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1 de fev de 2010

Jonathan Edwards e o Pecado Original

Jonathan Edwards volta a sua atenção para a garantia bíblica da doutrina do pecado original. Ele presta atenção particular ao ensino de Paulo em Efésios 2.
Outra passagem do apóstolo com propósito semelhante ao que temos considerado no quinto [capítulo] de Romanos é o de Efésios 2.3: "e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais". Isso permanece como um testemunho claro da doutrina do pecado original, como sustentada por aqueles que eram comumente chamados de cristãos ortodoxos, depois de todo o esforço e estratagemas usados para torcê-la e pervertê-la. Essa doutrina, aqui, não apenas ensinava claramente e de maneira completa, mas também abundantemente, se considerarmos as palavras com o contexto, quando os cristãos são repetidamente representados como seres, no primeiro estado, mortos no pecado, e despertados e ressuscitados de tal estado de morte numa exibição extremamente maravilhosa da livre e profunda graça e amor e da grandeza excelente do poder de Deus, etc.

Com relação ao ensino uniforme da Escritura, Edwards conclui: "Como essa posição é, em geral, completa e clara, assim a doutrina da corrupção da natureza, originada por causa de Adão, e também a da imputação do seu primeiro pecado, são ambas claramente ensinadas nela. A imputação da transgressão de Adão é, de fato, muito direta e freqüentemente afirmada. Somos, aqui, assegurados de que 'pelo pecado de um homem, a morte passou a todos'.... E é repetidamente reiterado que 'todos estão condenados', 'muitos estão mortos', 'muitos se tornaram pecadores', etc. 'pela ofensa de um só homem', 'pela desobediência de um só', e 'pela ofensa de um'".

Finalmente, Edwards argumenta em prol do pecado original a partir do ensino bíblico com relação à aplicação da redenção. A obra do Espírito na regeneração é um antídoto necessário para uma condição prévia corrupta: "É quase desnecessário observar o quão claro isso é dito como necessário para a salvação e como a mudança na qual os hábitos da verdadeira virtude, santidade e caráter de um verdadeiro santo são conquistados, como já foi observado quanto à regeneração, conversão, etc, e o quão visível é que a mudança é a mesma.... Assim, todas essas frases significam ter um novo coração e ser renovado no espírito, de acordo com o seu significado simples".

Em sua introdução à edição de Yale do Freedom of the Will de Edwards, Paul Ramsey faz esta observação:

Ao escrever este livro, ele despejou toda a sua perspicácia intelectual junto com uma convicção apaixonada de que a decadência que é observada na religião e na moral seguiu o declínio na doutrina desde a fundação da Nova Inglaterra. Seria melhor, ele acreditava, que as lamentações mergulhassem até o fundo da questão religiosa! O produto de uma vida tão simples, pensamento elevado, experiência fundamentada e paixão vital foi o atual Inquiry, um grande couraçado que Edwards enviou para combater a contingência e a autodeterminação (para reformular o louvor de [David E] Swenson a um dos grandes livros de [Soren] Kierkegaard) e no qual ele proferiu a crítica mais profunda e absolutamente destrutiva que a liberdade da indiferença, sem necessidade, já recebeu. Isso deve ser dito mesmo que se esteja persuadido de que alguma forma do ponto de vista oposta por Edwards ainda tenha no que se apoiar. Esse livro sozinho é suficiente para estabelecer seu autor como o maior teólogo-filósofo até o momento a honrar o cenário americano.


Em seu próprio prefácio para Freedom ofthe Will, Edwards fala do perigo de colocar rótulos nos representantes das várias escolas de pensamento teológico e no rancor desnecessário freqüentemente vinculado a tais rótulos. Mesmo assim, ele alega que termos genéricos são necessários em nome da lisura literária. Um escritor deve ter um modo estenográfico de distinguir várias características dos sistemas de pensamento. Embora ele não concorde com Calvino em cada ponto, Edwards diz não se sentir ofendido quando rotulado de calvinista porque se encontra sinceramente nessa tradição.

Sua principal preocupação, no entanto, é que o leitor entenda as conseqüências de diferenciar as perspectivas teológicas. Ele considera a questão da liberdade humana com a mesma seriedade que Lutero mostrou em seu debate com Erasmo. Longe de ser um assunto isolado, periférico e especulativo, Edwards pensa que essa questão é de suprema importância. Ele diz:

O assunto é tão importante que demanda atenção e a mais completa consideração. De todos os tipos de conhecimento que podemos obter, o conhecimento de Deus e o de nós mesmos são os mais importantes. Como a religião é o grande negócio para o qual fomos criados e pelo qual depende a nossa felicidade; e como a religião consiste num intercâmbio entre nós mesmos e o nosso Criador; e, assim, tem sua base na natureza de Deus e na nossa e na relação em que Deus e nós nos encontramos* um com relação ao outro; conseqüentemente, um verdadeiro conhecimento de ambos deve ser necessário para a verdadeira religião. Mas o conhecimento de nós mesmos consiste principalmente na apreensão correta a respeito destas duas faculdades principais da nossa natureza, o entendimento e a vontade. Ambos são muito importantes: porém, a ciência da última deve ser admitida como mais importante, na medida em que toda virtude e religião tem seu lugar mais imediatamente na vontade, consistindo mais especialmente nos hábitos e atos corretos dessa faculdade. E a grande questão sobre a liberdade da vontade é o ponto principal que pertence à ciência da vontade. Conseqüentemente, digo que a importância desse assunto demanda, em grande medida, a atenção dos cristãos e especialmente a dos teólogos.
R.C. Sproul 


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