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9 de abr de 2010

Exoneração e Sermão de Despedida


A exoneração inglória

Do mesmo modo que Edwards não planejou o último capítulo da sua vida, no qual ele seria um missionário entre os índios e escreveria seus quatro livros mais expressivos. Tudo aconteceu de um modo que ele jamais teria planejado ou desejado.

Em 1750, Edwards foi exonerado vergonhosamente do seu pastorado depois de 23 anos de ministério. Esse episódio é mais emaranhado e doloroso do que se pode imaginar, mas, ainda assim, podemos apontar algumas causas. Em 1744, alguns jovens da congregação de Edwards estavam passando de mão em mão certos "livros licenciosos" e usando linguajar obsceno. Edwards ficou sabendo desse fato e, com a aprovação da igreja, convocou uma assembléia. Então, num ato de aparente imprudência, leu em público uma lista com os nomes dos jovens que deveriam comparecer a sua casa, sem fazer distinção nessa lista entre os acusados e as testemunhas. A resistência que surgiu na congregação foi tanta que, de acordo com Sereno Dwight, "teve-se a forte impressão de que ele não era mais útil em Northampton e, sem dúvida, foram lançados nessa ocasião os alicerces para a sua demissão".

No entanto, o conflito decisivo aconteceu na primavera de 1749. Soube-se que Edwards havia rejeitado a idéia do pastor anterior acerca de quem poderia participar da Ceia do Senhor. Solomon Stoddard havia considerado a Ceia do Senhor um sacramento conversor, permitindo que as pessoas participassem na esperança de que fossem salvas por meio dela. Em agosto, Edwards escreveu um tratado minucioso para provar que "ninguém deve ser aceito na comunhão e nos privilégios dos membros da igreja visível de Cristo em perfeita reputação, a não ser aquelas que, pela sua profissão de fé e aos olhos do julgamento cristão da igreja, são pessoas piedosas e bondosas". Mal o tratado foi lido, houve um clamor geral para que Edwards fosse demitido.

O sermão de despedida

Passado quase um ano de controvérsias desgastantes, a decisão de exonerar Edwards foi lida à congregação em 22 de junho de 1750. Nove dias depois, em 10 de julho, Edwards pregou o seu famoso Sermão de Despedida, impresso na edição de suas Works [Obras]. Como todas as suas mensagens, essa também foi absolutamente séria e sem qualquer rancor pessoal, sendo concluída com palavras de anseio amável pelo bem do seu povo:

Deixo-vos agora e me despeço de vós, desejando e orando por vossa mais excelente prosperidade. Entrego, agora, vossas almas mortais a ele, que, no passado, as confiou a mim, à espera do dia em que deveria me encontrar novamente convosco diante dele, que é o Juiz dos vivos e mortos. Desejo não ser esquecido por este povo que esteve por tanto tempo sob meus cuidados e almejo não cessar jamais de orar fervorosamente por vossa prosperidade. Que Deus vos abençoe com um pastor fiel, instruído em sua mente e volição, que advirta fielmente os pecadores e que busque com sabedoria e perícia mestres para vos ensinar e conduzir-vos pelo caminho da bem-aventurança eterna. Que possais ter neste castiçal uma luz verdadeiramente fulgurante e que possais, não apenas por um breve tempo, mas durante toda a vida dele, e que esta seja longa, vos mostrar desejosos de se regozijar nessa luz.

E que eu seja lembrado nas orações de todos do povo de Deus, que são de espírito sereno, pacíficos e fiéis em Israel, quaisquer que sejam suas opiniões acerca do sacramento da Ceia na igreja. E que todos nós possamos nos lembrar e jamais nos esquecer do nosso encontro solene naquele grande dia do Senhor, o dia da decisão infalível e da sentença eterna e inalterável. Amém.

Edwards estava, na época, com 46 anos de idade. Tinha nove filhos para sustentar, tendo o mais novo, Pierrepont, nascido três meses antes de sua exoneração. Jerusha morrera em 1747 e Sarah, a filha mais velha, havia se casado com Elihu Parsons em 11 de junho, apenas onze dias antes de Edwards ser demitido. Podemos sentir uma parte da crise nas palavras do próprio Edwards, numa carta escrita uma semana depois de sua demissão:

Estou, agora, separado do povo com o qual me encontrava inteiramente unido. A providência de Deus a respeito disso é admirável. Temos, neste acontecimento, um exemplo impressionante da instabilidade e incerteza das coisas aqui na terra. Por certo, minha dispensa é terrível em vários aspectos, convidando-me e à minha congregação a uma reflexão séria e a uma profunda humilhação. O inimigo, próximo ou distante, triunfará por ora; mas Deus pode prevalecer sobre tudo isso para a sua glória. Não tenho coisa alguma visível da qual depender para meu benefício futuro, nem fonte alguma de subsistência para a minha família numerosa. Mas espero que tenhamos um Deus da aliança, absolutamente suficiente e fiel, do qual possamos depender. Desejo me sujeitar sempre a ele, andar diante dele em humildade e depositar nele toda minha confiança. Desejo, caro senhor, suas orações por isso, tendo em vista nossas atuais circunstâncias.

 Por: John Piper

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