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8 de fev de 2010

J. Edwards - A Queda como uma redução do interesse pela alma.

Em 1738, Edwards pregou uma série de mensagens sobre 1 Coríntios 13, publicada posteriormente com o título Charity and Its Fruits. Seu sermão sobre o versículo 5 - "[o amor] não procura os seus interesses" - é chamado "O espírito da caridade, o oposto de um espírito egoísta". Nele, Edwards apresenta o seu diagnóstico do coração humano. Tudo começou na queda do homem em pecado no jardim do Éden:
A ruína que a Queda provocou na alma do homem consiste, em grande parte, no fato de que ele perdeu os princípios mais nobres e amplos, sendo subjugado inteiramente pelo governo do amor-próprio ... Logo depois da Queda, a mente do homem se reduziu em relação à sua grandeza e extensão primitivas, tornando-se extremamente pequena e limitada ... enquanto, em outros tempos, sua alma se encontrava sob o governo do princípio nobre do amor divino pelo qual era, por assim dizer, expandida para ter um tipo de compreensão de todas as outras criaturas; e não apenas isso, mas também ... estendida até o Criador, e dispersada amplamente naquele oceano infinito ... Porém, assim que foi cometida a transgressão, esses princípios nobres se perderam imediatamente e toda a amplitude excelente da alma humana desapareceu e, daí por diante, se reduziu até um ponto minúsculo, limitado e preso em si mesmo, excluindo todo o resto. Deus foi abandonado, as outras criaturas foram abandonadas e o homem se retraiu e passou a ser inteiramente governado por princípios restritos e egoístas. O amor-próprio se tornou o senhor absoluto de sua alma, depois que os princípios mais nobres e espirituais pressentiram o perigo e fugiram.

O mais importante para os nossos propósitos é que, na Queda, ou seja, no pecado original, o coração humano sofreu uma redução; ele se contraiu e se tornou "extremamente pequeno e limitado"; abandonou a Deus e passou a ser escravo de um amor-próprio individualista, restrito e confinado. Esse é 0     grande problema do cristão - seja ele moderno ou antigo - e sua vida
pública. Amamos a nós mesmos de modo estreito e limitado e somos
indiferentes aos outros, à sociedade, às nações e a Deus.
.    O hedonismo cristão pode sobreviver à acusação de Edwards de amor-próprio?

Isso dá origem a uma questão - um problema para alguém como eu -, que gosta de usar a expressão "hedonismo cristão" para descrever a obediência bíblica e a teologia de Jonathan Edwards. O hedonismo cristão sugere que toda verdadeira adoração e virtude envolve a busca pelo prazer supremo - o que parece muito uma forma de amor-próprio.

Até mesmo o título deste capítulo levanta essa questão com as palavras "O prazer em Deus e a transformação cultural". A expressão "prazer em Deus" parece confundir as coisas, deixando implícito que devo buscar algum prazer para mim mesmo, quando Edwards diz que a essência da depravação humana é escravidão ao "amor-próprio". Se encararmos esse problema, chegaremos bem perto do cerne da ética de Edwards e veremos como é uma pessoa de espírito público autêntico.
O uso negativo da expressão "amor-próprio" - Egoísmo estreito

A primeira coisa a dizer é que Edwards usa o termo "amor-próprio" de duas maneiras bastante diferentes, uma negativa e outra neutra. O uso negativo é o mais freqüente. Em suas palavras: "O amor-próprio, conforme essa expressão é usada coloquialmente, significa, em geral, a deferência do homem pelo seu eu privado, ou o amor por si mesmo visando ao seu interesse privado"} E isso o que Edwards quer dizer com "amor-próprio" ao diagnosticar a nossa depravação.
Trata-se de um termo praticamente sinônimo de egoísmo. De acordo com Edwards, as pessoas governadas pelo amor-próprio "colocam a felicidade em boas coisas que são restritas ou limitadas a elas, e que excluem outros. E isso é egoísmo. E a isso que se relaciona mais diretamente o amor-próprio condenado pelas Escrituras". É o que Paulo tem em mente ao dizer em 1 Coríntios 13.5: "[o amor] não procura os seus interesses". "Quando se diz que o amor não procura os seus interesses, deve-se entender que se trata do seu bem privado, o bem limitado a si mesmo". Em outras palavras, o verdadeiro amor espiritual não é governado por uma busca estreita, limitada e confinada do próprio prazer.

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