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8 de abr de 2010

Deus tem um espírito Egoísta? Jonathan Edwards


Deus não vai além de si mesmo na sua busca

A doutrina que faz das criaturas de Deus, e não do próprio Deus, o seu fim último é a mais discorde e mais distante de um aspecto favorável sobre a auto-suficiência e independência absolutas de Deus. Portanto, ela concorda muito menos do que a doutrina contra a qual é feita a objeção. Devemos imaginar o eficiente como dependente do fim supremo. Ele depende desse fim em seus desejos, objetivos, ações e obras, de modo que fracassa em seus desejos, ações e obras se não consegue atingir o seu fim. Porém, se o próprio Deus é o seu fim último, em sua dependência desse fim, não depende de outra coisa senão dele mesmo. Se todas as coisas são dele e para ele e se ele é o primeiro e o último, fica evidente que ele é tudo em todas as coisas. Ele é tudo em si mesmo. Ele não vai além de si mesmo naquilo que busca; antes, os seus desejos e obras têm origem nele próprio e, do mesmo modo, terminam nele próprio, e ele não depende de ninguém a não ser de si mesmo, quer no início, quer no fim de qualquer dos seus exercícios ou operações. Porém, se a criatura fosse o seu fim supremo, e não ele próprio, então, uma vez que ele dependeria do seu fim supremo, seria, de algum modo, dependente de sua criatura.

Tudo o que Deus faz é decorrente de um espírito egoísta?

Há quem possa considerar a suposição segundo a qual Deus faz de si mesmo o seu fim transcendente e último desonrosa, uma vez que, na verdade, presume que todos os atos de Deus são decorrentes de um espírito egoísta. Na criatura, o egoísmo é considerado perverso e sórdido; algo indecoroso e até mesmo detestável num verme do pó como o homem. Devemos olhar para o homem como uma criatura de caráter abjeto e desprezível que, em todos os seus atos, é governado por princípios egoístas e que faz do interesse próprio o objetivo que o orienta em toda a sua conduta na vida. É necessário, portanto, que nos afastemos de qualquer atribuição de tal egoísmo ao Ser Supremo, o santo e único Potentado! Acaso não nos convém atribuir a ele as mais nobres e generosas disposições e qualidades, aquelas mais distantes de todas as coisas individuais, tacanhas e sórdidas?

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