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13 de mai de 2010

A Visão de Jonathan Edwards do Pecado Original


Um espantoso lampejo intuitivo a respeito do pecado original

Há um espantoso lampejo intuitivo que se destaca das 335 páginas do trabalho exegético e teológico poderoso de Edwards para entender o pecado original. Ele pergunta de que maneira um homem (como eu) pode estar moralmente envolvido no pecado de outro (como Adão). Ele responde indagando por que o "eu" que existe hoje é responsável pelos atos morais que realizei ou deixei de realizar ontem. A resposta, evidentemente, é que existe uma união entre o "eu" de hoje e o "eu" de ontem. Mas por que isso? - ele pergunta então. E responde: "Deus está mantendo a substância criada ou causando a sua existência a cada momento sucessivo, fato esse que, na sua totalidade, é equivalente a uma produção imediata a partir do nada, a cada momento, pois a sua existência neste momento não se deve apenas parcialmente a Deus, mas inteiramente a ele, e não se deve, em qualquer parte ou grau, à sua existência anterior".

Pode-se deduzir, portanto, que a união essencial entre o "eu" de hoje e o "eu" de ontem depende inteiramente da "constituição arbitrária" de Deus. "Não existe identidade ou singularidade... que não dependa da constituição arbitrária do Criador, o qual, mediante sua instituição soberana e sábia, une, desse modo, novos efeitos sucessivos, os quais ele trata como um só, comunicando-lhes propriedades, relações e circunstâncias". Isso significa que, em última análise, o motivo pelo qual o "eu" de hoje é moralmente responsável pelos atos do "eu" de ontem é: Deus quis arbitrariamente que fosse assim.

Uma constituição divina estabelece a verdade nas questões dessa natureza

Podemos ver aonde Edwards quer chegar com esse conceito em relação ao pecado original. Por que a posteridade de Adão é tão responsável pelo pecado dele a ponto de morrer como parte da condenação dele (Rm 5.18)? De que maneira pode haver uma verdadeira união entre nós e Adão a ponto de estarmos envolvidos com o pecado dele? De acordo com a resposta de Edwards, do mesmo modo que Deus determina arbitrariamente a união entre a consciência moral de uma pessoa de um dia para o outro, também pode estabelecer uma união entre Adão e sua posteridade de acordo com a analogia da unidade de uma árvore, incluindo suas raízes e seus ramos. Ele responde, então, à objeção de que isso não corresponde à verdade, dizendo: "A objeção da qual estamos tratando, levantada contra uma suposta constituição divina - segundo a qual Adão e sua posteridade são considerados e tratados como um, de acordo com a maneira e os propósitos atribuídos a eles, considerando-a incoerente com verdade, uma vez que não há constituição que possa tornar essas coisas uma só -, me parece elaborada sobre uma hipótese falsa, pois, ao que tudo indica, é a constituição divina que estabelece a verdade nas questões dessa natureza".

Não sei se isso ajuda o leitor a compreender a realidade do pecado original, ensinada pelo apóstolo Paulo em Romanos 5.12-21, mas, sem dúvida, foi útil para mim, não tornando tudo simples e claro, porém mostrando que há possibilidades de conceitualidade e realidade sobre as quais ainda nem sequer comecei a pensar. Isso significa que convém manter-me calado em vez de questionar um ensinamento bíblico difícil. Trata-se de um trabalho de humildade, que Edwards realizou por mim em mais de uma ocasião.

John Piper

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