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18 de out de 2010

O fim Supremo do Ministério de Cristo – Jonathan Edwards


As Escrituras nos levam a supor que Cristo buscou a glória de Deus como o seu fim transcendente e maior.

João 7.18: "Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça". Quando Cristo diz que não buscou a própria glória, não podemos entendê-lo racionalmente nem compreender como ele não possuía qualquer deferência por sua glória, nem mesmo pela glória da natureza humana, pois a glória dessa natureza fazia parte da recompensa que se lhe prometera e do gozo que se lhe fora proposto. Mas devemos entender que esse não era o seu objetivo supremo; não era o fim pelo qual sua conduta era governada acima de tudo. Assim, está em contraste com essa realidade a última parte da frase que ele profere: "mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro", etc. É natural compreendê-lo em razão da antítese e ver que esse era o seu objetivo supremo, o fim máximo que o governava.

João 12.27,28: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome". Cristo estava a caminho de Jerusalém, onde esperava ser crucificado em poucos dias; e a perspectiva do seu sofrimento final e iminente lhe era deveras terrível. Diante dessa angústia mental, ele se sustenta com a perspectiva do que seria a conseqüência de seu sofrimento, ou seja, a glória de Deus. É o fim que sustenta o agente em qualquer obra difícil que este se propõe realizar, e mais que tudo, é o fim máximo e supremo que lhe dá forças; pois, aos seus olhos, tal fim é mais do que todos os outros e, portanto, suficiente para compensar a dificuldade dos meios. Esse fim, que é, em si mesmo, agradável e doce para o agente e que, por derradeiro, satisfaz o seu anseio, é o centro de descanso e apoio e, portanto, deve ser a fonte e a síntese de todo o deleite e consolo que ele possui em --suas perspectivas em relação à sua obra. A alma de Cristo se encontra exausta e angustiada diante daquilo que é, infinitamente, a parte mais difícil de sua obra e que está prestes a acontecer. Sem dúvida, se a sua mente busca o apoio em meio ao conflito na perpectiva de seu fim, deve naturalmente se refugiar no seu fim transcendente, que é a verdadeira fonte de todo o apoio possível nesse caso. Podemos muito bem supor que, ao lutar contra as mais extremas dificuldades, sua alma recorre à idéia do seu fim máximo e supremo, a fonte de todo o apoio e consolo que ele tem na obra.

A mesma coisa - a busca de Cristo pela glória de Deus como o seu fim supremo - fica clara nas suas palavras ao se aproximar ainda mais da hora de seus sofrimentos finais, naquela oração extraordinária, a última que faz com seus discípulos na noite antes da crucificação, uma oração na qual ele expressa a síntese de seus objetivos e anseios. Suas primeiras palavras são: "Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti" [Jo 17.1]. Uma vez que esse é o seu primeiro pedido, podemos supor que é a maior das suas súplicas e anseios, e o seu fim supremo em todas as coisas. Se considerarmos as palavras subseqüentes, tudo o que é dito depois na oração parece apenas uma expansão desse pedido magnífico. Creio que, no geral, fica bastante claro que Jesus Cristo buscou a glória áe Deus como o seu fim último e transcendente e, portanto, com base na décima segunda proposição, esse foi o fim supremo de Deus na criação do mundo.

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