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16 de jan de 2010

Deus é o nosso Grande Bem! J. Edwards


Os redimidos têm todo o seu benefício objetivo em Deus. O próprio Deus é o grande bem ao qual eles são levados à posse através da redenção. Ele é o bem maior e a soma de todo o bem que Cristo comprou. Deus é a herança dos santos. Ele é a porção da alma. Deus é a riqueza, o tesouro, o alimento, a vida, o lugar de habitação, o ornamento, o diadema, a honra e a gloria perpétuas dos redimidos. Eles não têm nada no céu exceto Deus. Ele é o grande bem que os redimidos recebem na morte e através do qual eles ressuscitarão no fim do mundo. O Senhor Deus é a luz da Jerusalém celestial. É "o rio puro da água da vida" que corre e "a árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus" (Ap 22.1; 2.7). A gloriosa excelência e beleza de Deus será o que entreterá a mente dos santos para sempre, e o amor de Deus será o seu banquete perpétuo. Os redimidos desfrutarão de outras coisas. Eles desfrutarão dos anjos, se alegrarão uns para com os outros. Mas aquilo que eles desfrutarão com os anjos, ou uns com os outros, ou no que quer que seja que lhes dê deleite e felicidade, será o que será visto de Deus neles. 

redimidos não só derivam de Deus, ainda que causados por Ele, mas as têm nEle. Eles têm excelência e alegria espirituais por um tipo de participação em Deus. Eles são feitos excelentes por uma comunicação da excelência de Deus. Deus põe sua própria beleza, ou seja, sua semelhança formosa, na alma dos redimidos. Eles são feitos participantes da natureza divina ou imagem moral de Deus (2 Pe 1.4). Eles são santos por terem sido feitos participantes da santidade de Deus (Hb 12.10). Os santos são formosos e benditos pela comunicação da santidade e alegria de Deus, como a lua e os planetas são iluminados pela luz solar. Os santos têm alegria e prazer espirituais por um tipo de efusão de Deus na alma. Os redimidos têm comunhão com Deus nestas coisas, ou seja, eles participam com Ele e nEle. 

Os santos têm sua excelência e bem-aventuranças espirituais pelo dom do Espírito Santo e por sua habitação neles. Eles não só são causados pelo Espírito Santo, mas estão nEle como seus princípios. O Espírito Santo, que se torna habitante, é um princípio vital na alma. Ele, agindo na alma, torna-se fonte de verdadeira santidade e alegria, como fonte de água pelo esforço e difusão de si mesma: "Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna" (Jo 4.14); "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (Jo 7.38,39). A importância de Cristo ter nos comprado é a fonte de água mencionada mais acima, os rios de água viva há pouco mencionados. A plenitude das bênçãos que os redimidos receberão no céu é o rio da água da vida que procede do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 22.1). Este rio indubitavelmente representa os mesmos rios de água viva explicados em João 7.38,39, que em outra passagem são chamados "rio cujas correntes alegram a cidade de Deus" (SI 46.4). Nisto consiste a plenitude do bem que os santos recebem de Cristo. É pela participação do Espírito Santo que eles têm comunhão com Cristo na sua plenitude. Deus tem dado o Espírito, sem medida sobre Ele. Eles recebem da sua plenitude e graça sobre graça. Esta é a plenitude da herança dos santos. Está escrito que esse pouco do Espírito Santo que os crentes têm neste mundo é o extremo da herança que eles possuem: "O qual também nos se lou e deu o penhor do Espírito em nossos corações" (2 Co 1.22); "Ora, quem para isso mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito" (2 Co 5.5); "Em quem tam bém vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evan gelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes sela dos com o Espirito Santo da, promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória" (Ef 1.13,14). 

O Espírito Santo e as coisas boas são mencionadas na Escritura como o mesmo bem. E como se o Espírito de Deus comunicado à alma incluísse todas as coisas boas: "Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" (Mt 7.11); "Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lc 11.13). Esta é a plenitude das bênçãos pelas quais Cris to morreu a fim de obter e o assunto das promessas do evangelho: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, [...] para que, pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito" (Gl 3.13,14). O Espírito de Deus é a grandiosa promessa do Pai: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai" (Lc 24.49). O Espírito de Deus é chamado "o Espírito Santo da promessa" (Ef 1.13). Cristo recebeu esta bênção prometida e foi dada em suas mãos, assim que Ele terminou a obra de nossa redenção para conceder a todos os que Ele tinha redimido: "De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.33). De forma que toda a santidade e felicidade dos redimidos estão em Deus. Está na comunicação, habitação e ação do Espírito de Deus. A santidade e felicidade estão no fruto, aqui e no futuro, porque Deus habita neles e eles em Deus. 

Deus nos deu o Redentor, e é por meio dEle que nosso benefício é comprado. Deus é o Redentor e o preço; Ele também é o bem comprado. De forma que tudo o que temos é proveniente de Deus, através dEle e nEle: "Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!" (Rm 11.36). A mesma palavra grega que é traduzida aqui por "para ele", pode ser traduzida por "nele" (1 Co 8.6).  

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