Páginas

20 de mai de 2010

A Importância dos Sentimentos na Vida Espiritual – Jonathan Edwards



O apóstolo Pedro diz, sobre a relação entre cristãos e Cristo: "a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória." (1Ped. 1:8).Como os versículos anteriores deixam claro, os crentes a quem Pedro escreveu sofriam perseguição. Aqui, ele observa como seu cristianismo os afetou durante essas perseguições. Ele menciona dois sinais claros da autenticidade de seu cristianismo.

(i) - Amor por Cristo. "A quem, não havendo visto, amais." Os que não eram cristãos maravilhavam-se da prontidão dos cristãos em se expor a tais sofrimentos, renunciando às alegrias e confortos deste mundo. Para seus vizinhos incrédulos, estes cristãos pareciam loucos; pareciam agir como se detestassem a si mesmos. Os incrédulos não viam nenhuma fonte de inspiração para tal sofrimento. De fato, os cristãos não viam coisa alguma com seus olhos físicos. Amavam alguém a quem não podiam ver! Amavam a Jesus Cristo, pois viam-nO espiritualmente, mesmo sem poder vê-lO fisicamente.

(ii) - Alegria em Cristo. Embora seu sofrimento exterior fosse terrível, suas alegrias espirituais internas eram maiores que seus sofrimentos. Essas alegrias os fortaleciam, possibilitando que sofressem alegremente.

Pedro nota duas coisas sobre essa alegria. Primeiro, ele nos fala da origem dela. Ela resultou da fé. "Não vendo agora, mas crendo, exultais."

Segundo, ele descreve a natureza dessa alegria: "alegria indizível e cheia de glória." Era alegria indizível, por ser tão diferente das alegrias do mundo. Era pura e celeste; não havia palavras para descrever sua excelência e doçura. Era também inexprimível quanto à sua extensão, pois Deus havia derramado tão livremente essa alegria sobre Seu povo sofredor.

Depois, Pedro descreve essa alegria como sendo "cheia de glória." Essa alegria enchia as mentes dos cristãos, ao que parecia, com um brilho glorioso. Não corrompia a mente, como fazem muitas alegrias mundanas; pelo contrário, deu-lhe glória e dignidade. Os cristãos sofredores partilhavam das alegrias celestes. Essa alegria enchia suas mentes com a luz da glória de Deus, fazendo-os brilhar com aquela glória.

A doutrina que Pedro nos está ensinando é a seguinte: A RELIGIÃO VERDADEIRA CONSISTE PRINCIPALMENTE EM EMOÇÕES SANTAS. Pedro destaca as emoções espirituais de amor e alegria quando descreve a experiência desses cristãos. Lembrem-se que ele está falando sobre fiéis que estavam sendo perseguidos.

Seu sofrimento purificava sua fé, resultando em que "redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (v.7). Estavam, assim, em condição espiritualmente saudável, e Pedro ressalta seu amor e alegria como evidência de sua saúde espiritual.

O QUE SÃO EMOÇÕES?

Nesse ponto pode-se perguntar: "O que exatamente quer dizer quando fala sobre emoções?"
Respondo da seguinte forma: "Emoções são as ações mais vivas e intensas da inclinação da alma e da vontade."

Deus deu às almas humanas dois poderes principais: o primeiro é a compreensão, pela qual examinamos e julgamos as coisas; o segundo poder nos permite ver as coisas, não como espectadores indiferentes, mas gostando ou não delas, agradando-nos ou não nelas, aprovando-as ou rejeitando-as. Às vezes chamamos a esse segundo poder, nossa inclinação. Relacionando-as com nossas decisões, normalmente damos-lhes o nome de vontade. Quando a mente exercita sua inclinação ou vontade, então muitas vezes chamamos à mente "o coração ".

Seres humanos agem por suas vontades de duas formas, (i) Podemos nos dirigir para as coisas que vemos, apreciando-as e aprovando-as. (ii) Podemos nos distanciar das coisas que vemos, e rejeitá-las. Esses atos da vontade, é claro, diferem muito em grau. Algumas inclinações de gosto ou desgosto movem-nos somente um pouco além da apatia total. Existem outros graus, nos quais o gosto ou desgosto é mais forte, até o ponto em que a força seja tal que agimos de modo enérgico e determinado. São esses atos mais enérgicos e intensos da vontade que chamamos de "emoções".

Nossa vontade e emoções não são coisas diferentes. Nossas emoções diferem dos atos casuais da escolha somente em sua energia e vivacidade. Admito, entretanto, que a linguagem pode expressar somente um sentido imperfeito dessa diferença. De certo modo, as emoções da alma são a mesma coisa que sua vontade, e a vontade nunca sai de um estado de apatia, exceto pelo sentimento. Todavia, há muitos atos da vontade que não chamamos de "emoções"; a diferença não está na natureza, e sim na força da atividade e na forma de agir da vontade.

Em todo ato da vontade, gostamos ou não daquilo que vemos. Nosso gosto por algo, se for suficientemente vigoroso e vivo, é exatamente a mesma coisa que a emoção do amor; e um desgosto igualmente forte é o mesmo que ódio. Era cada ato da vontade para ou em direção a algo, estamos em alguma medida inclinados àquela coisa; e se essa inclinação for forte, nós o chamamos de desejo. Em cada ato da vontade em que aprovamos algo, há um grau de prazer; e se o prazer for grande, nós o chamamos de alegria ou delícia. E se nossa vontade não aprova algo, ficamos desagradados em alguma medida; se o desagrado for grande, nós o chamamos de pesar ou tristeza.

Todo ato da vontade é relacionado com aprovação e preferência ou então com desaprovação e rejeição. Nossas emoções são, portanto, de dois tipos. Existem emoções que nos levam para o que vemos, unindo-nos ao que vemos ou apegando-nos a ele. Essas emoções incluem amor, desejo, esperança, alegria, gratidão e prazer. Existem por outro lado, emoções que nos afastam do que vemos, opondo-nos ao que vemos, incluem ódio, medo, raiva ou pesar.

2 comentários:

Pastor Wanderley da Silva disse...

Ótimo blog. Já postei um link em meu blog.
wanderley-roseli.blogspot.com
Abraço!

21 de maio de 2010 14:36
luisvegan disse...

Olá!
Não querendo parecer chato, mas creio que seria preferível manter o termo 'affections' como afeições e não emoções nos textos.

Creio que afeições seria mais conivente com a concepção de Edwards de inclinação da vontade; e parece ser menos conflituoso com a teologia cristã reformada tão centrada no conhecimento da verdade que faz a vontade cativa.

Além é claro do problema das emoções serem tão valorizadas hoje em dia a ponto de serem utilizadas para negar a verdade, ou serem tidas como finalidades em si mesmas e não a serviço da Verdade como Edwards concebeu suas afeições santas.

Enfim, é apenas uma sugestão!
abraços!

1 de setembro de 2010 17:09

Postar um comentário

 
Jonathan Edwards | by ©2010