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7 de abr de 2010

O Deleite de Deus em Transbordar - Jonathan Edwards


- O deleite de Deus em transbordar é um deleite em si mesmo como aquele que transborda -

Essa propensão de Deus para se difundir pode ser considerada uma propensão nele em forma difusa ou na glória presente na sua emanação. Uma reverência para consigo mesmo ou uma satisfação infinita e um deleite na sua glória causam nele uma inclinação para difundir o seu ser abundantemente e se deleitar nessa emanação. Assim, a natureza de uma árvore, pela qual esta faz nascer botões de flores, brotos e ramos e produzir folhas e frutos, é uma disposição que se encerra na sua existência completa. Do mesmo modo, a disposição do Sol de brilhar ou espalhar profusamente sua plenitude, seu calor e seu brilho é apenas uma inclinação para o seu estado glorioso e pleno. Portanto, Deus considera a comunicação de si mesmo e a emanação de sua glória pertencentes à sua própria abundância e plenitude, como se, sem elas, ele não se encontrasse no estado mais glorioso.

Assim, a igreja de Cristo (para a qual e na qual ocorre a emanação da glória de Deus e a comunicação de sua plenitude) é chamada de plenitude de Cristo, como se ele não se encontrasse no seu estado completo sem ela, tal qual Adão sem Eva. E a igreja é chamada de glória de Cristo, do mesmo modo que a mulher é a glória do homem, 1 Coríntios 11.7, Isaías 46.13: -"Estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a MINHA GLÓRIA".

Pode-se imaginar que, depois de haver intentato a existência das criaturas, Deus foi movido pela benevolência para com elas, no sentido mais estrito de seu relacionamento com elas. O exercício da sua bondade e a satisfação da sua benevolência para com as criaturas em particular pode ser a origem de todo o proceder de Deus no universo, constituindo, agora, a maneira determinada de satisfazer a sua inclinação geral para se difundir. Aqui, a operação de Deus visando o próprio benefício, ou o fato de ele fazer de si mesmo o seu fim último, e sua operação visando ao benefício das criaturas não devem ser tidas como opostas; antes, devem ser julgadas concordantes entre si e incluídas uma na outra. E, no entanto, Deus deve ser considerado o primeiro e o original no tocante à sua deferência por si mesmo; conseqüentemente e por implicação, a criatura é o objeto da deferência de Deus, uma vez que se encontra, por assim dizer, incluída em Deus.

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