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3 de out de 2010

A Emanação de Deus – Jonathan Edwards


É apropriado que uma fonte abundante dê origem a rios caudalosos

Uma vez que existe em Deus uma plenitude infinita de todo o bem possível - uma abundância de toda perfeição, excelência, beleza e felicidade infinitas - e que essa plenitude é capaz de comunicação ou emanação ad extra,21 também parece algo amável [isto é, agradável, admirável] e precioso em si mesmo que essa fonte infinita de bem dê origem a rios caudalosos. E, assim como essa comunicação é de per si excelente, a disposição para ela no Ser Divino também deve ser considerada excelente. Essa emanação do bem é, em certo sentido, uma multiplicação de tal bem. Assim como o rio pode ser considerado algo além da fonte, também a emanação pode ser tida como uma ampliação do bem. E se a plenitude do bem na qual consiste a fonte é em si mesma excelente, a emanação que pode ser tida como uma ampliação, repetição ou multiplicação dessa fonte é excelente.

Portanto, uma vez que há uma fonte infinita de luz e conhecimento, é apropriado que essa luz resplandeça em raios de conhecimento e entendimento comunicados e, uma vez que há uma fonte infinita de santidade, excelência moral e beleza, estas também devem fluir na santidade comunicada. E, uma vez que há uma plenitude infinita de gozo e felicidade, esta deve igualmente ter uma emanação e se tornar uma fonte a jorrar em rios caudalosos e a resplandecer como os raios do Sol.28 Logo, parece razoável supor que Deus teve como fim último a existência de uma emanação gloriosa e copiosa de sua plenitude infinita de bem ad extra, ou sem29 ele próprio, e que foi a disposição de comunicar a si mesmo ou propagar a sua PLENITUDE  que o levou a criar o mundo.

Convém observar, contudo, certa impropriedade na afirmação de que uma disposição divina de comunicar-se à criatura o motivou a criar o mundo, pois a inclinação de Deus para comunicar-se a um objeto parece pressupor a existência de tal objeto, pelo menos no nível conceituai. Porém, a disposição difusiva que impeliu Deus a fazer as criaturas existirem foi, na verdade, uma disposição comunicativa em geral, ou uma disposição na plenitude da divindade para fluir e se difundir. Assim, a disposição existente na raiz e no cerne de uma árvore de espalhar a seiva e a vida é, sem dúvida, a razão pela qual essas duas partes se comunicam com seus brotos, folhas e frutos depois que estes vêm a existir. Porém, a disposição de transmitir sua vida e seiva aos frutos não é tanto o motivo essencial pelo qual a árvore produz esses frutos, quanto o é sua disposição de transmitir sua vida e seiva de modo geral. Logo, falando estritamente de acordo com a verdade, podemos supor que uma disposição existente em Deus, uma propriedade original e inerente de emanar a própria plenitude infinita foi o que o estimulou a criar o mundo e, portanto, o seu fim último na criação era a própria emanação.

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