de seu Pai.

Quando Cristo ascendeu ao céu, Ele foi recebido a uma bem-aventurança peculiar no gozo do Pai que, na paixão, escondeu-se da face de Jesus. Este gozo tornou-se relação na qual Ele estava com o Pai e foi uma recompensa satisfatória pelo grande e difícil serviço que Ele executara na terra. Deus lhe mostrou o caminho da vida e o trouxe à sua presença, onde há abundância de alegrias, para se assentar à sua mão direita, onde há satisfação eterna, como está escrito em Salmos 16.11. O Pai o fez abençoado para sempre. Ele o encheu de gozo com o seu semblante (SI 21.6). Os santos através da união com Cristo, participam da relação filial dEle com o Pai e são herdeiros com Ele da felicidade no gozo do Pai, como está indicado pelo apóstolo Paulo em Gálatas 4.4-7. A esposa de Cristo, em virtude das suas bodas com o Filho Unigênito de Deus, é participante da relação filial dEle com Deus e se torna a filha do rei (SI 45.13), e assim participa com seu marido divino, no gozo de seu Pai. Temos essa promessa implícita nas palavras de Cristo ditas a Maria em João 20.17. Assim os servos fiéis de Cristo entram no gozo do seu Senhor e a alegria de Cristo permanece neles, de acordo com as palavras de Cristo registradas em Mateus 25.21-23 e João 15.11. Cristo, desde a eternidade, está no âmago do Pai como o objeto de sua amabilidade infinita. NEle está a felicidade eterna do Pai. Antes que o mundo existisse, Ele estava com o Pai, no gozo do seu amor infinito, e tinha infinito prazer e bem-aventurança, como Ele declara sobre si mesmo em Provérbios 8.30: "Então, eu estava com ele e era seu aluno; e era cada dia as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo".

Quando Cristo ascendeu ao Pai após a sua crucificação, Ele foi para Ele, para o gozo da mesma glória e bem-aventurança, no gozo do seu amor, de acordo com a oração que Ele fez na noite antes da crucificação:  "E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse" (Jo 17.5). Na mesma oração, Ele manifesta ser sua vontade que os verdadeiros discípulos estejam com Ele no gozo daquela alegria e glória, as quais Ele pediu para si mesmo: "Para que tenham a minha alegria completa em si mesmos" (Jo 17.13); "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste" (Jo 17.22). Esta glória e alegria de Cristo, que os santos devem desfrutar com Ele, é o que Ele tem no gozo do amor infinito de seu Pai, descrita pelas últimas palavras dessa oração de nosso Senhor: "Para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja" (Jo 17.26). O amor que o Pai tem no Filho é realmente grande. A deidade, por assim dizer, flui de maneira completa e plena numa corrente de amor para Cristo, e a alegria e o gozo de Cristo são proporcionalmente grandes o qual Ele fará os santos beberem com Ele, segundo as palavras do salmista: "Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias; porque em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz" (SI 36.8,9).

Os santos terão gozo ao participarem com Cristo em seu gozo e verão luz na sua luz. Eles participarão com Cristo do mesmo rio de gozo, beberão da água da vida e do mesmo vinho novo no Reino do Pai (Mt 26.29). Esse vinho novo é a alegria e felicidade nas quais Cristo e os verdadeiros discípulos participarão juntos na glória, a qual foi comprada pelo sangue de Cristo ou a recompensa da sua obediência até a morte. Cristo, em sua ascensão ao céu, foi recebido à mão direita do Pai no gozo do seu amor como recompensa por sua obediência até a morte. Mas a mesma justiça é considerada tanto para o Cabeça quanto para os membros, e ambos terão comunhão na mesma recompensa, cada um de acordo com sua capacidade distinta.

O fato de os santos no céu participarem com Cristo do seu gozo com o Pai, manifesta a excelência transcendente da felicidade de¬les e a realidade de eles serem admitidos a um privilégio imensamente mais alto em glória do que os anjos.


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O Propósito da Vinda de Cristo - Jonathan Edwards


[O fim supremo de Cristo no seu ministério era a glória de Deus]
As Escrituras nos levam a supor que Cristo buscou a glória de Deus como o seu fim transcendente e maior.
João 7.18: "Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça". Quando Cristo diz que não buscou a própria glória, não podemos entendê-lo racionalmente nem compreender como ele não possuía qualquer deferência por sua glória, nem mesmo pela glória da natureza humana, pois a glória dessa natureza fazia parte da recompensa que se lhe prometera e do gozo que se lhe fora proposto. Mas devemos entender que esse não era o seu objetivo supremo; não era o fim pelo qual sua conduta era governada acima de tudo. Assim, está em contraste com essa realidade a última parte da frase que ele profere: "mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro", etc. É natural compreendê-lo em razão da antítese e ver que esse era o seu objetivo supremo, o fim máximo que o governava.

João 12.27,28: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome". Cristo estava a caminho de Jerusalém, onde esperava ser crucificado em poucos dias; e a perspectiva do seu sofrimento final e iminente lhe era deveras terrível. Diante dessa angústia mental, ele se sustenta com a perspectiva do que seria a conseqüência de seu sofrimento, ou seja, a glória de Deus. E o fim que sustenta o agente em qualquer obra difícil que este se propõe realizar, e mais que tudo, é o fim máximo e supremo que lhe dá forças; pois, aos seus olhos, tal fim é mais do que todos os outros e, portanto, suficiente para compensar a dificuldade dos meios. Esse fim, que é, em si mesmo, agradável e doce para o agente e que, por derradeiro, satisfaz o seu anseio, é o centro de descanso e apoio e, portanto, deve ser a fonte e a síntese de todo o deleite e consolo que ele possui em suas perspectivas em relação à sua obra. A alma de Cristo se encontra exausta e angustiada diante daquilo que é, infinitamente, a parte mais difícil de sua obra e que está prestes a acontecer. Sem dúvida, se a sua mente busca o apoio em meio ao conflito na perspectiva de seu fim, deve naturalmente se refugiar no seu fim transcendente, que é a verdadeira fonte de todo o apoio possível nesse caso. Podemos muito bem supor que, ao lutar contra as mais extremas dificuldades, sua alma recorre à idéia do seu fim máximo e supremo, a fonte de todo o apoio e consolo que ele tem na obra.

A mesma coisa - a busca de Cristo pela glória de Deus como o seu fim supremo - fica clara nas suas palavras ao se aproximar ainda mais da hora de seus sofrimentos finais, naquela oração extraordinária, a última que faz com seus discípulos na noite antes da crucificação, uma oração na qual ele expressa a síntese de seus objetivos e anseios. Suas primeiras palavras são: "Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti" [Jo 17.1]. Uma vez que esse é o seu primeiro pedido, podemos supor que é a maior das suas súplicas e anseios, e o seu fim supremo em todas as coisas. Se considerarmos as palavras subseqüentes, tudo o que é dito depois na oração parece apenas uma expansão desse pedido magnífico. Creio que, no geral, fica bastante claro que Jesus Cristo buscou a glória de Deus como o seu fim último e transcendente e, portanto, com base na décima segunda proposição, esse foi o fim supremo de Deus na criação do mundo.

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Jonatahn Edwards - O Encontro com a Trindade



Meu primeiro encontro verdadeiro com Edwards foi num curso de História da Igreja com Geoffrey Bromiley, quando resolvi escrever um trabalho a respeito do "Ensaio sobre a Trindade", de Edwards. Esse foi um momento decisivo, em que a minha visão do ser de Deus foi marcada para sempre. O Filho de Deus é a imagem ou o conceito eterno que Deus tem de si mesmo. E a imagem que ele tem de si mesmo é tão perfeita, completa e plena a ponto de ser a reprodução (ou geração) viva e pessoal de Deus, o Pai. E essa imagem viva e pessoal, ou resplendor, ou forma de Deus é Deus, ou seja, Deus, o Filho. E, portanto, Deus, o Filho é co-eterno com Deus, o Pai, e igual a ele em essência e glória.

E, entre o Filho e o Pai, surge eternamente uma comunhão de amor pessoal infinitamente santa. "A própria essência divina flui e é como que soprada em amor e alegria. Portanto, Deus se revela em mais uma forma de subsistência, procedendo desta a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo". Edwards resume a sua visão da Trindade com as seguintes palavras:
Esta, suponho eu, é a sagrada Trindade sobre a qual lemos nas santas Escrituras. O Pai é a divindade que subsiste na forma primá­ria, não originada e mais absoluta, ou seja, a divindade na sua existência direta. O Filho é a divindade gerada pelo entendimento de Deus, ou pelo conceito de Deus acerca de si mesmo, e subsiste nesse conceito. O Espírito Santo é a divindade que subsiste no ato, ou na essência divina fluindo e sendo soprada no amor infinito de Deus e no seu deleite em si mesmo. E creio que a essência divina como um todo subsiste verdadeira e distintamente tanto no conceito divino quanto no amor divino e que cada uma delas é uma pessoa propriamente distinta.
Podemos agora perceber como essa visão da Trindade se mostra coerente com o que Edwards diz sobre o conceito de Deus ser glorificado de duas maneiras: ao ser conhecido e amado ou desfrutado. Isso corresponde ao modo de existência de Deus: o Filho é a apresentação de Deus que se conhece perfeitamente e o Espírito é a apresentação de Deus que se ama perfeitamente. Talvez você possa sentir o ardor que foi se formando dentro de mim à medida que comecei a ver, na natureza das coisas, uma harmonia mais profunda do que jamais havia imaginado.

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Muita humanidade, pouca divindade




Jonathan Edwards possuía um discernimento profundo dessa situação diretamente ligada à ausência do teocentrismo: "Um dos grandes motivos pelos quais os pontos especulativos [da doutrina] são considerados tão irrelevantes é o fato de que a religião moderna consiste de pouco respeito pelo Ser divino e quase inteiramente da benevolência em relação aos homens'. Em outras palavras, a enfermidade que precisa ser curada é o principal empecilho para a cura.
Isso significa que o "estilo magnífico [de Jonathan Edwards] de sentir e pensar não corresponde ao nosso estilo e é inteiramente estranho ao nosso modo de vida". A seriedade absoluta de Edwards - sua "austeridade entranhada", como Thomas Chalmers a caracterizou - o torna fora de sincronia com a nossa espiritualidade loquaz, informal, caprichosa e voltada para o entretenimento. A percepção de Edwards da condição desesperadora da humanidade sem Deus é tão intensa que chega a nos tirar o fôlego. H. Richard Niehbur comentou que a consciência de Edwards a respeito da precariedade da vida o colocou numa categoria à parte: "Ele entendeu aquilo que Kierkegaard quis dizer quando descreveu a vida como caminhar sobre águas de dez mil braças de profundidade".
Precisamos de muito mais do que Benjamin Franklin

Porém, justamente nesse ponto, as dificuldades intimidantes de compreender a grande visão de Edwards acerca de Deus podem dar lugar à esperança. É possível que o empobrecimento teológico da igreja norte-americana, a precariedade da vida e o esgotamento da superficialidade "bem-sucedida" tomem a voz de Jonathan Edwards mais atraente do que foi considerada durante séculos.
Não foram poucos os que demonstraram essa esperança ao contrastar a influência de Edwards com a do seu contemporâneo Benjamin Franklin. Randall Stewart argumenta:
Franklin nos colocou no caminho que nos conduziu ao paraíso das invenções e das engenhocas modernas. Porém, agora que está se tornando assustadoramente claro que toda essa tecnologia não é capaz de nos salvar, e que ela pode muito bem nos destruir ... agora que o pára-raios de Franklin começa a parecer, em certo sentido, como um símbolo patético de orgulho e inadequação humanos, enquanto o esquadrinhamento da alma proposto por Edwards parece mais penetrante para esta geração de leitores do que, talvez, jamais tenha parecido antes, é possível que Edwards ainda se revele, que já esteja se mostrando o mais verdadeiramente útil dos dois.
Perry Miller, que afirmou não compartilhar a fé de Edwards, via a nossa condição de maneira semelhante: "[Edwards] nos faz lembrar que, embora a nossa civilização tenha escolhido vagar pelas campinas mais agradáveis para as quais Franklin nos convidou, há certas ocasiões em que, em função dos desastres ou do autoconhecimento, a ciência aplicada e The Way to Wealth [O caminho para a riqueza] de Benjamin Franklin parecem não ser uma filosofia adequada para a vida de nossa nação". Diante do início do século 21, essa declaração, feita em 1949, me parece o mais absoluto eufemismo. O pragmatismo de Franklin está teologicamente, moralmente e espiritualmente falido. E possível que justamente essa falência cultural desperte os evangélicos da insensatez da imitação.

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Jonathan Edwards- Maturidade Precoce.


-Nascimento, família, intelecto na juventude-

Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703 em Windsor, Connecticut. Era o único filho além das dez filhas de Timothy Edwards, pastor congregacional da cidade. De acordo com a tradição, Timothy costumava dizer que Deus o abençoou com vinte metros de filhas. Timothy ensinou latim a Jonathan quando o menino tinha 6 anos de idade e o mandou para Yale quando ele completou 12 anos. Yale havia sido fundada fazia apenas quinze anos e estava lutando para não fechar as portas. Para Jonathan Edwards, porém, tornou-se um lugar de crescimento e estímulo intelectual intensos.

Como aluno de Yale, aos 15 anos de idade ele leu a obra que se tornaria seminal para o seu pensamento, Essays on Human Understanding [Ensaios sobre o entendimento humano], de John Locke. Ele comentou, posteriormente, que sentiu mais prazer em ler essa obra "do que o mais cobiçoso dos sovinas sentiria em juntar punhados de moedas de prata e ouro de algum tesouro recém-descoberto".Já nessa tenra idade, ele começou a formar o padrão de escrita e de pensamento que canalizaria o grande poder da sua mente e do seu coração para uma literatura extraordinariamente produtiva.

Quando ainda era menino, começou a estudar com uma pena na mão; não para copiar os pensamentos de outros, mas com o propósito de anotar e preservar as idéias sugeridas à sua mente pela matéria que estivesse estudando. Essa prática extremamente proveitosa teve início muito precoce em diversas áreas de conhecimento e Edwards a manteve constantemente nos seus estudos ao longo de toda a vida. Tem-se a impressão de que, em certo sentido, ele estava sempre com a pena na mão. Preservado com determinação, esse exercício lhe ofereceu grandes vantagens: pensar de maneira contínua durante cada período de estudo; pensar com precisão; pensar de maneira interligada; pensar como hábito o tempo todo.

Ele formou-se em Yale em 1720, fez o discurso de despedida em latim e continuou os seus estudos por mais dois anos, preparando-se para o ministério. Foi ordenado aos 19 anos e iniciou o seu pastorado na Igreja Presbiteriana Escocesa em Nova York, onde permaneceu durante oito meses, de agosto de 1722 a abril de 1723.

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