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Por Amor do Seu Nome – Jonathan Edwards


[O nome de Deus é o objeto da deferência mais elevada das criaturas santas e do próprio Deus]

Devo observar aqui, em primeiro lugar, algumas passagens das Escrituras que se referem ao nome de Deus como o objeto da sua deferência e da deferência das criaturas virtuosas, santas e inteligentes, de maneira bastante semelhante àquela que observamos a respeito da glória de Deus.

O nome de Deus é, de igual modo, referido como o fim dos seus atos de bondade para com a parte boa do mundo moral, e de suas obras de misericórdia e salvação para com o seu povo. É o que vemos em 1 Samuel 12.22: "Pois o SENHOR, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo"; Salmo 23.3: "Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome"; Salmo 31.3: "Por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás"; Salmo 109.21: *Age por mim, por amor do teu nome"; 1 João 2.12: "Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome"; Salmo 25.11: "Por causa do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade, que é grande"; Salmo 79.9: "Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome"; Jeremias 14.7: "Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome".

Essas afirmações parecem mostrar que a salvação em Cristo é por amor ao nome de Deus. Conduzir e guiar pelo caminho da segurança e da felicidade, restaurar a alma, perdoar os pecados, bem como o socorro, o livramento e a salvação decorrentes dessas providências, são atos realizados por amor ao nome de Deus. E podemos observar que as duas grandes salvações temporais do povo de Deus - a libertação da escravidão no Egito e do cativeiro na Babilônia -, representadas com freqüência como imagens ou similitudes da redenção em Cristo, costumam ser referidas como realizações por amor ao nome de Deus.

Daí a grande obra de Deus ao livrar o seu povo do Egito e conduzi-lo a Canaã. 2 Samuel 7.23: "Quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem tu, ó Deus, foste resgatar para ser teu povo? E para fazer a ti mesmo um nome"; Salmo 106.8: "Mas ele os salvou por amor do seu nome"; Isaías 63.12: "Aquele cujo braço glorioso ele fez andai" à mão direita de Moisés? Que fendeu as águas diante deles, criando para si um nome eterno?". No capítulo 20 de Ezequiel, Deus faz uma recapitulação das várias partes dessa obra maravilhosa, acrescentando ocasionalmente: "J^-quefiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante das nações", como pode ser visto nos versículos 9,14,22. (Veja também Js 7.8,9 ["E, então, que farás ao teu grande nome?"]; Dn 9.15 ["Na verdade, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e a ti mesmo adquiriste renome"].)

E assim foi na redenção do cativeiro na Babilônia. Isaías 48.9,11: "Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo... Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome?". Ezequiel 36.21,22,23 apresenta o motivo para a misericórdia de Deus ao restaurar Israel: "Mas tive compaixão do meu santo nome ... Assim diz o SENHOR Deus: Não é por amor de vós70 que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome... que foi profanado entre as nações". E em Ezequiel 39.25: "Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Agora, tornarei a mudar a sorte de Jacó e me compadecerei de toda a casa de Israel; terei zelo pelo meu santo nome". Daniel ora pedindo que Deus perdoe o seu povo e use de misericórdia para com ele "por amor de ti mesmo" (Dn 9.19).

Quando Deus fala, ocasionalmente, de mostrar misericórdia e usar de bondade e promover a felicidade do seu povo, por amor ao seu nome, não podemos entender que se trata de um fim meramente subordinado. Seria extremamente absurdo dizer que ele promove a felicidade do povo por amor ao nome dele de modo subordinado ao bem do povo, e para que o nome dele seja exaltado apenas para o benefício do povo, como um meio para a felicidade deles!71 Especialmente quando são usadas expressões como, "Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome?" e "Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome... "Não é por amor de vós que eu faço isto... mas pelo meu santo nome".

Mais uma vez, as Escrituras mostram que o povo de Deus existia, pelo menos como tal, por amor ao nome de Deus. Isso fica implícito no fato de Deus tê-lo redimido ou comprado, para que pudesse ser o seu povo, para o seu nome. Como nas passagens mencionadas, temos 2 Samuel 7.23: "Quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem tu, ó Deus, foste resgatar para ser teu povo? E para fazer a ti mesmo um nome". O fato de Deus fazer de Israel um povo para o seu nome também fica subentendido em Jeremias 13.11: "Porque, como o cinto se apega aos lombos do homem, assim eu fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e nome". Atos 15.14: "Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome".

Esse fato também é referido como o fim visado pela virtude, pela religião e pela conduta íntegra dos santos. Romanos 1.5: "por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios"; Mateus 19.29: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ... por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna"; 3 João 7:"... pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios"; Apocalipse 2.3: "E tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer".

E vemos que as pessoas santas expressam anseio por isso e alegria nisso do mesmo modo que o fazem em relação à glória de Deus. 2 Samuel 7.26: "Seja para sempre engrandecido o teu nome"; Salmo 76.1: "Conhecido é Deus em Judá; grande, o seu nome em Israel"; Salmo 148.13: "Louvem o nome do SENHOR, porque só o seu nome é excelso; a sua majestade [glória na versão da Bíblia usada pelo autor- N.T.] é acima da terra e do céu". Salmo 145.13: "O teu reino [nome na versão da Bíblia usada pelo autor - N.T.] é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações"; Isaías 12.4: "Tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome".

De acordo com as Escrituras, os julgamentos que Deus executa sobre os perversos são por amor ao seu nome, do mesmo modo como o são para a sua glória. Êxodo 9.16: "mas, deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra"; Neemías 9.10: "Fizeste sinais e milagres contra Faraó e seus servos e contra todo o povo da sua terra, porque soubeste que os trataram com soberba; e, assim, adquiriste renome, como hoje se vê".

E é dito que esse nome é conseqüência das obras da criação, como o é, também, a glória de Deus. Salmo 8.1: "O SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nomel Pois expuseste nos céus a tua majestade" ["glória" na versão da Bíblia usada pelo autor -N.T.]. Na conclusão das observações acerca das obras da criação, o Salmo termina da seguinte maneira no versículo 9: "O SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nomel". O mesmo se dá no Salmo 148.13, depois da menção específica das diversas obras da criação: "Louvem o nome do SENHOR, porque só o seu nome é excelso; a sua majestade é acima da terra e do céu".
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Jonathan Edwards ( 1703 - 1758) - Um Gigante Espiritual


No começo do século 18, era visível nas 13 colônias — que em breve seriam conhecidas como Estados Unidos — o declínio da fé evangélica, provocado pela influência do processo colonizador, com seu subseqüente aumento populacional, sucessão de guerras brutais e declínio da espiritualidade dos ministros.

Um gigante espiritual

Jonathan Edwards nasceu em 1703, único filho homem de Timothy Edwards, que era pastor congregacional em East Windsor, Connecticut. Pouco antes de completar 13 anos, entrou no Yale College. Em 1720, recebeu o grau de bacharel, e aos 20 anos recebeu o grau de mestre em artes. Em abril ou maio de 1721, Edwards experimentou a conversão:

A partir daquele tempo, eu comecei a ter um novo tipo de compreensão e idéias a respeito de Cristo, e da obra da redenção e do glorioso caminho da salvação através dele. Eu tinha um doce senso interior dessas coisas, que às vezes vinham ao meu coração; e a minha alma era conduzida em agradáveis vistas e contemplações delas. E a minha mente estava grandemente engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo; e a beleza e a excelência de sua pessoa, e o amável caminho da salvação, pela livre graça nele [...]. Esse senso que eu tinha das coisas divinas freqüentemente e repentinamente se inflamava, como uma doce chama em meu coração; um ardor da alma, que eu não sei expressar.

Em 1727, foi ordenado ao pastorado. Ele diz de sua consagração:
Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como quem tivesse direitos de forma alguma [...], travando, assim, uma batalha com o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida.
Edwards passou a auxiliar seu avô, Solomon Stoddart, no ministério da igreja congregacional de Northampton, Massachusetts. Após a morte do avô, um pastorado que durou sessenta anos, ele assumiu a igreja.
No período entre 1735 e 1737, durante uma série de pregações sobre a justificação pela graça por meio da fé, começou um pequeno avivamento em sua congregação. Seus ouvintes sentiram as grandes verdades das Sagradas Escrituras: toda boca ficará fechada no dia do juízo e "não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no inferno, senão o bel-prazer de Deus". Em suas palavras, "o Espírito de Deus começou a traba¬lhar de maneira extraordinária. Muita gente estava correndo para receber Jesus. Esta cidade estava cheia de amor, cheia de alegria e cheia de temor. Havia sinais notáveis da presença de Deus em quase cada casa". Entre 1739 e 1741, George Whitefield pregou em 12 das 13 colônias, e teve um papel central na continuação desse avivamento. De 25 a 50 mil pessoas se converteram, entrando para as igrejas — nessa época, a população da Nova Inglaterra era calculada em 250 mil pessoas —, sem contar os já convertidos e membros das igrejas.

Era costume de sua igreja conceder o privilégio a qualquer pessoa, mesmo sem ser membro da igreja, para participar da ceia do Senhor. Por requerer uma base estrita para participar da ceia, Edwards foi demitido de sua igreja em 1750. D. M. Lloyd-Jones disse que essa foi uma das coisas mais espantosas que já aconteceram, e deve servir como uma palavra de encorajamento para os ministros e pregadores. Lá estava Edwards — o altaneiro gênio, o poderoso pregador, o homem que estava no centro do grande avivamento — e, todavia, foi derrotado na votação de sua igreja, por duzentos e trinta votos, contra apenas vinte e três a seu favor.

Lloyd-Jones conclui: "Não se surpreendam, portanto, irmãos, quanto ao que possa acontecer com vocês em suas igrejas".

Depois disso, Edwards foi ser missionário junto aos índios mohawk e housatonic, num posto na fronteira, em Stockbridge. Foi lá que ele escreveu alguns de seus tratados teológicos mais importantes. Em 1757, aceitou a presidência do College of New Jersey, que agora é a Universidade de Princeton, e, em 1758, depois de receber uma vaci¬na contra varíola, que estava sendo testada, ele morreu.

Um pastor de múltiplos interesses

Ao considerarmos os escritos de Edwards, temos um vislumbre de seus interesses e aptidões. Ele escreveu cerca de mil sermões, e seu alvo era levar os homens a entenderem e sentirem a verdade do evangelho e responderem a ela. Seus sermões eram esboçados segundo o método puritano, que incluía a exposição do texto bíblico escolhido, apresentação da doutrina — apoiada por outros textos bíblicos — e aplicação às questões do dia-a-dia. Ele ocultava sua erudição por traz de uma clareza deliberadamente simples.

Pecadores nas mãos de um Deus irado (1740), baseado em Deuteronômio 32.25, é seu sermão mais famoso. Antes desse sermão, por três dias, Edwards não se alimentara nem dormira; rogara a Deus sem cessar: "Dá-me a Nova Inglaterra!". O povo, ao entrar para o culto, se mostrava indiferente e mesmo desrespeitoso diante dos cinco pregadores que estavam presentes. Edwards iria pregar, e, ao dirigir-se para o púlpito, alguém disse que ele tinha o semblante de quem fitara, por algum tempo, o rosto de Deus. Sem quaisquer gestos, encostado num braço sobre o púlpito, segurava o manuscrito e o lia numa voz calma e penetrante. O resultado do sermão foi como se Deus arrancasse um véu dos olhos da multidão para contemplar a realidade e o horror em que estavam. Em certa altura, um homem correu para frente, clamando, suplicando por oração, sendo interrompido pelos gemidos de homens e mulheres; quase todos ficaram de pé ou prostrados no chão, alguns se agarrando às colunas da igreja, pensando que o juízo final havia chegado. Durante a noite inteira ouviu-se na cidade, em quase todas as casas, o clamor daqueles que, até aquela hora, confiavam em sua própria justiça. O efeito foi duplo:

Primeiro [...], eles abandonavam as suas práticas pecaminosas [...]. Depois que o Espírito de Deus começou a ser derramado tão maravilho¬samente de uma maneira geral sobre a vila, pessoas logo deixaram as suas velhas brigas, discussões e interferências nos assuntos dos outros. A taverna logo foi deixada vazia, e as pessoas ficavam em casa; ninguém se afastava, a não ser para negócios necessários ou por causa de algum motivo religioso, e todos os dias pareciam, em muitos sentidos, como o dia de domingo. Segundo, eles começavam a aplicar os meios de salvação; leitura, oração, meditação, as ordenanças pessoais; seu clamor era: "O que devo fazer para ser salvo?".

Edwards reconheceu que "mais de 300 almas foram salvas, trazidas para Cristo", em Northampton. Nesta época sua cidade tinha cerca de 2 mil habitantes!
Não havia sequer uma pessoa na cidade, velha ou jovem, que não estivesse interessada nas grandiosas coisas do mundo eterno [...]. O trabalho de conversão era levado adiante da maneira mais surpreendente; as almas vinham, multidões delas, a Jesus Cristo.

Outro sermão magistral é uma exposição verso por verso de l joão 4, A verdadeira obra do Espírito (1741). Edwards sabia que problemas acompanham o avivamento, pois Satanás — o qual, segundo ele observou, foi "treinado no melhor seminário teológico do universo" — segue a um passo de Deus, pervertendo ativamente e caricaturando tudo quanto o Criador está fazendo. Então, na primeira patte de seu sermão, ele passa a mosrrar quais são os sinais que supostamente negam uma obra espiritual. Na segunda parte, então, ele demonstra os sinais bíblicos de uma obra do Espírito Santo. São elas: "amor por Jesus, Filho de Deus e Salvador dos homens", "agir contra os interesses do reino de Satanás, que busca encorajar e firmar o pecado, e fomentar as paixões mundanas nos homens", "profunda consideração pelas Sagradas Escrituras", revelação dos caracteres "opostos do Espírito de Deus e dos outros espíritos que falsificam suas obras" e "se o espírito que está em ação em meio a um povo opera como espírito de amor a Deus e ao homem, temos aí um sinal seguro de que esse é o Espírito de Deus". Assim era Edwards, nem crédulo nem hipercrítico, sempre examinando os dois lados.

Seu interesse por temas teológicos se evidencia pela amplidão de suas obras, abordando quase todos os temas doutrinários. As vezes, ele tem sido considerado um teólogo-filósofo, por causa de alguns de seus escritos, mas jamais deixou que a filosofia lhe ensinasse a fé ou que o desviasse da Bíblia. Ele extraía das Escrituras as convicções, e a verdadeira estatura dele deve ser aquilatada como um teólogo bíblico.

Como disse J. I. Packer, "por toda a sua vida, Edwards alimentou a alma com a Bíblia; por toda a sua vida, alimentou o rebanho com a Bíblia". Ele é mais freqüentemente estudado por causa da sua descrição agostiniana do pecado humano e da total suficiência da graça de Deus em Cristo por meio do Espírito. Mark Noli diz que, para Edwards, a raiz da pecaminosidade humana era o antagonismo contra Deus; Deus era justificado ao condenar os pecadores que menosprezavam a obra de Cristo em favor deles; a conversão importava uma mudança radical do coração; o cristianismo verdadeiro envolvia não somente compreender algo de Deus e dos fatos das Escrituras, como também um novo senso da beleza, santidade e verdade divinas. Na mente de Edwards, as implicações para a conversão, que o conceito da natureza humana subentendia, ocupavam o lugar principal. Ele dizia que um pecador, por natureza, nunca escolheria glorificar a Deus, a não ser que o próprio Deus mudasse o caráter daquela pessoa ou — segundo a expressão do próprio Edwards — implantasse um novo 'senso do coração' para amar e servir a Deus.

A regeneração, ato de Deus, era a base para as ações humanas do arrependimento e da conversão. Ele cria que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas; então, proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto a urgente responsabilidade dos homens.

O Tratado das afeições religiosas (1746), baseado numa série de sermões em 1 Pedro 1.8, é um tratado clássico de psicologia da religião. Apesar de sua educação lógica e racional, Edwards argumentava que a religião verdadeira reside no coração, no centro das afeições, emoções e inclinações. Ele detalhava de forma minuciosa os tipos de emoções religiosas que, em grande medida, são irrelevantes à espiritualidade verdadeira. Esse livro termina com uma descrição de 12 marcas que indicam a presença da verdadeira espiritualidade cristã. A primeira era uma afeição que surgia "daquelas influências e operações sobre o coração, que são espirituais, sobrenaturais e divinas". A última era a manifestação de afeições genuínas e verdadeiras, que demonstram seus frutos na prática cristã. A análise cuidadosa de Edwards sobre a fé genuína enfatizava que não é a quantidade de emoções que indica a presença da verdadeira espiritualidade, mas as origens de tais afeições em Deus, e a sua manifestação em obras que o glorifiquem.

Pela influência de seus escritos, ele é considerado o maior teólogo dos Estados Unidos. Lloyd-Jones, que devia muito aos escritos de Edwards, disse: "Eu sou tentado, talvez tolamente, a comparar os puritanos aos Alpes, Lutero e Calvino ao Himalaia e Jonathan Edwards ao monte Everest". Edwards dependia totalmente da graça de Deus, que dominava sua peregrinação intelectual, sempre mantendo seu intelecto e estudos subordinados à Escritura.

A família

Edwards se casou aos 24 anos, em 1728, com Sarah Pierrepont, filha de um pastor. Ela era uma mulher muito inteligente, porém, como seu marido, totalmente devota à glória de Deus e a uma experiência de oração que a levava, algumas vezes, à quase falência física. Sarah sempre acompanhava o marido nos momentos de oração.

Em seu momento devocional diário, Edwards ia a cavalo para um bosque, e caminhava sozinho, meditando. Anotava suas idéias em pedaços de papel e, para não perdê-los, os pendurava no casaco. Ao voltar para casa, era recebido por Sarah, que o ajudava a tirar as anotações. Eles eram profundamente dedicados um ao outro, e entre as últimas palavras de Edwards, quando estava à beira da morte em New Jersey, algumas dirigiam-se a Sarah, que ainda estava em Stockbridge. Ele disse: "Dê o meu mais bondoso amor para minha esposa, e diga a ela que a excepcional união, que tem subsistido entre nós por tanto tempo, tem sido de tal natureza, que eu creio ser espiritual, e, portanto, continuará para sempre". Pensaram que Edwards havia morrido logo depois de dizer isso, e começaram a lamentar; então, ele disse suas últimas palavras: "Confiai em Deus e não precisareis temer".

Eles tiveram 11 filhos, todos cristãos, e sua vida familiar foi um modelo para todos os que os visitaram.

As missões cristãs

Edwards também escreveu um livro intitulado Uma humilde tentativa de promover uma clara concordância e união visível do povo de Deus em extraordinária oração, pelo reavivamento da religião e o avanço do Reino de Cristo na terra (1748). Nessa obra ele faz um apelo às muitas pessoas, "em diferentes partes do mundo, por ex-pressa concordância para se chegar a uma união visível em extraordinária, [...] fervente e constante oração, por aquelas grandes efusões do Espírito Santo, o qual trará o avanço da igreja e do Reino de Cristo". Sua convicção era que, "quando Deus tem algo muito grande a realizar por sua igreja, é de sua vontade que seja precedido pelas extraordinárias orações do seu povo".

Nesse tempo, a condição espiritual das igrejas batistas na Inglaterra era deplorável. John Sutcliff, pastor da igreja batista de Olney, Buckinghamshire, leu o livro de Edwards e propôs aos seus companheiros pastores, na Associação Northampshire, que separassem uma hora na primeira segunda-feira à noite de cada mês para orar, para que "o Espírito Santo possa ser derramado em seus ministérios e igrejas, para que os pecadores possam ser convertidos, os santos edificados, o interesse da religião revificado e o nome de Deus glorificado".

Um grande avivamenro se seguiu a tais reuniões. A influência de Edwards sobre Sutcliff e seus amigos, que incluíam William Carey e Andrew Fuller, foi tal que este escreveu: "Alguns dizem que, se Sutcliff e alguns outros tivessem pregado mais de Cristo, e menos de Jonathan Edwards, eles teriam sido mais úteis", replicando em seguida: "Se aqueles que falam assim, pregassem Cristo metade do que Edwards fazia, e fossem metade tão úteis como ele foi, sua utilidade seria o dobro do que ela é". Por causa da profunda impressão do livro de Edwards, em 1792 esses homens fundaram a Sociedade Batista Particular para Propagação do Evangelho entre os Pagãos — que veio a se tornar a Baptist Missionary Society —, sendo Fuller seu primeiro secretário

O legado

Há pelo menos duas aplicações que podemos fazer. Uma diz respeito à necessidade de avivamento, em nossa época. Devemos temer e combater os excessos que ocorrem nesses despertamentos — que mesmo em Atos aconteceram —, mas não eles. Como Edwards disse: "Pode-se observar que, desde a queda do homem até os nossos dias, a obra de redenção, em seus feitos, tem sido realizada principalmente por extraordinárias comunicações do Espírito Santo". As Escrituras nos exortam a ser cheios do Espírito (Ef 5.18), a provar os espíritos (ljo 4.1) e a não extinguir o Espírito (lTs 5.19). Edwards nos ensina que os despertamentos, à semelhança dos dons, são dádivas de Deus (ICo 12.11), que não podem ser fabricados ou manipulados pelo homem, mas esperados na misericórdia e soberania de Deus.
A pobreza da reflexão moderna sobre Deus é evidente. Somos uma geração que perdeu a consciência da beleza da glória do Senhor, quando comparada com o que podemos aprender daquilo que Edwards compartilha conosco:

Deus é um Deus glorioso. Não há ninguém como ele, que é infinito em glória e excelência. Ele é o altíssimo Deus, glorioso em santidade, temível em louvores, que faz maravilhas. Seu nome é excelente em toda a terra, e sua glória está acima dos céus. Entre todos os deuses não há nenhum como ele [...]. Deus é a fonte de todo o bem e uma fonte inextinguível; ele é um Deus todo suficiente, capaz de proteger e defender [...] e fazer todas as coisas [...].Ele é o Rei da glória, o Senhor poderoso na batalha: uma rocha forte, e uma torre alta. Não há nenhum como o Deus [...] que cavalga no céu [...]: o eterno Deus é um refugio, e sob ele estão braços eternos. Ele é um Deus que tem todas as coisas em suas mãos, e faz tudo aquilo que lhe agrada: ele mata e faz viver; ele leva ao túmulo e ergue de lá; ele faz o pobre e o rico: os pilares da terra são do Senhor [...]. Deus é um Deus infinitamente santo; não há nenhum santo como o Senhor. E ele é infinitamente bom e misericordioso. Muitos outros adoram e servem como deuses, são seres cruéis, espíritos que procuram a ruína das almas; mas este é um Deus que se deleita na misericórdia; sua graça é infinita, e permanece para sempre. Ele é o próprio amor, uma infinita fonte e um oceano dele.

Franklin Ferreira

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A Carruagem de Deus – Jonathan Edwards



[Todas as rodas da providência giram no sentido da salvação do povo de Deus]

O fato de Deus, no governo da criação, usá-la para o bem de seu povo é apresentado de forma excelente em Deuteronômio 33.26: "Não há outro, ó amado, semelhante a Deus [Jeshururm] que cavalga sobre os céus". O universo inteiro é uma carruagem ou máquina que Deus criou para uso próprio, conforme representado na visão de Ezequiel. O trono de Deus é o céu, onde ele está assentado e de onde governa, conforme Ezequiel 1.22,26-28. A parte inferior da criação - este universo visível, sujeito a mudanças contínuas e revoluções - constitui as rodas da carruagem. A providência de Deus - suas revoluções, suas alterações e seus acontecimentos sucessivos - é representada pelo movimento das rodas da carruagem, impelidas pelo Espírito daquele que está assentado no seu trono nos céus ou acima do Armamento. Moisés revela o motivo pelo qual Deus move as rodas da sua carruagem ou anda nesta, assentado no seu trono celestial, e com que fim ele avança ou realiza essa jornada, ou seja, a salvação do seu povo.

[O julgamento de Deus sobre os perversos visa à felicidade definitiva do povo de Deus]

Os julgamentos de Deus sobre os perversos deste mundo e também a condenação eterna deles no mundo por vir têm por objetivo a felicidade do povo de Deus. O mesmo se aplica aos seus julgamentos sobre eles neste mundo. Isaías 43.3,4: "Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida". Também as obras da justiça e ira vingadoras de Deus são referidas como obras de misericórdia para com o seu povo no Salmo 136.10,15,17-20 ["Àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua misericórdia dura para sempre; ... mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, porque a sua misericórdia dura para sempre;... àquele que feriu grandes reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; e tirou a vida a famosos reis, porque a sua misericórdia dura para sempre; a Seom, rei dos amorreus, porque a sua misericórdia dura para sempre; e a Ogue, rei de Basã, porque a sua misericórdia dura para sempre"].

O mesmo se aplica à condenação eterna no outro mundo. Romanos 9.22,23: "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão...?". Fica evidente que o último versículo é ligado aos anteriores a fim de apresentar outro motivo para a destruição dos perversos, ou seja, mostrar as riquezas da glória de Deus em vasos de misericórdia: graus mais elevados de glória e felicidade, satisfação nos deleites deles e uma percepção maior do seu valor e da graça abundante de Deus ao lhes conceder tais riquezas.
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O Deleite Divino na Salvação – Jonathan Edwards


[Deus se deleita na obra salvífica de Cristo como um fim supremo da criação]

A obra da redenção realizada por Jesus Cristo é de tal maneira referida como conseqüência da graça e do amor de Deus pelos homens que não pode ser coerente com a idéia de que ele procura lhes comunicar o bem apenas de modo subordinado. Expressões como as de João 3.16 ("Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna")- 1 João 4.9,10: ("Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados"). Bem como Efésios 2.4: ("Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou"), apresentam outra idéia. Caso, porém, isso se desse apenas em razão de um fim ulterior, inteiramente distinto do nosso bem,81 todo amor seria concretizado e manifestado nesse objeto supremo, estritamente falando, e não no fato de que ele nos amou, ou que teve por nós a mais alta consideração. Se o nosso bem ou interesse não é considerado de modo supremo, mas apenas subordinado, é, em si mesmo, tido como nada para Deus.

As Escrituras sempre mostram que as grandes coisas que Cristo fez e sofreu foram, no sentido mais direto e estrito, decorrentes do seu imenso amor por nós. O apóstolo Paulo expressa esse fato da seguinte maneira em Gaiatas 2.20: "Vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim". Efésios 5.25: "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela". O próprio Cristo diz em João 17.19: "E a favor deles eu me santifico a mim mesmo". E as Escrituras mostram Cristo descansando na salvação e na glória do seu povo, quando estas são obtidas depois de terem sido buscadas acima de todas as coisas, como tendo alcançado o seu objetivo, recebido o prêmio pretendido e desfrutado o trabalho da sua alma no qual ele se satisfaz, como recompensa desse labor e das agonias extremas. Isaías 53.10,11: 'Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si". Ele vê o trabalho da sua alma ao ver sua descendência, os filhos gerados por esse trabalho. Isso implica que Cristo se deleita, de modo absolutamente verdadeiro e próprio, em obter a salvação da sua igreja não apenas como um meio, mas como aquilo no que ele se regozija e se satisfaz, mais direta e particularmente.

Esse fato pode ser comprovado pelas passagens das Escrituras de acordo com as quais Cristo se regozija ao obter esse fruto de seu trabalho e aquisição, como o noivo quando recebe sua noiva. Isaías 62.5: "Como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus". E quão enfáticas e veementes quanto ao seu propósito são as expressões em Sofonias 3.17: "O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo". Pode-se dizer o mesmo de Provérbios 8.30,31 ("Então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens") e das passagens que falam dos santos como a herança de Deus, suas jóias e propriedade peculiar, afirmações amplamente corroboradas em João 12.23-32:
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A Beneficência de Deus é Abnegada - Jonathan Edwards


O amor-próprio de Deus não pode ser egoisticamente restrito, pois a criação como um todo é uma expressão de Deus


Porém, a respeito do Ser Divino, não existe nele qualquer egoísmo restrito nem amor-próprio contrário à benevolência geral. Trata-se de algo impossível, pois Deus compreende toda a existência e excelência na sua essência. O Ser eterno e infinito é, com efeito, o ser em geral e abarca a existência universal. Na sua benevolência para com suas criaturas, Deus não pode expandir o coração para incluir seres que são originalmente externos, distintos e independentes dele. Essa impossibilidade é contrária a um Ser infinito, o único que existe desde a eternidade. Porém, na sua bondade, ele se expande de modo mais excelente e divino. Essa expansão é feita por meio da sua comunicação e da sua difusão e, portanto, em vez de encontrar objetos para a sua benevolência, ele os cria - não tomando objetos que encontra e que são distintos dele, compartilhando com eles, desse modo, o seu bem e se alegrando neles, mas sim fluindo e expressando-se para eles, fazendo-os participar dele e, então, regozijando-se no fato de ser expresso neles e comunicado a eles.

A beneficência de Deus é abnegada, pois não é constrangida por nenhum elemento exterior

Ao fazer o bem a outrem por amor-próprio, tiramos o mérito do desprendimento da benevolência, pois realizamos um ato em razão da dependência dos outros para receber o bem que precisamos ou desejamos. Assim, na nossa beneficência, não somos motivados voluntariamente, mas sim como que constrangidos por algo de fora de nós. No entanto, demonstramos de modo bastante específico que o fato de Deus fazer de si mesmo o seu fim não é argumento a favor de sua dependência; antes, é coerente com a sua absoluta independência e auto-suficiência.

Convém observar a existência de algo nessa disposição de comunicar bondade que mostra como Deus é independente e automotivado de modo peculiar e superior à beneficência das criaturas. Até mesmo as criaturas mais excelentes não são independentes nem automotivadas em sua bondade; antes, em todos os seus exercícios, são impelidas por algum objeto que encontram; algo que lhes parece bom ou, em algum sentido, digno de deferência surge e estimula sua bondade. Mas Deus sendo tudo e sendo único, é absolutamente automotivado. Os exercícios da sua disposição comunicadora são absolutamente originários dele mesmo; tudo o que é digno e bom no objeto e no seu ser é proveniente do transbordamento da plenitude divina.

Logo, não temos menos obrigação de ser gratos a Deus, ainda que a sua beneficência seja para a própria glória

Essas coisas mostram que a suposição de que Deus faz de si mesmo o seu fim supremo não diminui a obrigação da criatura de ser grata pela comunicação do bem recebido. Porquanto, uma diminuição dessa obrigação só poderia ser justificada por um dos seguintes motivos: a criatura não é tão beneficiada por essa comunicação; ou a disposição da qual ela flui não é, de fato, bondade e, portanto, não se mostra tão diretamente inclinada para o benefício da criatura; ou essa disposição não é, em si mesma, tão virtuosa e excelente; ou essa beneficência não é tão desinteressada. No entanto, foi observado que nenhuma dessas coisas é verdadeira a respeito da disposição em questão e que, supostamente, estimulou Deus a criar o mundo.

Por fim, a revelação é o guia mais confiável

Confesso que há certo grau de indistinção e obscuridade na consideração final desses assuntos e uma grande imperfeição nas expressões que empregamos para referir-nos a eles, resultantes, inevitavelmente, da sublimidade infinita do assunto e da incompreensibilidade das coisas que são divinas. Assim, a revelação é o guia mais confiável nessas questões, de modo que consideraremos a seguir o que ela ensina. No entanto, os esforços empregados para descobrir o que vem a ser a voz da razão até onde esta pode ser determinada talvez sirvam para preparar o caminho para evitar certos sofismas nos quais muitas pessoas insistem e também nos satisfazer com a constatação de que as asserções da Palavra de Deus a respeito desse assunto não são irracionais.
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Deus mesmo é o bem que Ele concede - Jonathan Edwards


Deus não perde coisa alguma da sua bondade, pois ele é o bem que ele concede

A disposição de Deus de fazer a sua plenitude infinita fluir pode ser chamada corretamente de bondade, pois o bem que ele comunica é aquilo em que se deleita, do mesmo modo que se deleita com sua glória. Na comunicação da bondade, a criatura não é menos beneficiada, nem a disposição divina se mostra menos propensa a buscar o benefício da criatura. Assim também, a disposição de Deus de difundir o seu bem não é menos excelente, pois implica o amor de Deus por si mesmo. Esse amor, por sua vez, não implica outra coisa senão o que é digno e excelente. A emanação da glória de Deus é, em si mesma, digna e excelente, de modo que Deus se deleita nela, e esse deleite fica implícito no seu amor por sua plenitude, pois essa é a fonte, a síntese e a abrangência de tudo o que é excelente.
O fato de Deus agir em razão do deleite em sua glória não deprecia a generosidade da sua ação.

Do mesmo modo, a inclinação de Deus para comunicar o bem por deferência a si mesmo ou por deleite na sua glória não deprecia, de maneira alguma, a generosidade de sua beneficência. Esse fato fica claro ao se considerar particularmente os modos pelos quais fazer o bem a outros por amor-próprio podem ser incoerentes com o desprendimento da beneficência. A meu ver, existem apenas dois modos:

A benevolência desinteressada consiste em agir desse modo por prazer

Quando alguém faz o bem a outrem em decorrência de um amor-próprio restrito, que é o oposto de uma benevolência geral, esse tipo de amor-próprio é chamado corretamente de egoísmo. Em certo sentido, a pessoa mais benevolente e generosa do mundo busca apropria felicidade ao fazer o bem a outros, pois, para ela, a felicidade se encontra no bem dos outros. Sua mente é expandida para incluir os outros. Assim, quando os outros estão felizes, a pessoa sente essa felicidade ao participar com eles dessa alegria. Não se trata de algo incoerente com o desprendimento da beneficência; ao contrário, é o que constitui a benevolência e a amabilidade. A beneficência mais abnegada que pode existir no homem é fazer o bem, não em decorrência do egoísmo restrito, mas de uma inclinação para a benevolência geral ou para o amor à existência em geral.
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No que Consiste a Santidade? - Jonathan Edwards


Deus preza a santidade na criatura e a santidade é, em essência, prezar a Deus

Temos aqui duas coisas para as quais precisamos atentai" em particular. (1) Em Deus, o amor por si mesmo e o amor do público não devem ser diferençados, como no caso do homem, pois o ser de Deus compreende todas as coisas. Uma vez que a sua existência é infinita, deve ser equivalente à existência universal. E, pelo mesmo motivo [o fato] de a afeição pública na criatura ser apropriada e bela, [segue-se que] a deferência de Deus por si mesmo também o é. (2) Em Deus, o amor àquilo que é apropriado e decoroso não pode ser algo distinto do amor dele por si mesmo, pois o amor de Deus é o que constitui, fundamentalmente e acima de tudo, toda a santidade, a qual deve consistir, em essência, do amor dele por si mesmo. Logo, se a santidade de Deus consiste do seu amor por si mesmo, fica implícita uma aprovação da estima e do amor dos outros por ele, pois um ser que se ama, necessariamente, ama amar-se. Se a santidade em Deus consiste principalmente em amor por si mesmo, a santidade na criatura deve, principalmente, consistir em amar a ele. E, se Deus ama a santidade nele mesmo, deve amá-la na criatura.

De acordo com a visão dos filósofos mais recentes e renomados, a virtude se encontra na afeição pública ou na benevolência geral. E, se a essência da virtude está em princípio nisso, o amor à virtude é igualmente virtuoso, uma vez que fica subentendido ou tem origem nessa afeição pública ou benevolência mais ampla da mente. Porquanto, se um homem ama o público de fato, também ama, necessariamente, o amor ao público.

Quando Deus faz da virtude o seu fim, faz de si mesmo o seu fim, uma vez que a virtude é a benevolência para com o Ser, ou seja, Deus.

Portanto, pelo mesmo motivo, se a benevolência universal no sentido mais nobre é a mesma coisa que a benevolência para com o Ser Divino, o qual é, na verdade, o Ser Universal, segue-se que o amor à virtude, em si, é igualmente virtuoso, uma vez que fica subentendido ou tem origem no amor ao Ser Divino.53 Em decorrência disso, o amor de Deus pela virtude fica implícito no seu amor por si mesmo e é igualmente virtuoso, uma vez que tem origem no amor dele por si mesmo. Assim, a disposição virtuosa de Deus, manifesta no amor à santidade da criatura, deve ser considerada parte do amor dele por si mesmo. E, por conseguinte, sempre que ele faz da virtude o seu fim, faz de si mesmo o seu fim. Logo, uma vez que Deus é um Ser absolutamente abrangente, todas as suas perfeições morais - sua santidade, justiça, graça e benevolência - devem, de um modo ou de outro, ser consideradas parte de uma deferência suprema e infinita por si mesmo. Nesse caso, não há dificuldade em supor que é apropriado para Deus fazer de si mesmo o fim supremo e maior nas suas obras.

Observo aqui, a propósito, que se há quem insista que convém a Deus amar e se deleitar na virtude da sua criatura em razão dela mesma, de tal modo que não a ama por deferência a ele mesmo, essa afirmação contradiz a objeção anterior ao fato de Deus se deleitar na transmissão de si mesmo, ou seja, que, tendo em vista Deus ser perfeitamente independente e auto-suficiente, a sua felicidade e o seu prazer consistem em desfrutar de si mesmo. Assim, se a mesma pessoa levanta essas duas objeções, se mostra incoerente.
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A Ira de Deus é Eterna como Ele – Jonathan Edwards


Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim. Ao olhar para o futuro, vocês verão à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá devorar vossos pensamentos e assombrar vossas almas. E vocês irão se desesperar, com certeza, por não conseguirem nenhum livramento, termo, alívio ou descanso para tanta dor. Saberão também, que terão de sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos, lutando e pelejando contra essa vingança inclemente e todo-poderosa. Então, depois de passar por tudo isso, quando tantos séculos vos tiverem consumido, saberão que tudo não passa apenas de uma gota d'água quando comparado ao que ainda resta. Portanto, vosso castigo será, com certeza, infinito. Oh!, quem poderia exprimir o estado de uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto, vai nos dar, apenas, uma débil e frágil visão da realidade. Ela é inexprimível, inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"

Que horrendo é o estado daqueles que diariamente, a cada hora, se encontram em perigo de sofrer tamanha ira e infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que seja. Queira Deus vocês pensassem em todas essas coisas, sejam jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles que ouviram o evangelho certamente estarão expostos a esse tormento por toda a eternidade. Não sabemos quem são eles, nem o que pensam. Pode ser que estejam tranqüilos agora, escutando esta mensagem sem se perturbarem muito, e que estejam até se gabando de que, no caso deles, conseguirão escapar. Se soubéssemos que dentre os nossos conhecidos existe uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós encarar o assunto. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos uma tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro, e prantear por sua causa. Mas, infelizmente, em vez de uma pessoa só, é provável que muitos se lembrem destas exortações somente no inferno! E inúmeras pessoas podem estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranqüilos e seguros, podem chegar lá antes do amanhecer. Todos os que dentre vocês continuarem até o fim em estado natural pecaminoso, e que conseguirem ficar fora do inferno por mais tempo, estarão lá também em breve. Sua condenação não tardará; virá de súbito, e provavelmente para muitos de vocês, de maneira repentina. Vocês têm toda razão em se admirarem de não estar ainda no inferno. É ocaso, por exemplo, de alguns conhecidos seus, que não mereciam o inferno mais do que vocês e que antes aparentavam ter possibilidade de estarem vivos agora tanto quanto vocês. Para o caso deles já não há esperança. Estão clamando lá em extrema penúria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos, cercados pelos meios de graça, tendo a grande oportunidade de obter a salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas, desesperadas, pela oportunidade de viver mais um só dia, como que vocês desfrutam neste momento!

E agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia de par em par, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Este é o dia em que muitos estão se reunindo a ele, se apressando em chegar ao reino de Deus. Inúmeros estão vindo diariamente do norte, sul, leste e oeste. Muitos que estavam até bem pouco tempo nas mesmas condições miseráveis que vocês estão felizes agora, com os corações cheios de amor por Aquele que os amou primeiro, e os lavou de seus pecados com seu próprio sangue, regozijando-se na esperança de ver a glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás num dia assim! Ver os outros se banqueteando, enquanto vocês estão penando e se definhando! Ver os outros se regozijando e cantando com alegria no coração, enquanto vocês só têm motivos para prantear por causa do sofrimento de seus corações, e de lamentar por causa das aflições e vossas almas! Como podem vocês descansar por um momento sequer em tal estado de alma? Será que vossas almas não são tão preciosas como as almas daqueles que, dia a dia, estão se juntando ao rebanho de Cristo?

Não existem, porventura, muitos que, apesar de estarem há longo tempo neste mundo, até hoje não nasceram de novo, e por isso são estranhos à comunidade de Israel, e nada têm feito durante a vida, a não ser acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh! senhores, o caso de vocês é, sem dúvida, extremamente perigoso. A dureza de vossos corações e a vossa culpa são imensas. Acaso vocês não vêem como geralmente pessoas de vossa idade são deixadas para trás na dispensação da misericórdia de Deus? Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. E vocês crianças, que não se converteram ainda, não sabem que estão indo para o inferno onde sofrerão a horrenda ira daquele Deus que agora está encolerizado contra vocês dia e noite? Será que vocês ficarão felizes em ser filhos do diabo, quando tantas outras já se converteram e se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?

Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo.

Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do Deus Todo-poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja de Sodoma: " Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças ."

“E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Coríntios 5.11-20; 6.2). “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). Amém.
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Pregando sobre o Inferno - Jonathan Edwards


Se nós que cuidamos das almas soubéssemos como é o inferno e conhecêssemos a situação dos condenados à perdição, ou se por algum outro meio nos tornássemos conscientes de quão pavorosa é a condição deles; se ao mesmo tempo soubéssemos que a maioria dos homens foi para lá e víssemos que nossos ouvintes não se dão conta do perigo – nestas circunstâncias, seria moralmente impossível que evitássemos mostrar-lhes com muita seriedade a terrível natureza de tal desgraça e como estão extremamente ameaçados por ele. Nós até mesmo lhe clamaríamos em alta voz.

Quando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, as ações também têm sua própria linguagem. Se o sermão de um pregador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, enquanto seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso – mostrando que ele não pensa assim – tal ministro vai contra seu objetivo, porque neste caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras. Não que eu credite que devemos pregar somente a Lei; acontece que ministros talvez preguem suficientemente outras coisas. O evangelho deve ser proclamado tanto quanto a Lei e esta deve ser pregada apenas para preparar o caminho para o evangelho, a fim de que ele possa ser proclamado de modo mais eficaz. A principal tarefa dos ministros é pregar o evangelho: "Porque o fim da Lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4). Portanto, um pregador ficaria muito além da verdade se insistisse demais nos terrores da Lei, esquecendo seu Senhor e negligenciando a proclamação do evangelho. Mesmo assim, porém, a Lei realmente deve ser enfatizada, e sem isso a pregação do evangelho talvez seja em vão.

Certamente, é belo falar com seriedade e emoção, conforme convém à natureza e importância do assunto. Não nego que possa existir um pouco de impetuosidade imprópria, diferente daquilo que, pela lógica, decorreria da natureza do tema, fazendo com que forma e conteúdo não estejam de acordo. Alguns dizem que é ilógico usar o medo a fim de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para afugentar as pessoas do inferno em cujas margens elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem se dar conta do perigo. Não seria justo afugentar alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico.
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As perfeições, a grandeza e a excelência de Deus – Jonathan Edwards


Podemos ver que as manifestações das perfeições de Deus, de sua grandeza e excelência são referidas de maneira bastante semelhante àquela que as Escrituras se referem à glória de Deus.

Há várias passagens das Escrituras que nos levam a supor que esse é o grande objetivo de Deus no mundo moral e o fim buscado por ele nos seus agentes morais, os quais devem agir de modo a cumprir o seu fim. É o que parece ficar implícito na argumentação usada por vezes pelo povo de Deus ao rogar que o Senhor não permita que a morte e a destruição lhe sobrevenham ao afirmar que. nesse estado, não podem conhecer nem tornar conhecida a excelência gloriosa de Deus. Salmo 88.11,12: "Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento?". E também o Salmo 30.9 ["Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?"]: Isaías 38.18,19 ["A sepultura não te pode louvar, nem a morte glorificar-te: não esperam em tua fidelidade os que descem à cova. Os vivos, somente os vivos, esses te louvam como hoje eu o faço; o pai fará notório aos filhos a tua fidelidade"]. A argumentação parece a seguinte: por que devemos perecer? De que maneira o teu fim, para o qual tu nos criaste, será cumprido num estado de destruição, no qual tua glória não poderá ser conhecida nem declarada?

Esse é o fim da parte boa do mundo moral, ou o fim do povo de Deus, do mesmo modo como o é a glória de Deus. Isaías 43.21: "ao povo que formei para mim. para celebrar o meu louvor". 1 Pedro 2.9: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. afim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz".

E nos parece que tal coisa é apresentada como aquilo em que se manifestam o valor, o verdadeiro fruto e o fim da virtude dos santos. Isaías 60.6: "E publicarão os louvores do SENHOR"; Isaías 66.19: "Porei entre elas um sinal e alguns dos que foram salvos enviarei às nações... que jamais ouviram falar de mim. nem viram a minha glória; eles anunciarão entre as nações a minha glória". Ao que podemos acrescentar a tendência característica e o lugar onde se encontram a verdadeira virtude e as disposições santas. 1 Crônicas 17.8: "Fiz grande o teu nome, como só os grandes têm na terra". Veja também os versículos 23,24: "Estabeleça-se, e seja para sempre engrandecido o teu nome".

Ao que parece, as Escrituras se referem a isso como o fim maior dos atos do governo moral de Deus. especialmente dos grandes julgamentos que ele executa por causa do pecado. Êxodo 9.16: "mas, deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra": Daniel 4.17: "Esta sentença é por decreto dos vigi lantes... a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens: e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles". Mas as passagens relativas a essa questão são numerosas demais para serem repetidas especificamente. Veja nota.

Esse também é o fim maior das obras do favor e da misericórdia de Deus para com o seu povo. 2 Reis 19.19: "Agora, pois, ó SENHOR, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR Deus". 1 Reis 8.59,60: "Que estas minhas palavras, com que supliquei perante o SENHOR, estejam presentes, diante do SENHOR, nosso Deus, de dia e de noite, para que faça ele justiça ao seu servo e ao seu povo de Israel, segundo cada dia o exigir, para que todos os povos da terra saibam que o SENHOR é Deus e que não há outro". 
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O fim Supremo do Ministério de Cristo – Jonathan Edwards


As Escrituras nos levam a supor que Cristo buscou a glória de Deus como o seu fim transcendente e maior.

João 7.18: "Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça". Quando Cristo diz que não buscou a própria glória, não podemos entendê-lo racionalmente nem compreender como ele não possuía qualquer deferência por sua glória, nem mesmo pela glória da natureza humana, pois a glória dessa natureza fazia parte da recompensa que se lhe prometera e do gozo que se lhe fora proposto. Mas devemos entender que esse não era o seu objetivo supremo; não era o fim pelo qual sua conduta era governada acima de tudo. Assim, está em contraste com essa realidade a última parte da frase que ele profere: "mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro", etc. É natural compreendê-lo em razão da antítese e ver que esse era o seu objetivo supremo, o fim máximo que o governava.

João 12.27,28: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome". Cristo estava a caminho de Jerusalém, onde esperava ser crucificado em poucos dias; e a perspectiva do seu sofrimento final e iminente lhe era deveras terrível. Diante dessa angústia mental, ele se sustenta com a perspectiva do que seria a conseqüência de seu sofrimento, ou seja, a glória de Deus. É o fim que sustenta o agente em qualquer obra difícil que este se propõe realizar, e mais que tudo, é o fim máximo e supremo que lhe dá forças; pois, aos seus olhos, tal fim é mais do que todos os outros e, portanto, suficiente para compensar a dificuldade dos meios. Esse fim, que é, em si mesmo, agradável e doce para o agente e que, por derradeiro, satisfaz o seu anseio, é o centro de descanso e apoio e, portanto, deve ser a fonte e a síntese de todo o deleite e consolo que ele possui em --suas perspectivas em relação à sua obra. A alma de Cristo se encontra exausta e angustiada diante daquilo que é, infinitamente, a parte mais difícil de sua obra e que está prestes a acontecer. Sem dúvida, se a sua mente busca o apoio em meio ao conflito na perpectiva de seu fim, deve naturalmente se refugiar no seu fim transcendente, que é a verdadeira fonte de todo o apoio possível nesse caso. Podemos muito bem supor que, ao lutar contra as mais extremas dificuldades, sua alma recorre à idéia do seu fim máximo e supremo, a fonte de todo o apoio e consolo que ele tem na obra.

A mesma coisa - a busca de Cristo pela glória de Deus como o seu fim supremo - fica clara nas suas palavras ao se aproximar ainda mais da hora de seus sofrimentos finais, naquela oração extraordinária, a última que faz com seus discípulos na noite antes da crucificação, uma oração na qual ele expressa a síntese de seus objetivos e anseios. Suas primeiras palavras são: "Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti" [Jo 17.1]. Uma vez que esse é o seu primeiro pedido, podemos supor que é a maior das suas súplicas e anseios, e o seu fim supremo em todas as coisas. Se considerarmos as palavras subseqüentes, tudo o que é dito depois na oração parece apenas uma expansão desse pedido magnífico. Creio que, no geral, fica bastante claro que Jesus Cristo buscou a glória áe Deus como o seu fim último e transcendente e, portanto, com base na décima segunda proposição, esse foi o fim supremo de Deus na criação do mundo.
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Deus não vai além de si mesmo na sua busca – Jonathan Edwards


A doutrina que faz das criaturas de Deus, e não do próprio Deus, o seu fim último é a mais discorde e mais distante de um aspecto favorável sobre a auto-suficiência e independência absolutas de Deus. Portanto, ela concorda muito menos do que a doutrina contra a qual é feita a objeção. Devemos imaginar o eficiente como dependente do fim supremo.

Ele depende desse fim em seus desejos, objetivos, ações e obras, de modo que fracassa em seus desejos, ações e obras se não consegue atingir o seu fim. Porém, se o próprio Deus é o seu fim último, em sua dependência desse fim, não depende de outra coisa senão dele mesmo. Se todas as coisas são dele e para ele e se ele é o primeiro e o último, fica evidente que ele é tudo em todas as coisas. Ele é tudo em si mesmo. Ele não vai além de si mesmo naquilo que busca; antes, os seus desejos e obras têm origem nele próprio e, do mesmo modo, terminam nele próprio, e ele não depende de ninguém a não ser de si mesmo, quer no início, quer no fim de qualquer dos seus exercícios ou operações.

Porém, se a criatura fosse o seu fim supremo, e não ele próprio, então, uma vez que ele dependeria do seu fim supremo, seria, de algum modo, dependente de sua criatura.
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Verdadeiro Culto - Jonathan Edwards

A importância das afeições espirituais podem ser vistas a partir dos deveres que Deus designou como expressões de culto.

Oração - Declaramos em oração as perfeições de Deus, Sua majestade, santidade, bondade e absoluta suficiência, nosso próprio vácuo e desmerecimento, nossas necessidades e desejos. Mas, por quê? Não para informar a Deus dessas coisas, pois Ele já as conhece, e certamente não para mudar Seus propósitos e persuadi-lO que deveria nos abençoar. Não, declaramos, porém estas coisas para mover e influenciar nossos próprios corações, e dessa forma nos preparamos para receber as bênçãos que pedimos.

Louvor - O dever de cantarmos louvores a Deus parece não ter outro propósito que o de excitar e expressar emoções espirituais. Podemos encontrar somente uma razão para que Deus ordenasse que nos manifestássemos a Ele tanto em poesia como em prosa, e em cântico como pela fala. A razão é esta: quando a verdade divina é expressa em poemas e cânticos, tem uma tendência maior a se imprimir em nós e mover nossas emoções.

Batismo e a Ceia do Senhor - O mesmo é verdadeiro com relação ao batismo e à Ceia do Senhor. Por natureza, as coisas físicas e visíveis nos influenciam muito. Assim, Deus não somente ordenou que ouvíssemos o evangelho contido em Sua Palavra, mas também que víssemos o evangelho exposto diante de nossos olhos em símbolos visíveis, de modo a nos influenciar ainda mais. Essas demonstrações visíveis do evangelho são o Batismo e a Ceia do Senhor.

Pregação - Uma grande razão porque Deus ordenou a pregação na Igreja é para gravar as verdades divinas em nossos corações e emoções. Não é suficiente que tenhamos bons comentários e livros de teologia. Estes podem iluminar nossa compreensão, porém não têm o mesmo poder que a pregação para mover nossas vontades. Deus usa a energia da palavra falada para aplicar Sua verdade aos nossos corações de forma mais particular e viva.
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Jonathan Edwards - ver e sentir Deus em todas as áreas do conhecimento


A tarefa dos estudiosos cristãos é estudar a realidade como manifestação da glória de Deus, falar dessa realidade com exatidão e sentir a beleza de Deus presente nela. Creio que Edwards consideraria uma enorme abdicação da erudição o fato de tantas obras acadêmicas cristãs fazerem tão pouca referência a Deus. Se todo o universo e tudo que há nele existem em função do desígnio de um Deus infinito e pessoal, com o propósito de tornar a sua glória multiforme conhecida e amada, tratar de qualquer assunto sem se referir à glória de Deus não é erudição, mas sim rebelião.

Além disso, a exigência é ainda maior: a erudição cristã deve ser imbuída do sentimento espiritual pela glória de Deus em todas as coisas. A maioria dos estudiosos sabe que, sem o apoio da verdade, os sentimentos se transformam em emocionalismo infundado. Porém, não são muitos os estudiosos que reconhecem o oposto: sem despertar os verdadeiros sentimentos espirituais é impossível ver a verdade integral em todas as coisas.


Assim, Edwards diz: "Onde há um tipo de luz sem calor, uma mente repleta de conceitos e especulações, com um coração frio e intocado, não pode haver coisa alguma de caráter divino nessa luz, esse conhecimento não é o verdadeiro conhecimento espiritual das coisas divinas".

Há quem possa objetar, afirmando que a psicologia, a sociologia, a antropologia, a história, a física, a química, o idioma e as ciências da computação não são "coisas divinas", mas sim "coisas naturais". Essa idéia, porém, deixa de fora a primeira questão: a fim de vermos a realidade como ela é de fato, devemos vê-la em relação ao Deus que a criou, que a sustenta e lhe dá todas as propriedades que possui e todas as suas relações e propósitos. Ver todas essas coisas em cada disciplina é ver "as coisas divinas" - e, no final, são elas que importam. Portanto, Edwards afirma que não podemos divisar essas coisas e, por conseguinte, não podemos exercitar a erudição cristã, se não tivermos uma percepção espiritual ou um gosto por Deus - se não tivermos a capacidade de captar a beleza de Deus naquilo que ele criou.
De acordo com Edwards, essa percepção é dada por Deus por meio do novo nascimento sobrenatural, realizado pela Palavra de Deus. "O primeiro efeito do poder de Deus sobre o coração na regeneração é dar ao mesmo uma percepção divina ou uma inclinação por Deus, levando o coração a se deleitar com a beleza e a doçura da excelência suprema da natureza divina."52 Portanto, a fim de exercitar a erudição cristã, a pessoa deve ser nascida de novo; ou seja, a pessoa não deve apenas observar os efeitos da obra de Deus, mas também se deleitar com a beleza encontrada na natureza de Deus.

Edwards afirma que o trabalho racional não é em vão, mesmo considerando-se que tudo depende do dom gratuito de Deus da vida e da visão espiritual. Isso porque "quanto mais a pessoa possuir conhecimento racional das coisas divinas, mais oportunidade terá, quando o Espírito for soprado no seu coração, de ver a excelência dessas coisas e sentir a sua doçura".

Fica claro que, ao falar de "conhecimento racional", Edwards não está se referindo ao racionalismo que exclui filosoficamente as "coisas divinas". Em se tratando da erudição cristã, é ainda mais relevante o fato de que, para Edwards, o "conhecimento racional" também exclui uma imitação metodológica, por parte dos cristãos, do racionalismo encontrado nas obras acadêmicas. Creio que Edwards consideraria uma parte da erudição cristã de hoje metodologicamente ininteligível em função da exclusão de fato de Deus e de sua Palavra dos processos de raciocínio. Ao que parece, esse tipo de erudição pode ser atribuído ao desejo de obter o reconhecimento e a aceitação dos meios acadêmicos em geral. No entanto, o preço a ser pago por esse respeito é extremamente alto. E acredito que Edwards questionaria se, a longo prazo, essa transigência não acabará por enfraquecer a influência cristã que visa à exaltação de Deus, uma vez que a concessão ao naturalismo fala mais alto do que o objetivo da supremacia de Deus em todas as coisas. Não apenas isso, mas também a própria natureza da realidade será distorcida por estudiosos que adotam uma metodologia que não prioriza o fundamento, a força e o objetivo da verdade, ou seja, Deus. Sempre que Deus é metodologicamente deixado de lado, torna-se impossível interpretar a realidade com precisão.

De que maneira, então, esse conceito de erudição cristã é resultante da verdade de que a demonstração da glória de Deus e a alegria mais profunda da alma humana são a mesma coisa? Deus demonstra a sua glória na realidade criada que está sendo investigada pelo estudioso (SI 19.1; 104.31; Cl 1.16,17). E, no entanto, o propósito de Deus ao fazer essa demonstração não é cumprido se o investigador não a observa e sente. Assim, a experiência, a satisfação e o prazer do estudioso com a beleza da glória de Deus são uma ocasião em que a demonstração dessa glória é consumada. Nesse momento, as duas coisas se tornam uma só: o engrandecimento da glória de Deus é concretizado na observação e na experiência que ocorre na mente e no coração do estudioso. Quando o eco da glória de Deus repercute nas afeições do estudioso consagrado a Deus e ressoa no que ele diz e escreve, o propósito de Deus para a erudição é cumprido.

John Piper
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