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24 de jan de 2010

O Fruto do Espírito - J. Edwards




Em primeiro lugar, o Espírito de Cristo é eternamente dado à sua igreja e povo, para influenciar e habitar ne­les. Em  segundo lugar, há outros frutos do Espírito além do divino amor, pelos quais o Espírito de Deus é comunicado à sua igreja. Em terceiro lugar, estes outros frutos são apenas para uma época, e ou já cessa­ram, ou, em algum tempo, cessarão Em quarto lugar, o amor, o divino amor, é aquele grande e incessante fruto do Espírito, por meio do qual se manifes­tará sua eterna influência e habitação nos santos ou na sua igreja.

I. O Espírito de Cristo é eternamente dado à sua igreja e povo, para influenciar e habitar neles. O Espírito Santo é a grande aquisição, ou o dom adquirido, de Cristo. A principal e o total de todas as coisas boas nesta vida e na por vir, que foram adquiridos para a igreja, é o Espírito Santo. E como Ele é a grande aquisição, do mesmo modo Ele é a grande promessa, ou a grande coisa prometida por Deus e Cristo à igreja; como disse o apóstolo Pedro no dia de Pentecostes: "A este Jesus... Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis" (Atos 2.32,33). Esta grande aquisição e promessa de Cristo é para ser dado à sua igreja para sempre. Ele prometeu que sua igreja continuará, e declarou expressa­mente que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E para que ela possa ser preservada, Ele tem dado seu Santo Espírito a cada verdadeiro membro dela, e prometido a permanência daquele Espírito nela para sempre. Sua própria linguagem é: "e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós" (João 14.16,17).
O homem, no seu primeiro estado no Éden, tinha o Espírito Santo, porém, ele O perdeu por sua desobediência. Todavia, um meio tem sido providenciado, pelo qual Ele pode ser restituído, e agora dado uma segunda vez, para nunca mais apartar-se dos santos. O Espírito é dado deste modo ao seu próprio povo com o propósito de tornar-se verdadeiramente deles. Ele, com certeza, foi dado aos nossos primeiros pais no estado de inocência deles, e habitou com eles, mas não no mesmo sentido em que é dado aos, e habita nos, crentes em Cristo. Eles não tinham nenhum di­reito próprio ou título seguro de posse do Espírito, e Ele não lhes foi dado uma vez para sempre, como para os crentes em Cristo, pois se tivesse sido, eles nunca O teriam perdido. Todavia, o Espírito de Cristo não é somente comunicado àqueles que são convertidos; Ele lhes é transferido por meio de uma aliança segura, para que torne-se deles próprios. Cristo torna-se deles, e, portanto, sua plenitude é deles — sua aquisição, promessa, e possessão segura. Mas,


II. Há outros frutos do Espírito além daquele que sumariamente consiste em amor, o divino amor, pelos quais o Espírito de Deus é comuni­cado à sua igreja. Por exemplo,

1. O Espírito de Deus foi transmitido à sua igreja em dons extraordinários, tais como o dom de milagres, o dom de inspiração, etc. O Espírito de Deus parece ter sido comunicado à igreja em tais dons, anteriormente aos profetas no tempo do Velho Testamento, e aos apóstolos, aos evan­gelistas, aos profetas, aos primeiros ministros do evangelho em geral, e também às multidões de crentes comuns, no tempo do Novo Testamento. A eles foram dados tais dons como o de profecia, o dom de línguas, e o dom chamado de o dom do conhecimento, e outros mencionados no contexto e no capítulo anterior. E além destes,

2. Há os dons comuns e ordinários do Espí­rito de Deus. Estes, em todas as épocas, têm sido mais ou menos outorgados aos muitos homens na­turais e inconvertidos, em comum convicção de pecado, em comum iluminação, e comuns afeições religiosas, que, ainda que eles não tenham nada em si da natureza do divino amor, ou da graça verdadeira e salvadora, são também frutos do Es­pírito, no sentido que são o efeito das influências dEle no coração dos homens. E quanto à fé e à esperança, se nada há nelas do divino amor, não pode haver mais do Espírito de Deus nelas do que o que é comum ao homem natural irregenerado. Isto está claramente inferido pelo apóstolo, quando ele diz neste capítulo: "Ainda que eu tenha ta­manha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei". Toda fé e esperança sal­vadora tem o amor em si como ingrediente, e como sua essência; e se este ingrediente for tirado, nada há que é deixado senão o corpo sem o espírito. E isto não é nada salvífico; mas, quando muito, apenas um fruto comum do Espírito.

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