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20 de abr de 2010

Doutrina Compreendida e Glória Experimentada


"Jonathan Edwards, uma mente apaixonada por Deus". A mente corresponde ao entendimento da verdade dos atributos perfeitos de Deus. A paixão corresponde ao prazer na excelência e na beleza desses atributos. Deus é glorificado tanto ao ser compreendido quanto ao ser desfrutado. Ele não é tão glorificado pelos evangélicos que separam o prazer da compreensão. E não é tão glorificado pelos evangélicos de outro tipo, que separam a compreensão do prazer. Há verdades que devem ser entendidas corretamente e há beleza que deve ser desfrutada corretamente. Há doutrinas a serem compreendidas e há glória a ser experimentada.

O que está em jogo: perder Deus

O que está em jogo no esvaziamento doutrinário do evangelicalismo é a possibilidade de perder Deus. E, com ele, perder a verdade e a beleza. E, com a verdade e a beleza, perder a capacidade de, verdadeiramente, ver e experimentar Deus. Em breve, pode acontecer de despertarmos e descobrirmos que os sucessos são vazios e, pior ainda, que perdemos a nossa razão de ser: a capacidade de conhecer e amar a glória de Deus. E, se perdemos o verdadeiro conhecimento de Deus e o verdadeiro amor a Deus - o ato de ver e sentir Deus -, perdemos também a nossa capacidade de refletir a sua verdade e a sua beleza para o mundo. E o mundo perde Deus. E isso o que, em última análise, está em jogo.

Passo agora ao relato de minha experiência com Edwards e da peregrinação dos últimos trinta anos de amizade com ele. Meu desejo, com isso, é estimular o seu apetite para as obras de Edwards - especialmente a que se encontra na Parte Dois deste livro - e complementar o relato da vida de Edwards no Capítulo Dois apresentando a essência dos seus principais escritos. Estou convicto de que, se puder "infectá-lo" com Edwards, você terá uma vacina poderosa contra o mal do esvaziamento que assola a nossa era.

Cavando um poço profundo

Quando eu estava no seminário, um professor muito sábio me disse que, além da Bíblia, eu deveria escolher um grande teólogo e me dedicar ao longo de toda vida a compreender e dominar as suas idéias, a cavar pelo menos um poço profundo na realidade, em vez de sempre chapinhar na superfície das coisas. Com o tempo, talvez eu me tornasse um igual dessa pessoa e conheceria pelo menos um sistema por meio do qual poderia incluir outras idéias nesse diálogo prolífico. Esse foi um ótimo conselho.

O teólogo ao qual me dediquei mais do que a qualquer outro foi Jonathan Edwards. A única coisa que eu sabia sobre Edwards quando cheguei ao seminário era que ele havia pregado um sermão chamado "Pecadores nas mãos de um Deus irado", no qual havia dito alguma coisa sobre estar dependurado por um fio tênue sobre o inferno. Trata-se de algo típico da caricatura de Edwards retratada na literatura e nas aulas de Literatura e de História. Identificar Jonathan Edwards com "Pecadores nas mãos de um Deus irado" é como identificar Jesus com os ais contra Corazim e Betsaida. Esse sermão é apenas uma fração do todo e, de modo algum, a sua maior realização.

Eu não conhecia análises como a de Samuel Davies (em 1759), segundo o qual Edwards "foi o pensador mais profundo e o maior teólogo ... que a América do Norte gerou até hoje", ou de Ashbel Green (em 1822), de que ele "foi... um dos homens mais humildes e consagrados que o mundo já viu desde a era apostólica", ou de Thomas Chalmers, de acordo com o qual "nunca houve uma combinação mais feliz de grande poder com grande piedade", ou, ainda, de Benjamin Warfield, de que "Jonathan Edwards, santo e metafísico, pregador do reavivamento e teólogo, se destaca como figura de verdadeira grandeza na América colonial".'' Agora, sei disso por experiência própria e não preciso mais de testemunhas. Porém, eu me tornei uma testemunha para outros, e é sobre isso que quero falar agora.

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